Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg691279
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Gravataí - RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Dermatologista
- ASífilis.
- BSarcoidose.
- CTuberculose.
- DLeishmaniose.
- EHanseníase tuberculoide.
GabaritoB — Sarcoidose.
Gabarito: letra B. Granulomas não caseosos são a marca histológica clássica da sarcoidose, enquanto a tuberculose cursa tipicamente com granulomas caseosos (com necrose central). Essa distinção entre o padrão de necrose — presente ou ausente — é o critério que separa as alternativas e define a resposta.
O granuloma é uma reação inflamatória crônica organizada, formada por um agregado de macrófagos epitelioides, frequentemente circundados por linfócitos, que surge quando o sistema imunológico não consegue eliminar um agente agressor persistente. É a resposta imune celular (Th1) tentando "encapsular" o que não consegue destruir. A grande questão diagnóstica é que diferentes doenças produzem granulomas com características distintas, e a presença ou ausência de necrose caseosa é o divisor de águas mais importante.
A necrose caseosa é um tipo específico de necrose que macroscopicamente lembra queijo cottage (daí o nome "caseosa") e microscopicamente se apresenta como uma área central amorfa, eosinofílica, sem estrutura celular preservada. Quando o granuloma apresenta essa necrose central, chamamos de granuloma caseoso; quando não há essa necrose, chamamos de granuloma não caseoso (ou não necrotizante). Essa distinção é fundamental na prática da patologia e da clínica.
A sarcoidose é a doença que melhor exemplifica o granuloma não caseoso. É uma doença inflamatória sistêmica de causa desconhecida, que pode acometer qualquer órgão, mas tem predileção por pulmões e linfonodos hilares. Histologicamente, os granulomas sarcoidóticos são "nus" (com pouca inflamação ao redor), bem formados, e classicamente não apresentam necrose caseosa. Já a tuberculose, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, é o protótipo do granuloma caseoso: o bacilo induz uma resposta imune que leva à necrose central, que é justamente o que permite a disseminação e a cavitação. Essa diferença é tão marcante que, na prática, a presença de granuloma não caseoso em uma biópsia levanta fortemente a suspeita de sarcoidose, enquanto a presença de caseose aponta para tuberculose.
As demais alternativas apresentam padrões histológicos distintos: a sífilis cursa com endarterite obliterante e infiltrado plasmocitário (granulomas são raros e, quando presentes, não são o achado típico); a leishmaniose apresenta granulomas, mas frequentemente com necrose e grande quantidade de amastigotas; e a hanseníase tuberculoide apresenta granulomas bem formados, mas que podem ter necrose caseosa, especialmente nas formas reacionais. A pegadinha da questão está em associar "granuloma" genericamente à tuberculose, sem atentar para o qualificador "não caseoso".
Guarde o par: caseoso = tuberculose (e outras micobacterioses) versus não caseoso = sarcoidose. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Doença | Padrão de Granuloma | Achado Histológico Típico |
|---|---|---|
Sarcoidose | Não caseoso (sem necrose central) | Granulomas "nus", bem formados, com células gigantes |
Tuberculose | Caseoso (com necrose central) | Necrose caseosa central, aspecto de "queijo cottage" |
Sífilis | Raro/ausente | Endarterite obliterante, infiltrado plasmocitário |
Leishmaniose | Pode haver, frequentemente com necrose | Histiócitos com amastigotas |
Hanseníase tuberculoide | Pode haver, com possível necrose caseosa | Comprometimento neural, infiltrado perineural |
A sífilis não é caracterizada por granulomas não caseosos. Sua histologia típica é a endarterite obliterante (proliferação endotelial e infiltrado perivascular) com infiltrado inflamatório rico em plasmócitos. Granulomas não fazem parte do padrão histológico clássico da sífilis, o que torna esta alternativa incorreta.
A sarcoidose é a doença que apresenta granulomas não caseosos como achado histológico característico. Esses granulomas são bem formados, compostos por macrófagos epitelioides e células gigantes multinucleadas, sem necrose central. A ausência de caseose é um dos critérios que ajudam a diferenciar a sarcoidose da tuberculose, sendo este o conceito central da questão.
A tuberculose é o protótipo do granuloma caseoso, com necrose central característica. Embora a tuberculose possa, em alguns contextos (como em imunossuprimidos), apresentar granulomas atípicos ou sem necrose, o padrão clássico e mais conhecido é o granuloma com caseose. A alternativa inverte o padrão típico, sendo incorreta.
A leishmaniose pode apresentar granulomas, mas não é caracterizada por granulomas não caseosos. Na leishmaniose tegumentar, o infiltrado inflamatório é misto, com histiócitos parasitados por amastigotas, e os granulomas, quando presentes, frequentemente cursam com necrose. O padrão não caseoso não é a assinatura histológica da doença.
A hanseníase tuberculoide apresenta granulomas bem formados, mas que podem evoluir com necrose caseosa, especialmente em reações. Além disso, o achado histológico mais distintivo da hanseníase é o comprometimento neural (nervos periféricos), com infiltrado inflamatório ao redor dos filetes nervosos. O granuloma não caseoso não é o padrão típico da hanseníase tuberculoide.
A banca explora a associação automática entre "granuloma" e "tuberculose". O candidato que não atenta para o qualificador "não caseoso" marca a letra C. A chave é lembrar que a tuberculose é o exemplo clássico de granuloma COM caseose, enquanto a sarcoidose é o exemplo clássico de granuloma SEM caseose. Com esse par fixado, a questão se resolve em segundos.
Para memorizar, associe: "Sarcoidose = Sem Caseose" (ambos começam com S). E "Tuberculose = Tem Caseose" (ambos começam com T). Essa associação fonética ajuda a fixar o padrão histológico de cada doença.
Gabarito: letra B
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