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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg691351
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista Pediátrico
Um adolescente de 14 anos de idade, com histórico de asma grave e rinite alérgica, apresenta episódios recorrentes de dor abdominal, tosse e engasgo ao se alimentar, especialmente com alimentos sólidos e secos, necessitando ingestão excessiva de líquidos para “empurrar” o alimento durante as refeições. Com base no quadro clínico, qual é o próximo passo?
  1. AIniciar teste terapêutico com IBP 1 mg/kg/dia pela suspeita de DRGE.
  2. BSolicitar EDA com biópsia, pois a principal suspeita é de esofagite eosinofílica.
  3. CEncaminhar ao serviço de psicologia, pois trata-se de comportamento de tique.
  4. DSolicitar Prick test e dosagem de IgE específica para alimentos (como leite, trigo e ovo) para guiar estritamente a dieta de exclusão.
  5. ERealizar retirada empírica dos 6 grupos alimentares alergênicos.
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GabaritoB — Solicitar EDA com biópsia, pois a principal suspeita é de esofagite eosinofílica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esofagite eosinofílica: diagnóstico e manejo

Gabarito: letra B. O quadro clínico — adolescente com asma e rinite alérgica, disfagia crônica para sólidos, impactação alimentar e necessidade de ingerir líquidos para "empurrar" o alimento — é altamente sugestivo de esofagite eosinofílica (EoE), cujo diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsias esofágicas. A EoE é uma doença imunoalérgica crônica, e a presença de atopia (asma, rinite) é um forte fator de associação. O próximo passo, portanto, é solicitar a EDA com biópsia para confirmar a suspeita.

A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica, mediada por mecanismos imunoalérgicos, caracterizada por infiltração eosinofílica da mucosa esofágica. Ela se manifesta tipicamente em crianças e adultos jovens, com forte associação a outras doenças atópicas, como asma, rinite alérgica e eczema. Os sintomas mais comuns em adolescentes e adultos são disfagia intermitente para alimentos sólidos, impactação alimentar (o alimento "fica preso" no esôfago) e dor retroesternal. Em crianças menores, os sintomas podem ser mais inespecíficos, como recusa alimentar, vômitos e dor abdominal.

O diagnóstico é feito pela EDA com biópsias, que demonstra ≥ 15 eosinófilos por campo de grande aumento (eosinófilos/cga) na mucosa esofágica, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica (como DRGE, parasitoses, doenças inflamatórias intestinais). A EDA pode mostrar achados característicos, como anéis esofágicos (esôfago em "traqueia"), sulcos lineares, placas esbranquiçadas e estreitamento luminal. É importante que as biópsias sejam realizadas em múltiplos níveis do esôfago (terço proximal, médio e distal), pois a inflamação pode ser segmentar.

O tratamento da EoE envolve medidas dietéticas (dieta de exclusão de alimentos desencadeantes, como leite, trigo, ovo, soja, amendoim, frutos do mar) e/ou terapia farmacológica com inibidores de bomba de prótons (IBP) e corticoides tópicos deglutidos (como budesonida ou fluticasona). A escolha entre dieta e medicação deve ser individualizada, e a resposta ao tratamento é avaliada por melhora clínica e, idealmente, por nova EDA com biópsias.

A alternativa B é a correta porque a EDA com biópsia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de EoE, e o quadro clínico apresentado é clássico. As demais alternativas propõem condutas que não são o próximo passo adequado: iniciar IBP empiricamente (A) pode ser uma opção em alguns casos, mas não é o passo diagnóstico inicial; encaminhar ao psicólogo (C) é inadequado, pois o quadro é orgânico; solicitar testes alérgicos (D) pode auxiliar na identificação de alimentos desencadeantes, mas não confirma o diagnóstico; e a retirada empírica dos 6 grupos alimentares (E) é uma estratégia terapêutica, não diagnóstica, e não deve ser feita sem confirmação.

A pegadinha desta questão está em confundir o diagnóstico de EoE com outras condições que causam disfagia, como DRGE, ou em tratar a EoE como um problema comportamental. A banca explora a associação entre atopia e EoE, e a necessidade de um exame invasivo (EDA) para confirmar o diagnóstico, em vez de simplesmente iniciar tratamento empírico.

  1. 1Suspeita clínica (atopia + disfagia)
  2. 2EDA com biópsias (padrão-ouro)
  3. 3≥15 eosinófilos/cga confirma
  4. 4Tratamento (dieta/IBP/corticoide)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar IBP empiricamente para DRGE não é o próximo passo correto. Embora a DRGE possa causar disfagia, o quadro clínico é mais sugestivo de EoE, e o IBP não é o tratamento de primeira linha para EoE (embora possa ser usado como parte do tratamento). O diagnóstico de EoE deve ser confirmado por EDA com biópsia antes de iniciar qualquer terapia específica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A EDA com biópsia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de esofagite eosinofílica. O quadro clínico — adolescente atópico com disfagia para sólidos, impactação alimentar e necessidade de ingerir líquidos para "empurrar" o alimento — é altamente sugestivo de EoE. A confirmação diagnóstica é essencial antes de iniciar qualquer tratamento, seja dietético ou farmacológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Encaminhar ao psicólogo por suspeita de tique é um erro grave. A disfagia e a impactação alimentar são sintomas orgânicos, não comportamentais. A EoE é uma doença inflamatória crônica com base imunoalérgica, e o tratamento inadequado pode levar a complicações como estenose esofágica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Prick test e a dosagem de IgE específica podem ser úteis para identificar alimentos desencadeantes, mas não são o próximo passo diagnóstico. Eles não confirmam o diagnóstico de EoE, que exige EDA com biópsia. Além disso, a dieta de exclusão deve ser baseada em evidências, não apenas em testes alérgicos, que podem ter resultados falso-positivos ou falso-negativos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A retirada empírica dos 6 grupos alimentares alergênicos (leite, trigo, ovo, soja, amendoim, frutos do mar) é uma estratégia terapêutica, não diagnóstica. Ela não deve ser iniciada sem confirmação diagnóstica de EoE, pois é uma dieta restritiva que pode impactar a nutrição do paciente. O primeiro passo é confirmar o diagnóstico com EDA e biópsia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o diagnóstico de EoE e outras causas de disfagia, como DRGE, e entre o diagnóstico e o tratamento. O candidato pode ser tentado a iniciar IBP empiricamente (A) ou a solicitar testes alérgicos (D), mas o passo correto é a EDA com biópsia, que é o exame que confirma o diagnóstico. Lembre-se: em um paciente atópico com disfagia, a EoE deve ser a principal suspeita, e o diagnóstico é endoscópico.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de EoE, lembre-se do mnemônico "DICA": Disfagia, Impactação alimentar, Criança/adolescente atópico, Achados endoscópicos (anéis, sulcos, placas). O diagnóstico é sempre por EDA com biópsia (≥ 15 eosinófilos/cga). Não confunda com DRGE, que é mais comum em adultos mais velhos e não tem associação tão forte com atopia.

Gabarito: letra B

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