Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg691352
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista Pediátrico
Sobre a HAI na infância, assinale a alternativa correta.
AO tipo 2 é mais comum em adolescentes do sexo masculino.
BA apresentação clínica é insidiosa, nunca cursando com insuficiência hepática aguda.
CO tratamento de escolha inicial envolve a combinação de prednisolona e azatioprina.
DA gamaglobulina costuma estar reduzida no diagnóstico.
EAo contrário dos adultos, a HAI pediátrica raramente evolui para cirrose.
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GabaritoC — O tratamento de escolha inicial envolve a combinação de prednisolona e azatioprina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hepatite autoimune na infância
Gabarito: letra C. Na hepatite autoimune (HAI) pediátrica, o tratamento de escolha inicial combina prednisolona (ou prednisona) com azatioprina — esquema que permite reduzir a dose do corticoide e seus efeitos colaterais, mantendo eficácia equivalente à monoterapia. As demais alternativas distorcem aspectos epidemiológicos, clínicos, laboratoriais e prognósticos da doença.
A hepatite autoimune é uma doença hepática inflamatória crônica, de causa desconhecida, caracterizada por necroinflamação periportal (hepatite de interface), hipergamaglobulinemia (elevação de IgG), presença de autoanticorpos circulantes e resposta favorável à imunossupressão. Na infância, acomete principalmente meninas, com pico de incidência entre 6 e 10 anos, e pode se apresentar de duas formas: tipo 1 (associada a anticorpos antimúsculo liso e antinucleares) e tipo 2 (associada a anticorpos antimicrossomais de fígado e rim tipo 1 — anti-LKM1), sendo o tipo 2 mais comum em crianças pequenas e com apresentação mais agressiva.
A apresentação clínica é variável: pode ser insidiosa, com fadiga, anorexia e hepatomegalia, mas também pode cursar com início agudo, semelhante a uma hepatite viral, e até evoluir para insuficiência hepática aguda grave — especialmente no tipo 2. O diagnóstico laboratorial típico mostra elevação de transaminases, hipergamaglobulinemia (IgG elevada, não reduzida) e autoanticorpos positivos. Sem tratamento, a doença progride para cirrose em proporção significativa dos casos, tanto em crianças quanto em adultos — a cirrose pode estar presente até mesmo no momento do diagnóstico.
O tratamento baseia-se em imunossupressão. Estudos clássicos demonstraram que a prednisona em monoterapia ou associada à azatioprina aumenta a sobrevida e melhora os parâmetros bioquímicos e histológicos, enquanto a azatioprina isolada não é eficaz. A terapia combinada é preferida por permitir o uso de doses menores de corticoide, reduzindo efeitos adversos como obesidade, hipertensão e osteoporose — particularmente relevantes em crianças em fase de crescimento. O esquema inicial típico combina prednisolona (ou prednisona) com azatioprina, ajustando as doses conforme a resposta clínica e laboratorial.
A banca explora aqui o conhecimento das características fundamentais da HAI pediátrica: epidemiologia (predomínio feminino), espectro clínico (incluindo formas agudas graves), tratamento (combinação de corticoide e azatioprina), achados laboratoriais (hipergamaglobulinemia) e prognóstico (risco real de cirrose). A alternativa C é a única que reproduz fielmente a conduta estabelecida.
Hepatite autoimune pediátrica: Epidemiologia (Predomínio feminino, Pico: 6–10 anos, Tipo 2: crianças menores); Clínica (Insidiosa (fadiga, anorexia), Aguda (pode ser fulminante)); Laboratório (Transaminases elevadas, IgG aumentada (hipergamaglobulinemia), Autoanticorpos positivos); Tratamento (Prednisolona + azatioprina, Reduz dose do corticoide); Prognóstico (Risco real de cirrose)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o tipo 2 é mais comum em adolescentes do sexo masculino. Há dois erros: o tipo 2 predomina em crianças mais jovens (pré-escolares), não em adolescentes, e a HAI como um todo acomete preferencialmente o sexo feminino (cerca de 75% dos casos). O tipo 1 é o mais frequente em adolescentes. A banca inverte a faixa etária e o sexo predominante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a apresentação clínica é insidiosa, "nunca" cursando com insuficiência hepática aguda. O erro está no advérbio "nunca": a HAI pediátrica pode sim se apresentar de forma aguda, inclusive com insuficiência hepática fulminante — mais comum no tipo 2. A palavra "nunca" torna a afirmação falsa, pois a doença tem espectro clínico amplo, do quadro insidioso ao agudo grave.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tratamento de escolha inicial na HAI pediátrica é a combinação de prednisolona (ou prednisona) com azatioprina. Essa associação é tão eficaz quanto a monoterapia com corticoide, mas permite usar metade da dose do esteroide, reduzindo efeitos colaterais — vantagem importante em crianças. A azatioprina isolada não é eficaz na indução da remissão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a gamaglobulina costuma estar reduzida no diagnóstico. Na verdade, ocorre o oposto: a HAI caracteriza-se por hipergamaglobulinemia, com elevação de IgG. A gamaglobulina reduzida não faz parte do perfil laboratorial da doença — seria um achado de imunodeficiência, não de doença autoimune.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que, ao contrário dos adultos, a HAI pediátrica raramente evolui para cirrose. É falso: a cirrose pode estar presente no momento do diagnóstico em parcela significativa das crianças e, sem tratamento adequado, a progressão para cirrose é comum. O risco de cirrose na HAI pediátrica é real e comparável ao do adulto, não sendo um evento raro.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora inversões clássicas: troca o sexo e a faixa etária predominantes (alternativa A), usa o advérbio "nunca" para negar uma forma de apresentação que existe (alternativa B), inverte o achado laboratorial — gamaglobulina reduzida em vez de elevada (alternativa D) — e minimiza o risco de cirrose na criança (alternativa E). O candidato que decora apenas as características "típicas" da doença cai nessas armadilhas. Fique atento a palavras absolutas como "nunca" e "raramente" — em medicina, quase sempre indicam uma pegadinha.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a HAI pediátrica, monte um quadro mental com os quatro pilares: (1) epidemiologia — meninas, 6–10 anos, tipo 2 em crianças menores; (2) clínica — espectro do insidioso ao agudo grave; (3) laboratório — transaminases elevadas, IgG aumentada, autoanticorpos; (4) tratamento — prednisolona + azatioprina. Se uma alternativa contrariar qualquer um desses pilares, ela está errada.