Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg691358
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista Pediátrico
Uma criança de 2 anos de idade deglutiu um corpo estranho e foi levada ao pronto atendimento. A radiografia revelou corpo estranho radiopaco, arredondado, no esôfago médio, com sinal de duplo halo. Diante da principal suspeita, qual é a conduta correta?
AAdministrar carvão ativado e observar por 24 horas para verificar passagem espontânea ao estômago.
BTentar remoção por sonda de Foley no pronto-socorro, para retirada mais precoce possível.
CAdministrar mel ou solução de sucralfato até remoção endoscópica de emergência.
DInduzir vômitos para expelir o objeto.
EIniciar dieta rica em fibras para facilitar a passagem.
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GabaritoC — Administrar mel ou solução de sucralfato até remoção endoscópica de emergência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Corpo estranho esofágico: conduta na suspeita de bateria-botão
Gabarito: letra C. Na criança com suspeita de ingestão de bateria-botão (corpo estranho radiopaco, arredondado, com sinal de duplo halo no esôfago médio), a conduta é administrar mel ou sucralfato até a remoção endoscópica de emergência, conforme recomendações de consensos internacionais de emergências pediátricas. As demais alternativas são condutas inadequadas ou perigosas nesse cenário.
A ingestão de corpo estranho é um evento comum na faixa etária de 6 meses a 3 anos, e a bateria-botão é um dos tipos mais perigosos, especialmente quando impactada no esôfago. O sinal de duplo halo na radiografia é um achado clássico que indica a presença de uma bateria-botão: a borda dupla radiopaca corresponde à dupla camada da bateria (cátodo e ânodo). A principal preocupação não é a obstrução mecânica, mas sim a lesão química e elétrica que a bateria causa na mucosa esofágica. A corrente elétrica gerada pela bateria em contato com os tecidos úmidos provoca hidrólise da água, gerando hidróxido de sódio (base forte) no polo negativo, o que leva a uma queimadura cáustica profunda. Essa lesão pode evoluir rapidamente para necrose, perfuração esofágica, fístula traqueoesofágica ou lesão de grandes vasos, com risco de morte. Por isso, a remoção endoscópica é uma emergência, e o tempo é crítico: quanto mais tempo a bateria permanece impactada, maior o dano.
A administração de mel ou sucralfato é uma medida de ponte, recomendada enquanto se aguarda a endoscopia. O mel, quando administrado em pequenas quantidades e repetidamente, pode criar uma barreira protetora sobre a bateria, reduzindo o contato com a mucosa e, assim, diminuindo a progressão da lesão. O sucralfato, por sua vez, forma uma pasta aderente que também protege a mucosa. É importante ressaltar que essas substâncias não substituem a remoção endoscópica, apenas ganham tempo até que ela seja realizada. A endoscopia deve ser feita o mais rápido possível, idealmente em até 2 horas após a ingestão, para minimizar o risco de complicações graves.
A conduta correta se baseia em diretrizes de sociedades de emergência pediátrica e gastroenterologia, que estabelecem protocolos específicos para a ingestão de baterias-botão. Esses protocolos priorizam a remoção endoscópica de emergência para baterias impactadas no esôfago, independentemente de a criança estar sintomática ou assintomática, pois o risco de lesão é alto mesmo sem sintomas. A administração de mel é recomendada apenas para crianças com mais de 12 meses, em quantidade limitada (10 mL a cada 10 minutos, até no máximo 6 doses), e somente se a criança não tiver sinais de perfuração ou obstrução completa. O sucralfato pode ser usado como alternativa, na dose de 10 mL, também como medida temporária.
A distinção crucial é entre a bateria-botão e outros corpos estranhos esofágicos, como moedas. Moedas também são radiopacas e arredondadas, mas não apresentam o sinal de duplo halo. Além disso, a conduta para moedas pode ser mais conservadora, com observação por 12 a 24 horas se a criança estiver assintomática, pois muitas passam espontaneamente. Já a bateria-botão nunca deve ser observada, pois o risco de lesão é iminente. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que pensa em moeda pode optar por observar ou tentar remoção com sonda de Foley, condutas que são inadequadas para bateria.
A pegadinha central desta questão é reconhecer o sinal de duplo halo como indicativo de bateria-botão e, a partir daí, entender que a conduta é agressiva e imediata. As alternativas incorretas propõem condutas que seriam aceitáveis para outros corpos estranhos, mas são perigosas ou ineficazes para bateria. Vamos analisar cada uma.
Bateria-botão no esôfago: Diagnóstico (Radiopaco e arredondado, Sinal de duplo halo); Risco (Lesão química/elétrica, Perfuração e fístula); Conduta (Mel ou sucralfato (ponte), Endoscopia de emergência); Contraindicações (Observar 24h, Sonda de Foley, Induzir vômitos, Dieta rica em fibras)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Administrar carvão ativado e observar por 24 horas é uma conduta contraindicada para bateria-botão. O carvão ativado não tem efeito sobre a bateria e pode até dificultar a visualização endoscópica. Além disso, a observação por 24 horas é perigosa, pois a bateria impactada no esôfago causa lesão progressiva e irreversível em poucas horas. Essa conduta seria aceitável apenas para corpos estranhos inofensivos que tendem a passar espontaneamente, como pequenos objetos lisos, mas nunca para bateria.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A remoção por sonda de Foley é uma técnica que pode ser usada para corpos estranhos esofágicos não pontiagudos, como moedas, em pacientes selecionados. No entanto, é absolutamente contraindicada para bateria-botão, pois a tração pode romper a bateria e liberar seu conteúdo cáustico, além de não prevenir a lesão química que já está ocorrendo. A remoção deve ser feita sob visualização direta, por endoscopia, para avaliar a mucosa e tratar qualquer lesão.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Administrar mel ou sucralfato até a remoção endoscópica de emergência é a conduta recomendada. O mel e o sucralfato criam uma barreira protetora que reduz o contato da bateria com a mucosa esofágica, diminuindo a progressão da lesão química enquanto se aguarda a endoscopia. A endoscopia deve ser realizada com urgência, pois a remoção precoce é o fator mais importante para prevenir complicações graves, como perfuração e fístula.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Induzir vômitos é uma conduta perigosa e contraindicada em qualquer ingestão de corpo estranho, especialmente de bateria. O vômito pode causar a aspiração do corpo estranho para as vias aéreas, além de expor novamente a mucosa esofágica ao conteúdo cáustico da bateria, aumentando a lesão. A indução de vômitos não é recomendada em nenhum protocolo de ingestão de corpo estranho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Iniciar dieta rica em fibras para facilitar a passagem é uma conduta inadequada e perigosa. A bateria-botão não deve ser estimulada a passar, pois o tempo de contato com a mucosa é o principal fator de risco para lesão. Além disso, a dieta rica em fibras não tem efeito sobre a passagem de um objeto metálico impactado e pode atrasar a remoção endoscópica, que é a única conduta eficaz.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao apresentar condutas que seriam aceitáveis para outros corpos estranhos esofágicos, como moedas. A observação (alternativa A) e a remoção com sonda de Foley (alternativa B) são técnicas válidas para moedas, mas nunca para bateria-botão. O sinal de duplo halo é a chave: ele indica bateria, e bateria exige remoção endoscópica de emergência, com mel ou sucralfato como medida de ponte. Memorize: duplo halo = bateria = emergência.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver um corpo estranho radiopaco arredondado no esôfago, pergunte-se: há sinal de duplo halo? Se sim, é bateria-botão e a conduta é sempre endoscopia de emergência. Se não, pode ser moeda, e a conduta pode ser mais conservadora. Essa distinção é o que separa o acerto do erro.