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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg691367
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista Pediátrico
Qual cenário apresenta maior risco de cronificação da hepatite B?
  1. AInfecção aguda em adultos imunocompetentes.
  2. BInfecção adquirida por via sexual.
  3. CInfecções nosocomiais, como transfusões sanguíneas ou acidentes de punção em trabalhadores de saúde.
  4. DInfecção por contato domiciliar entre adultos.
  5. EInfecção perinatal em recém-nascidos de mães HBeAg positivas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Infecção perinatal em recém-nascidos de mães HBeAg positivas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hepatite B: risco de cronificação conforme a idade de aquisição

Gabarito: letra E. O risco de cronificação da hepatite B é inversamente proporcional à idade em que ocorre a infecção: chega a 90% em recém-nascidos, cai para 25–30% em crianças de 1 a 5 anos e é menor que 5% em adultos imunocompetentes. Por isso, a infecção perinatal em recém-nascidos de mães HBeAg positivas é o cenário de maior risco — exatamente o que a alternativa E descreve.

A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado, transmitida por via parenteral, sexual e vertical (perinatal ou intrauterina). O que determina a evolução para a forma crônica — ou seja, a persistência do vírus por mais de seis meses — é, sobretudo, a maturidade do sistema imunológico do hospedeiro no momento da exposição. Quanto mais jovem o indivíduo, menos eficiente é a resposta imune para eliminar o vírus, e maior a chance de cronificação. Esse é o conceito central que a questão explora.

A transmissão vertical é a principal via de manutenção do HBV na população em áreas de alta endemicidade. Ela ocorre predominantemente no momento do parto (perinatal), sendo a transmissão intrauterina mais rara. Quando a mãe é HBsAg positiva e também HBeAg positiva — marcador de alta replicação viral —, o risco de transmissão ao recém-nascido é de 40% a 90%, e cerca de 90% desses recém-nascidos desenvolvem hepatite crônica. Em mães HBeAg negativas, o risco de transmissão é de 5% a 30%, e a cronificação ocorre em aproximadamente 20% dos casos.

A imunoprofilaxia combinada — imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB) e primeira dose da vacina nas primeiras 12 horas de vida — previne a transmissão perinatal em mais de 90% dos casos. Essa é a medida mais eficaz para interromper o ciclo de transmissão vertical e reduzir a carga global da doença. A vacinação universal de recém-nascidos, incorporada no Brasil em 1998, é a principal estratégia preventiva em nível populacional.

A pegadinha desta questão está em associar o risco de cronificação à via de transmissão, quando, na verdade, o fator decisivo é a idade de aquisição. Todas as alternativas descrevem vias de transmissão possíveis, mas apenas a perinatal ocorre em um momento de imaturidade imunológica extrema — o recém-nascido. Guarde a regra: quanto mais precoce a infecção, maior o risco de cronificação — é exatamente nessa relação que as alternativas se separam.

  1. 1Recém-nascido: ~90%
  2. 2Criança 1–5 anos: 25–30%
  3. 3Adulto: <5%
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A infecção aguda em adultos imunocompetentes tem baixo risco de cronificação — menor que 5%. O sistema imunológico maduro do adulto é capaz de eliminar o vírus na grande maioria dos casos, levando à cura espontânea. A alternativa erra ao sugerir que esse cenário teria o maior risco, quando é justamente o de menor risco entre os listados.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A infecção adquirida por via sexual ocorre tipicamente em adolescentes e adultos, faixas etárias com risco de cronificação menor que 5% a 10%. Embora seja uma via de transmissão importante, especialmente em áreas de baixa endemicidade, o risco de cronificação é baixo porque o hospedeiro já possui sistema imunológico maduro. A alternativa confunde a frequência da via de transmissão com o risco de cronificação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As infecções nosocomiais, como transfusões sanguíneas ou acidentes de punção em trabalhadores de saúde, ocorrem em adultos — novamente, com risco de cronificação menor que 5%. O HBV tem alto potencial de transmissão por exposição percutânea ocupacional (superior ao HCV e ao HIV), mas isso não se traduz em maior risco de cronificação, que depende da idade do hospedeiro, não da via de exposição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O contato domiciliar entre adultos é uma forma de transmissão horizontal que ocorre em idade adulta, com risco de cronificação menor que 5%. A alternativa erra ao sugerir que esse cenário teria o maior risco, quando o risco é baixo justamente pela idade de aquisição.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A infecção perinatal em recém-nascidos de mães HBeAg positivas é o cenário de maior risco de cronificação. O recém-nascido tem sistema imunológico imaturo, e a infecção nesse momento resulta em cronificação em cerca de 90% dos casos. A positividade do HBeAg materno indica alta replicação viral, aumentando tanto o risco de transmissão (40% a 90%) quanto o de cronificação no recém-nascido. É exatamente por isso que a profilaxia com IGHAHB e vacina nas primeiras 12 horas de vida é tão crítica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato associar o risco de cronificação à via de transmissão (sexual, nosocomial, domiciliar), quando o fator decisivo é a idade de aquisição. Todas as vias descritas são possíveis, mas apenas a perinatal ocorre em um momento de imaturidade imunológica extrema. Lembre-se: quanto mais precoce a infecção, maior o risco de cronificação — 90% em recém-nascidos, 25–30% em crianças de 1 a 5 anos, e menos de 5% em adultos.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre hepatite B, decore a relação idade × risco de cronificação: 90% (RN) → 25–30% (1–5 anos) → <5% (adultos). Essa é a informação mais cobrada e a que resolve a maioria das questões sobre o tema. Se a alternativa mencionar uma via de transmissão, pergunte-se: em que idade ocorre a infecção? A resposta a essa pergunta define o risco.

Gabarito: letra E — infecção perinatal em recém-nascidos de mães HBeAg positivas, com risco de cronificação de aproximadamente 90%.

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