Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg691370
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista Pediátrico
Paciente de 58 anos, diabético tipo 2 e com IMC de 31 kg/m², apresenta esteatose hepática no ultrassom. Ele não apresenta ascite, icterícia ou sinais de doença hepática avançada. Os exames laboratoriais mostram o seguinte:• AST = 50 U/L.• ALT = 55 U/L.• Plaquetas = 180.000/mm³.• FIB-4 calculado = 2,2.Com base no uso clínico do FIB-4 para estratificação de risco na MASLD, assinale a alternativa correta.
AUm FIB-4 de 2,2 descarta fibrose avançada e o paciente deve ser acompanhado apenas com medidas de estilo de vida.
BO FIB-4 está na zona intermediária, o que indica que o paciente deve ser encaminhado diretamente para biópsia hepática.
CUm FIB-4 acima de 1,3 (para indivíduos acima de 35 anos) indica risco aumentado de fibrose avançada, devendo o paciente ser encaminhado para avaliar fibrose com método de segunda linha, como elastografia hepática ou ELF.
DO FIB-4 só é útil para descartar fibrose avançada, não sendo recomendado para identificar pacientes de alto risco.
EO FIB-4 só deve ser aplicado em pacientes com transaminases 3x acima do limite superior da normalidade.
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GabaritoC — Um FIB-4 acima de 1,3 (para indivíduos acima de 35 anos) indica risco aumentado de fibrose avançada, devendo o paciente ser encaminhado para avaliar fibrose com método de segunda linha, como elastografia hepática ou ELF.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
FIB-4 na estratificação de risco da MASLD
Gabarito: letra C. O FIB-4 de 2,2 no paciente de 58 anos está acima do ponto de corte de 1,3 (para maiores de 35 anos), indicando risco aumentado de fibrose avançada e necessidade de avaliação de segunda linha, como elastografia hepática ou ELF — exatamente o que a alternativa C descreve. As demais alternativas erram ao descartar fibrose avançada, indicar biópsia direta, limitar o uso do FIB-4 ou condicioná-lo a transaminases elevadas.
O FIB-4 (Fibrosis-4) é um escore não invasivo que estima a probabilidade de fibrose avançada (F3-F4) em pacientes com doença hepática crônica, incluindo a MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, termo que substitui NAFLD). Ele é calculado pela fórmula: idade (anos) × AST (U/L) ÷ [plaquetas (10⁹/L) × √ALT (U/L)]. No caso, o valor de 2,2 foi fornecido, mas é útil reconhecer os componentes: idade 58, AST 50, ALT 55 e plaquetas 180.000 — todos dentro do esperado para um paciente diabético com esteatose.
A interpretação clínica do FIB-4 segue pontos de corte que variam com a idade. Para indivíduos com menos de 35 anos, valores < 1,3 indicam baixo risco; para maiores de 35 anos, o ponto de corte para baixo risco é < 1,3, e valores ≥ 1,3 indicam risco aumentado de fibrose avançada. Valores ≥ 2,67 (ou ≥ 3,25 em algumas diretrizes) indicam alto risco. O paciente tem 58 anos e FIB-4 = 2,2, portanto está claramente acima de 1,3, o que o coloca na zona de risco intermediário/alto — não é possível descartar fibrose avançada, e a conduta correta é aprofundar a investigação com método de segunda linha.
A lógica por trás dessa estratificação é evitar tanto o subtratamento (ignorar fibrose avançada em quem tem risco) quanto o excesso de procedimentos invasivos (biópsia hepática em todos). O FIB-4 tem boa especificidade, mas baixa sensibilidade — ou seja, um valor baixo ajuda a excluir fibrose avançada, mas um valor elevado não confirma o diagnóstico, apenas indica a necessidade de confirmação por elastografia hepática (mede rigidez do fígado) ou ELF (painel de biomarcadores). A biópsia hepática, padrão-ouro, fica reservada para casos de dúvida após métodos não invasivos ou suspeita de etiologia concomitante.
A pegadinha da banca está em duas frentes: (1) a alternativa A afirma que FIB-4 2,2 "descarta" fibrose avançada — erro, pois o valor está acima do ponto de corte; (2) a alternativa B sugere biópsia direta — erro, pois a sequência correta é primeiro métodos não invasivos de segunda linha. O FIB-4 não é útil apenas para descartar (alternativa D), nem exige transaminases elevadas (alternativa E) — ele é aplicável a qualquer paciente com suspeita de MASLD, independentemente dos níveis de ALT/AST.
Guarde a sequência de manejo: FIB-4 baixo → estilo de vida; FIB-4 intermediário/alto → elastografia ou ELF; se confirmado alto risco → considerar biópsia se necessário. É essa hierarquia que separa as alternativas.
1FIB-4 baixo (< 1,3)
2Estilo de vida
3FIB-4 intermediário/alto (≥ 1,3)
4Elastografia hepática ou ELF
5Alto risco confirmado
6Considerar biópsia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que FIB-4 2,2 descarta fibrose avançada. Erro: o valor está acima do ponto de corte de 1,3 (para > 35 anos), indicando risco aumentado, não ausência. A conduta de apenas estilo de vida seria adequada para FIB-4 < 1,3, não para 2,2.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que FIB-4 na zona intermediária indica biópsia direta. Erro: a zona intermediária (1,3–2,67) exige método de segunda linha não invasivo (elastografia ou ELF) antes de considerar biópsia. A biópsia é reservada para casos de dúvida após esses métodos ou alto risco confirmado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao afirmar que FIB-4 > 1,3 (para > 35 anos) indica risco aumentado de fibrose avançada e que o paciente deve ser encaminhado para método de segunda linha, como elastografia hepática ou ELF. Isso reflete a prática clínica baseada em diretrizes de MASLD.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o FIB-4 só é útil para descartar fibrose avançada. Erro: o FIB-4 também identifica pacientes de alto risco (valores ≥ 2,67 ou ≥ 3,25), que devem ser encaminhados para confirmação e manejo agressivo. Ele não é apenas uma ferramenta de exclusão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Condiciona o uso do FIB-4 a transaminases 3x acima do limite superior. Erro: o FIB-4 é aplicável a qualquer paciente com suspeita de MASLD, independentemente dos níveis de ALT/AST. A elevação de transaminases não é pré-requisito para o cálculo ou interpretação do escore.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "descartar" e "indicar risco". O FIB-4 baixo (< 1,3) descarta fibrose avançada com boa segurança, mas um valor intermediário/alto (como 2,2) não descarta — ele indica risco e exige investigação adicional. Candidatos que memorizam apenas o ponto de corte de 1,3 sem entender a direção da interpretação caem na alternativa A. Lembre-se: FIB-4 alto = risco aumentado, não certeza de fibrose, e a conduta é aprofundar com método não invasivo, não biopsiar direto.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de FIB-4, decore os pontos de corte por faixa etária: < 35 anos: baixo risco < 1,3; ≥ 35 anos: baixo risco < 1,3, risco aumentado ≥ 1,3, alto risco ≥ 2,67. E a sequência de manejo: FIB-4 baixo → estilo de vida; intermediário/alto → elastografia ou ELF; alto risco confirmado → considerar biópsia. Essa hierarquia resolve a maioria das questões de estratificação.