Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg691400
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista Obstetra
Mulher de 70 anos refere “bola na vagina”, acompanhada de sensação de peso em baixo ventre, que piora aos esforços. O exame vaginal apresenta os seguintes resultados:Considerando as informações apresentadas, o diagnóstico mais provável é de prolapso do tipo:
AAnterior e posterior.
BAnterior, apenas.
CPosterior, apenas.
DUterino.
EApical.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Anterior e posterior.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Prolapso de órgão pélvico: classificação e diagnóstico
Gabarito: letra A — prolapso anterior e posterior. A paciente apresenta "bola na vagina" com piora aos esforços, e o exame vaginal (com manobra de Valsalva) demonstra descenso das paredes vaginais anterior e posterior, caracterizando cistocele e retocele associadas. O diagnóstico diferencial com prolapso uterino ou apical depende da identificação do colo do útero ou da cúpula vaginal, que não é o achado principal descrito.
O prolapso de órgão pélvico (POP) é a descida de uma ou mais estruturas pélvicas — parede vaginal anterior, parede vaginal posterior, útero ou cúpula vaginal — através do canal vaginal. A classificação é topográfica: o prolapso anterior envolve a bexiga (cistocele) e/ou uretra (uretrocele); o prolapso posterior envolve o reto (retocele), o peritônio (enterocele) ou o sigmoide (sigmoidocele); o prolapso apical envolve o útero (prolapso uterino) ou a cúpula vaginal (após histerectomia). O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado durante o exame ginecológico com a paciente em posição de litotomia, solicitando a manobra de Valsalva para evidenciar o descenso máximo das estruturas.
A manobra de Valsalva é o passo decisivo do exame: com a paciente fazendo esforço, o examinador inspeciona o introito vaginal e identifica qual parede desce. Se a parede anterior desce, há cistocele (prolapso anterior); se a parede posterior desce, há retocele (prolapso posterior); se o colo do útero ou a cúpula vaginal desce, há prolapso apical. No caso descrito, a "bola na vagina" que piora aos esforços, sem especificação de que o colo ou a cúpula seja a estrutura prolapsada, sugere o envolvimento combinado das paredes anterior e posterior — o que é comum em mulheres idosas, devido à fragilidade do tecido conjuntivo e à história de partos vaginais.
A distinção entre os tipos de prolapso é fundamental para o planejamento cirúrgico: a correção do prolapso anterior (colporrafia anterior) difere da correção do prolapso posterior (colporrafia posterior), e o prolapso apical pode exigir procedimentos de suspensão do ápice (como sacrocolpopexia ou fixação sacroespinhal). Por isso, a banca explora a capacidade de o candidato identificar, pelo exame físico, quais compartimentos estão comprometidos.
A pegadinha desta questão está em não confundir o prolapso anterior e posterior com o prolapso uterino ou apical. O prolapso uterino é caracterizado pelo descenso do colo do útero através do introito vaginal, enquanto o prolapso apical (de cúpula) ocorre em mulheres histerectomizadas. No enunciado, não há menção a histerectomia prévia nem a visualização do colo como estrutura prolapsada — o que direciona o diagnóstico para o envolvimento das paredes vaginais.
Guarde o critério topográfico: anterior = bexiga/uretra, posterior = reto/peritônio, apical = útero/cúpula. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
A alternativa correta é a que afirma prolapso anterior e posterior. O quadro clínico de "bola na vagina" com piora aos esforços, em mulher idosa, é típico de cistocele e retocele associadas. O exame vaginal com manobra de Valsalva evidenciaria o descenso das paredes anterior e posterior, confirmando o diagnóstico combinado. A literatura descreve que a avaliação sob esforço busca "distopias em parede anterior (cistocele), posterior (retocele), uretra (uretrocele) ou colo do útero (prolapso uterino ou de cúpula)" — e o caso apresentado não especifica o colo como estrutura prolapsada, favorecendo o envolvimento das paredes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma prolapso anterior apenas. Embora a cistocele seja comum, o quadro de "bola na vagina" que piora aos esforços, sem especificação de que apenas a parede anterior esteja comprometida, sugere envolvimento combinado. A alternativa erra ao excluir o componente posterior, que frequentemente acompanha o anterior em mulheres idosas com fraqueza do assoalho pélvico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma prolapso posterior apenas. A retocele isolada é menos comum que a associação com cistocele. A alternativa erra ao excluir o componente anterior, que é o mais frequente nos prolapsos. O enunciado não traz elementos que permitam restringir o diagnóstico apenas à parede posterior.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma prolapso uterino. O prolapso uterino é caracterizado pelo descenso do colo do útero através do introito vaginal, o que não é descrito no enunciado. A "bola na vagina" poderia ser o colo, mas o texto não menciona a visualização do colo como estrutura prolapsada, e a ausência de histerectomia prévia não é suficiente para afirmar o diagnóstico. A alternativa confunde o prolapso apical com o prolapso das paredes vaginais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma prolapso apical. O prolapso apical envolve o útero ou a cúpula vaginal (em histerectomizadas). O enunciado não menciona histerectomia prévia nem descenso do colo ou da cúpula, o que torna o diagnóstico apical menos provável. A alternativa erra ao não considerar o envolvimento das paredes vaginais, que é o achado mais comum e o mais compatível com o quadro descrito.
Gabarito: letra A — prolapso anterior e posterior.