Em relação aos linfomas não Hodgkin, é correto afirmar que:
ATodos os subtipos possuem o mesmo prognóstico.
BO linfoma subtipo Manto é caracterizado pela translocação 11;21.
CO subtipo folicular é tratado com RCHOP 6 ciclos de 21 dias cada apenas.
DSubtipo grandes células B tem indicação de transplante autólogo de medula óssea quando recidivado.
EO subtipo MALT gástrico estádio IV pode ser erradicado apenas com o tratamento direcionado ao H. Pylori.
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GabaritoD — Subtipo grandes células B tem indicação de transplante autólogo de medula óssea quando recidivado.
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Linfomas não Hodgkin: subtipos, genética e tratamento
Gabarito: letra D. No linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), a recidiva da doença após o tratamento de primeira linha (R-CHOP) tem indicação de transplante autólogo de medula óssea, desde que o paciente responda à quimioterapia de resgate. As demais alternativas apresentam erros conceituais: prognóstico uniforme, translocação incorreta, tratamento exclusivo do folicular e erradicação do MALT gástrico avançado apenas com antibiótico.
Os linfomas não Hodgkin (LNH) são um grupo heterogêneo de neoplasias malignas originadas de células do sistema imunológico, com comportamentos clínicos, prognósticos e tratamentos bastante distintos entre si. Essa heterogeneidade é o ponto central da questão: cada subtipo tem características próprias de apresentação, genética e resposta terapêutica. O LDGCB é o subtipo mais comum, correspondendo a cerca de 40% dos novos casos, e o tratamento padrão inicial é o R-CHOP (rituximabe associado à quimioterapia CHOP).
A recidiva do LDGCB é um cenário clínico desafiador. Quando o paciente recidiva após o tratamento de primeira linha, a conduta padrão envolve quimioterapia de resgate seguida de transplante autólogo de medula óssea, desde que haja resposta à quimioterapia de resgate e o paciente tenha condições clínicas. Essa estratégia visa consolidar a remissão e oferecer a melhor chance de cura. O transplante autólogo utiliza as próprias células-tronco do paciente, coletadas após a quimioterapia de resgate, e é uma abordagem consolidada para LNH agressivos recidivados.
A genética dos LNH é um marcador prognóstico importante. O linfoma de células do manto é caracterizado pela translocação t(11;14)(q13;q32), que envolve o gene CCND1 e leva à superexpressão da ciclina D1. Já o LDGCB pode apresentar translocações envolvendo MYC, BCL-2 e BCL-6, que conferem pior prognóstico. O linfoma folicular, por sua vez, é caracterizado pela translocação t(14;18), que envolve o gene BCL-2. Essas alterações genéticas são fundamentais para o diagnóstico e a estratificação prognóstica.
O tratamento do linfoma folicular varia conforme o estádio e a carga tumoral. Para doença localizada, pode-se considerar radioterapia isolada ou R-CHOP com número limitado de ciclos. Para doença avançada, o tratamento pode incluir R-CHOP, R-CVP ou outros esquemas, além de manutenção com rituximabe. Não se restringe a um único esquema fixo. O linfoma MALT gástrico, quando localizado e associado ao H. pylori, pode ser tratado com erradicação do H. pylori, mas em estádio avançado (IV) essa abordagem isolada não é suficiente, sendo necessária quimioterapia ou outras modalidades.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de uniformizar o que é heterogêneo. A banca explora a confusão entre os subtipos de LNH, especialmente no que diz respeito à genética e ao tratamento. O candidato que decora informações isoladas sem compreender o contexto clínico tende a errar. A alternativa correta exige conhecimento específico sobre a conduta na recidiva do LDGCB, um tema recorrente em provas de hematologia.
Quimioterapia de resgate + transplante autólogo de MO
Células do manto
t(11;14)(q13;q32) → superexpressão ciclina D1
Esquemas com rituximabe + citarabina
Transplante (autólogo ou alogênico) em casos selecionados
Folicular
t(14;18) → BCL-2
Individualizado: observação, R-CHOP, R-CVP, bendamustina, etc.
Depende da carga tumoral; manutenção com rituximabe
MALT gástrico
Associação com H. pylori (em casos localizados)
Erradicação do H. pylori (estádios I/II)
Quimioterapia/radioterapia (estádios avançados)
Linfomas não Hodgkin
1Subtipos
Grandes células B (LDGCB)
Recidiva → transplante autólogo
Células do manto
t(11;14) → ciclina D1
Folicular
t(14;18) → BCL-2
Tratamento individualizado
MALT gástrico
H. pylori (localizado)
Estádio IV → não só antibiótico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que todos os subtipos possuem o mesmo prognóstico. Isso é falso: os LNH são extremamente heterogêneos, com prognósticos que variam de excelentes (como o linfoma folicular de baixo grau) a muito ruins (como o linfoma de células T periférico). O Índice Prognóstico Internacional (IPI) e o FLIPI (para folicular) são ferramentas que estratificam o risco, demonstrando a variabilidade prognóstica. A banca tenta induzir o candidato a aceitar uma generalização que contraria a própria definição de LNH.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o linfoma de células do manto é caracterizado pela translocação 11;21. O correto é a translocação t(11;14)(q13;q32), que envolve o gene CCND1 e leva à superexpressão da ciclina D1. A translocação 11;21 não é uma alteração característica desse linfoma. A banca troca o número do cromossomo para testar o conhecimento específico da genética do subtipo. O linfoma de células do manto é um LNH agressivo com prognóstico intermediário, e a t(11;14) é um marcador diagnóstico essencial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o subtipo folicular é tratado apenas com R-CHOP 6 ciclos de 21 dias. Isso é incorreto: o tratamento do linfoma folicular é individualizado, podendo incluir desde observação vigilante em casos de baixa carga tumoral até R-CHOP, R-CVP, bendamustina ou outros esquemas, além de manutenção com rituximabe. A palavra "apenas" torna a alternativa errada, pois exclui outras opções terapêuticas válidas. A banca explora a tendência do candidato a associar R-CHOP a todos os LNH, sem considerar as particularidades do folicular.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o subtipo grandes células B tem indicação de transplante autólogo de medula óssea quando recidivado. Isso está correto: na recidiva do LDGCB, a conduta padrão é quimioterapia de resgate seguida de transplante autólogo, desde que o paciente responda à quimioterapia de resgate. Essa estratégia é consolidada e oferece a melhor chance de cura. A alternativa espelha exatamente a conduta recomendada para LNH agressivos recidivados, sendo a única correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o subtipo MALT gástrico estádio IV pode ser erradicado apenas com o tratamento direcionado ao H. pylori. Isso é falso: a erradicação do H. pylori é eficaz apenas em casos localizados (estádio I/II) associados à infecção. Em estádio avançado (IV), a doença é sistêmica e requer quimioterapia ou outras modalidades, não sendo a antibioticoterapia suficiente. A banca tenta induzir o candidato a acreditar que a erradicação do H. pylori é eficaz em todos os estádios, o que contraria a prática clínica.