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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg691417
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Hematologista
Em relação à LMA, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AO subtipo LMA M5 é caracterizado por hiperplasia gengival.
  2. BIndução terapêutica tem base no uso da citarabina com antraciclina.
  3. CLMA com recidiva precoce deve ser tratada com altas doses de citarabina e antraciclinas.
  4. DTranslocação 15;17 pode ser considerada de bom prognóstico e prescinde transplante.
  5. ELMA subtipo M3 ou promielocítica recidivada tem indicação de transplante de medula óssea autólogo se PCR da translocação do PML-RAR alfa for positiva após segunda linha de tratamento.
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GabaritoE — LMA subtipo M3 ou promielocítica recidivada tem indicação de transplante de medula óssea autólogo se PCR da translocação do PML-RAR alfa for positiva após segunda linha de tratamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucemia Mieloide Aguda (LMA): subtipos, tratamento e transplante

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que a LMA promielocítica (M3) recidivada tem indicação de transplante de medula óssea autólogo se a PCR da translocação PML-RAR alfa for positiva após segunda linha de tratamento. Na prática, a recidiva da LMA M3 é tratada com arsênio (ATO) e, em casos selecionados, com transplante alogênico — o transplante autólogo não é a conduta padrão nesse cenário, especialmente com doença residual positiva. As demais alternativas estão corretas: a M5 associa-se a hiperplasia gengival, a indução usa citarabina com antraciclina, a recidiva precoce é tratada com altas doses de citarabina e a t(15;17) é de bom prognóstico e não exige transplante na primeira remissão.

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de precursores mieloides (blastos) na medula óssea, com acúmulo progressivo e falência da hematopoese normal. A classificação FAB (Franco-Americano-Britânica) divide a LMA em subtipos M0 a M7, com base na morfologia e na citoquímica, sendo que cada subtipo tem apresentação clínica e prognóstico distintos. O subtipo M5 (leucemia monocítica aguda) é classicamente associado à hiperplasia gengival, devido à infiltração de monoblastos nos tecidos gengivais — um achado clínico característico que ajuda no reconhecimento do subtipo.

O tratamento da LMA é dividido em fases: indução da remissão, consolidação e, em casos selecionados, transplante de células-tronco hematopoéticas (TCT). A indução padrão para pacientes aptos a quimioterapia intensiva é o esquema "7+3", que combina 7 dias de citarabina em infusão contínua com 3 dias de antraciclina (daunorrubicina ou idarrubicina). Esse esquema é a base do tratamento de indução, conforme descrito na literatura médica. Para pacientes com recidiva precoce (definida como recidiva dentro de 12 meses após a primeira remissão), a conduta é a utilização de altas doses de citarabina (HiDAC) associadas a antraciclinas, como estratégia para superar a resistência ao tratamento inicial.

A translocação t(15;17), que gera o gene de fusão PML-RAR alfa, é a alteração genética característica da LMA promielocítica (M3). Essa translocação confere um prognóstico favorável, pois a doença responde muito bem ao tratamento com ácido trans-retinóico (ATRA) e trióxido de arsênio (ATO), que promovem a diferenciação dos promielócitos. Por isso, na primeira remissão, a LMA M3 não tem indicação de transplante de medula óssea, pois a taxa de cura com o tratamento de diferenciação é alta. No entanto, na recidiva, o cenário muda: a doença recidivada é tratada com ATO (frequentemente em combinação com ATRA) e, em casos selecionados, com transplante alogênico — o transplante autólogo não é a conduta padrão, especialmente se a PCR para PML-RAR alfa permanecer positiva após a segunda linha, pois isso indica doença residual e maior risco de nova recidiva.

A pegadinha da questão está na alternativa E, que mistura conceitos: a LMA M3 recidivada tem indicação de transplante, mas o transplante indicado é o alogênico, não o autólogo. Além disso, a presença de PCR positiva para PML-RAR alfa após a segunda linha de tratamento indica doença residual mínima, o que contraindica o transplante autólogo (que não tem efeito enxerto-versus-leucemia) e reforça a necessidade de uma abordagem mais agressiva, como o transplante alogênico. A banca explora a confusão entre os tipos de transplante e o papel da doença residual na decisão terapêutica.

Guarde a distinção entre transplante autólogo e alogênico: no autólogo, o paciente recebe as próprias células-tronco (coletadas em remissão), sem efeito imunológico contra a leucemia; no alogênico, as células vêm de um doador compatível e há o efeito enxerto-versus-leucemia, que é curativo. Na LMA M3 recidivada, o transplante alogênico é a opção preferida, especialmente com doença residual positiva.

Característica

LMA M5 (Monocítica)

LMA M3 (Promielocítica)

Alteração genética típica

Não específica (ex.: 11q23)

t(15;17) → PML-RAR alfa

Apresentação clínica marcante

Hiperplasia gengival

Coagulopatia (CID)

Tratamento de 1ª linha

Citarabina + antraciclina (7+3)

ATRA + ATO (diferenciação)

Transplante na 1ª remissão

Não indicado (se bom risco)

Não indicado (alta cura)

Conduta na recidiva

Altas doses de citarabina + antraciclina

ATO + transplante alogênico (não autólogo)

1Tratamento
ATO (trióxido de arsênio)
ATRA
2Transplante indicado
Alogênico (efeito enxerto-versus-leucemia)
3Transplante contraindicado
Autólogo (sem efeito imunológico)
PCR PML-RAR alfa positiva = doença residual
LMA M3 recidivada
LEVELsoulevel.com.br
LMA M3 recidivada: Tratamento (ATO (trióxido de arsênio), ATRA); Transplante indicado (Alogênico (efeito enxerto-versus-leucemia)); Transplante contraindicado (Autólogo (sem efeito imunológico), PCR PML-RAR alfa positiva = doença residual)

Alternativa A — ✅ Correta

A alternativa afirma que o subtipo LMA M5 é caracterizado por hiperplasia gengival. Isso está correto: a LMA M5 (leucemia monocítica aguda) é conhecida por infiltrar tecidos extramedulares, especialmente as gengivas, causando hiperplasia gengival. Esse é um achado clínico clássico que ajuda a diferenciar a M5 de outros subtipos.

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa afirma que a indução terapêutica tem base no uso da citarabina com antraciclina. Isso está correto: o esquema de indução padrão para LMA é o "7+3", que combina citarabina (7 dias) com uma antraciclina (3 dias), como daunorrubicina ou idarrubicina. Esse é o tratamento de indução de primeira linha para pacientes aptos a quimioterapia intensiva.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa afirma que LMA com recidiva precoce deve ser tratada com altas doses de citarabina e antraciclinas. Isso está correto: na recidiva precoce (dentro de 12 meses da primeira remissão), a conduta é utilizar altas doses de citarabina (HiDAC) associadas a antraciclinas, como estratégia para superar a resistência ao tratamento inicial. Esse é um esquema de resgate padrão.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa afirma que a translocação 15;17 pode ser considerada de bom prognóstico e prescinde transplante. Isso está correto: a t(15;17) é característica da LMA promielocítica (M3) e confere bom prognóstico, pois a doença responde muito bem ao tratamento com ATRA e ATO. Na primeira remissão, não há indicação de transplante de medula óssea, pois a taxa de cura com o tratamento de diferenciação é alta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a LMA subtipo M3 ou promielocítica recidivada tem indicação de transplante de medula óssea autólogo se a PCR da translocação do PML-RAR alfa for positiva após segunda linha de tratamento. Isso está incorreto por dois motivos: (1) na recidiva da LMA M3, o transplante indicado é o alogênico, não o autólogo, pois o efeito enxerto-versus-leucemia é fundamental para a cura; (2) a presença de PCR positiva para PML-RAR alfa após a segunda linha indica doença residual mínima, o que contraindica o transplante autólogo (que não tem efeito imunológico contra a leucemia) e reforça a necessidade de transplante alogênico. A conduta padrão na recidiva da M3 é o uso de ATO (frequentemente com ATRA) e, em casos selecionados, transplante alogênico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o tipo de transplante: na LMA M3 recidivada, o indicado é o alogênico, não o autólogo. Além disso, a PCR positiva para PML-RAR alfa indica doença residual, o que contraindica o autólogo. O candidato que confunde os tipos de transplante cai na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de LMA, memorize os subtipos FAB e suas associações clínicas (M5 com hiperplasia gengival, M3 com t(15;17) e coagulopatia), o esquema de indução "7+3" (citarabina + antraciclina) e a diferença entre transplante autólogo e alogênico. Na dúvida sobre transplante, lembre-se: o alogênico é o curativo, o autólogo é apenas uma "reinfusão" das próprias células.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta.

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