Na anemia falciforme padrão homozigótico SS, quais são as indicações de exsanguineotransfusão?
AHemoglobina baixa.
BAVC isquêmico e priapismo.
CÚlceras de perna.
DArtralgias difusas.
EHipoesplenismo funcional.
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GabaritoB — AVC isquêmico e priapismo.
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Exsanguineotransfusão na anemia falciforme
Gabarito: letra B. Na anemia falciforme homozigótica (SS), a exsanguineotransfusão — também chamada de transfusão de troca — está indicada em situações agudas e crônicas específicas, entre elas o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e o priapismo. A alternativa B é a única que reúne duas dessas indicações clássicas, conforme o manejo atual da doença.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária autossômica recessiva em que a hemoglobina S (HbS) polimeriza em condições de hipóxia, acidose ou desidratação, deformando as hemácias em formato de foice. Essas células rígidas e aderentes obstruem a microcirculação, causando crises vaso-oclusivas e dano isquêmico em diversos órgãos. A exsanguineotransfusão atua justamente nesse mecanismo: ela remove as hemácias falciformes circulantes e as substitui por hemácias normais do doador, reduzindo a concentração de HbS e, consequentemente, a viscosidade sanguínea e o risco de novas oclusões. O objetivo terapêutico é manter a HbS abaixo de 30% em situações agudas graves, como o AVC, e abaixo de 50% na profilaxia secundária.
As indicações formais de transfusão de troca na doença falciforme incluem: síndrome torácica aguda (STA), AVC ou infarto cerebral agudo, ataque isquêmico transitório (AIT), priapismo refratário, necrose da medula óssea, insuficiência de múltiplos órgãos, preparo para cirurgia de grande porte e alterações no doppler transcraniano. Em contrapartida, condições como hemoglobina baixa isolada, úlceras de perna, artralgias difusas e hipoesplenismo funcional não constituem indicação de exsanguineotransfusão — elas são manejadas com outras estratégias, como transfusão simples, hidroxiureia ou cuidados de suporte.
A distinção entre transfusão simples e transfusão de troca é central para entender a questão. A transfusão simples consiste na infusão de concentrado de hemácias para aumentar a hemoglobina e o hematócrito, sendo indicada em anemia sintomática, sequestro esplênico agudo, crise aplástica e gestação. Já a transfusão de troca (exsanguineotransfusão) tem como objetivo remover as hemácias falciformes e substituí-las por hemácias normais, sendo preferida nas complicações vaso-oclusivas graves, como AVC e priapismo, pois reduz a HbS de forma mais eficaz e rápida. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que associa "hemoglobina baixa" à exsanguineotransfusão cai na pegadinha, pois anemia isolada é indicação de transfusão simples, não de troca.
Guarde o critério decisivo: exsanguineotransfusão é para complicações vaso-oclusivas graves e agudas (AVC, priapismo, STA, necrose medular), enquanto transfusão simples é para anemia sintomática e perdas sanguíneas. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Hemoglobina baixa isolada não é indicação de exsanguineotransfusão. A anemia sintomática na doença falciforme é tratada com transfusão simples de concentrado de hemácias, que restaura o volume circulante e a capacidade de transporte de oxigênio. A exsanguineotransfusão seria um excesso terapêutico e desnecessário nesse cenário, além de expor o paciente a riscos como sobrecarga volêmica e aloimunização.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
AVC isquêmico e priapismo são duas indicações clássicas de exsanguineotransfusão na anemia falciforme. No AVC, a transfusão de troca reduz rapidamente a HbS, prevenindo novos eventos isquêmicos e melhorando o prognóstico neurológico. No priapismo refratário, a eritrocitoaférese (troca automatizada) é indicada quando a aspiração e a irrigação do corpo cavernoso não resolvem, com alvo de hemoglobina acima de 10,5 g/dL. Ambas as condições representam emergências vaso-oclusivas em que a remoção das hemácias falciformes é essencial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Úlceras de perna são complicações crônicas da anemia falciforme, mas não são tratadas com exsanguineotransfusão. O manejo envolve cuidados locais com curativos, controle da dor, antibioticoterapia quando há infecção e, em casos selecionados, hidroxiureia ou transplante de medula óssea. A transfusão de troca não tem papel estabelecido no tratamento de úlceras cutâneas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Artralgias difusas são manifestações inespecíficas que podem ocorrer em crises vaso-oclusivas, mas não constituem indicação de exsanguineotransfusão. O tratamento da crise álgica é feito com hidratação, analgesia (incluindo opioides) e oxigenioterapia se necessário. A transfusão de troca é reservada para complicações graves e específicas, não para dor articular isolada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Hipoesplenismo funcional é uma consequência comum da anemia falciforme, resultante de infartos esplênicos repetidos. Essa condição aumenta o risco de infecções por bactérias encapsuladas, mas não é tratada com exsanguineotransfusão. O manejo inclui profilaxia antibiótica (penicilina) e vacinação adequada, conforme o calendário do Ministério da Saúde.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre transfusão simples e exsanguineotransfusão. "Hemoglobina baixa" (alternativa A) parece uma indicação lógica, mas anemia isolada é tratada com transfusão simples, não com troca. A exsanguineotransfusão é reservada para complicações vaso-oclusivas graves, como AVC e priapismo. Fique atento: se a alternativa menciona anemia ou queda de hemoglobina, desconfie — provavelmente é transfusão simples.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as indicações de exsanguineotransfusão, lembre-se do mnemônico "AVC-P" — AVC, Priapismo, Síndrome Torácica Aguda, Necrose medular, Insuficiência de múltiplos órgãos e Preparo cirúrgico. Essas são as situações em que a troca de hemácias é necessária. Já a transfusão simples é para anemia sintomática, sequestro esplênico e gestação.