Em relação às trombopatias, é INCORRETO afirmar que:
ASão doenças de adesão plaquetária.
BConforme a deficiência, há um subtipo diferente de trombopatia.
CCausam aumento de sangramento nos pacientes acometidos.
DTrombastenia de Glazmann envolve deficiência do complexo GPIIb/IIIa.
EDoença de Von Willebrand envolve a ligação do colágeno aos antígenos plaquetários.
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GabaritoE — Doença de Von Willebrand envolve a ligação do colágeno aos antígenos plaquetários.
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Trombopatias: defeitos qualitativos das plaquetas
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que a doença de von Willebrand envolve a ligação do colágeno aos antígenos plaquetários — na verdade, a doença de von Willebrand é causada por deficiência ou disfunção do fator de von Willebrand (FVW), que medeia a adesão plaquetária ao colágeno exposto, mas não se liga a "antígenos plaquetários". As demais alternativas estão corretas.
As trombopatias são distúrbios da hemostasia primária caracterizados por defeitos qualitativos das plaquetas — ou seja, a contagem plaquetária pode estar normal, mas a função está comprometida. Isso contrasta com as trombocitopenias, em que há redução do número de plaquetas. Nas trombopatias, o problema está na adesão, agregação ou liberação do conteúdo granular das plaquetas, o que compromete a formação do tampão plaquetário e resulta em sangramento mucocutâneo (petéquias, equimoses, epistaxe, menorragia, sangramento gengival).
A hemostasia primária depende de uma sequência de eventos: após a lesão vascular, o colágeno subendotelial é exposto; o fator de von Willebrand (FVW), uma grande proteína multimérica sintetizada pelas células endoteliais e megacariócitos, liga-se ao colágeno e à glicoproteína Ib (GPIb) da plaqueta, mediando a adesão inicial. Em seguida, as plaquetas são ativadas e expressam a glicoproteína IIb/IIIa (GPIIb/IIIa), que se liga ao fibrinogênio e ao próprio FVW, promovendo a agregação plaquetária e a formação do tampão estável. Qualquer defeito nesse processo — seja na GPIb (síndrome de Bernard-Soulier), na GPIIb/IIIa (trombastenia de Glanzmann), nos grânulos plaquetários (deficiência do pool de armazenamento) ou no FVW (doença de von Willebrand) — resulta em uma trombopatia com manifestações hemorrágicas.
A doença de von Willebrand (DVW) é o distúrbio hemorrágico hereditário mais comum, presente em cerca de 1% da população. É causada por deficiência quantitativa ou qualitativa do FVW. O FVW tem duas funções essenciais: (1) mediar a adesão plaquetária ao colágeno subendotelial no local da lesão vascular, ligando-se à GPIb plaquetária; e (2) estabilizar o fator VIII da coagulação, protegendo-o da degradação proteolítica. Quando o FVW está deficiente ou disfuncional, a adesão plaquetária é retardada e os níveis de fator VIII caem, resultando em sangramento mucocutâneo e, nos casos graves, hemartroses e hematomas musculares, como na hemofilia.
A DVW é classificada em três tipos principais: tipo 1 (deficiência quantitativa parcial, a mais comum, 70-80% dos casos), tipo 2 (disfunção qualitativa, com subtipos 2A, 2B, 2M e 2N) e tipo 3 (deficiência quantitativa completa, a mais grave). O diagnóstico envolve a dosagem do antígeno do FVW (FVW:Ag), da atividade do FVW (FVW:RCo, medida pela aglutinação de plaquetas normais na presença de ristocetina) e do fator VIII, além da análise dos multímeros do FVW e do sequenciamento genético em casos selecionados.
A pegadinha desta questão está na alternativa E: ela mistura conceitos de forma sutil. A DVW envolve a ligação do FVW ao colágeno e à GPIb plaquetária — não a ligação do colágeno a "antígenos plaquetários". O termo "antígenos plaquetários" é vago e incorreto; o correto seria "glicoproteínas plaquetárias" (como GPIb ou GPIIb/IIIa). Além disso, a alternativa inverte a direção da interação: o FVW se liga ao colágeno e à plaqueta, não o colágeno se liga a antígenos plaquetários. Essa inversão de sujeitos é uma armadilha clássica da banca.
Guarde a distinção entre os principais defeitos plaquetários congênitos: a síndrome de Bernard-Soulier (deficiência de GPIb, receptor do FVW) e a trombastenia de Glanzmann (deficiência de GPIIb/IIIa, receptor do fibrinogênio e do FVW). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Distúrbio
Defeito molecular
Mecanismo fisiopatológico
Síndrome de Bernard-Soulier
Deficiência de GPIb
Falha na adesão plaquetária ao FVW
Trombastenia de Glanzmann
Deficiência de GPIIb/IIIa
Falha na agregação plaquetária
Doença de von Willebrand
Deficiência/disfunção do FVW
Falha na adesão plaquetária ao colágeno e estabilização do fator VIII
Trombopatias (defeitos qualitativos): Adesão plaquetária (Bernard-Soulier (GPIb), Doença de von Willebrand (FVW)); Agregação plaquetária (Trombastenia de Glanzmann (GPIIb/IIIa)); Liberação de grânulos (Pool de armazenamento)
Alternativa A — ✅ Correta
As trombopatias são, de fato, doenças da adesão plaquetária. A adesão é o primeiro passo da hemostasia primária, mediada pela interação entre o FVW, o colágeno subendotelial e a GPIb plaquetária. Nas trombopatias, esse processo está comprometido, seja por defeito na GPIb (síndrome de Bernard-Soulier), seja por defeito no FVW (doença de von Willebrand), seja por outros mecanismos. A afirmação está correta.
Alternativa B — ✅ Correta
Conforme a deficiência específica, há um subtipo diferente de trombopatia. Por exemplo: deficiência de GPIb → síndrome de Bernard-Soulier; deficiência de GPIIb/IIIa → trombastenia de Glanzmann; deficiência de grânulos densos → doença do pool de armazenamento; deficiência de FVW → doença de von Willebrand (com seus subtipos 1, 2A, 2B, 2M, 2N e 3). Cada subtipo tem características clínicas e laboratoriais distintas, como mostra a classificação da DVW. A afirmação está correta.
Alternativa C — ✅ Correta
As trombopatias causam aumento do sangramento nos pacientes acometidos. Como a hemostasia primária está comprometida, o tampão plaquetário não se forma adequadamente, resultando em sangramento mucocutâneo: petéquias, equimoses, epistaxe, menorragia, sangramento gengival e sangramento prolongado após cortes ou procedimentos invasivos. A afirmação está correta.
Alternativa D — ✅ Correta
A trombastenia de Glanzmann é caracterizada por níveis anormalmente baixos de expressão da GPIIb/IIIa plaquetária (receptor para o FVW e o fibrinogênio) ou, menos comumente, por expressão normal, porém com ausência de função da GPIIb/IIIa. A contagem de plaquetas permanece normal, mas a agregação plaquetária é ausente ou diminuída em resposta a todos os agonistas, com exceção da ristocetina. A afirmação está correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A doença de von Willebrand não envolve a ligação do colágeno aos antígenos plaquetários. O que ocorre é o oposto: o FVW, que está deficiente ou disfuncional na DVW, liga-se ao colágeno subendotelial exposto e à GPIb plaquetária, mediando a adesão plaquetária. A alternativa inverte a direção da interação e usa o termo vago "antígenos plaquetários" em vez de "glicoproteínas plaquetárias" (como GPIb). O correto seria afirmar que a DVW envolve a ligação do FVW ao colágeno e à GPIb plaquetária. Como a banca pediu a INCORRETA, o gabarito é a letra E — a única falsa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte os sujeitos da interação molecular: na DVW, quem se liga ao colágeno é o FVW (que também se liga à GPIb plaquetária), e não o colágeno se ligando a "antígenos plaquetários". Além disso, o termo "antígenos plaquetários" é propositalmente vago — o correto seria "glicoproteínas plaquetárias". Fique atento a essa inversão de sujeitos e à imprecisão terminológica, que são marcas registradas desse tipo de questão. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.