Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg691426
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Hematologista
Em relação às trombofilias, é correto afirmar que:
  1. AFator V de Leiden mutado confere risco elevado de perda gestacional.
  2. BTrombofilias causam predominantemente trombose arterial.
  3. CDeficiência de proteína C e S pode ser dosada sem prejuízo após o início da anticoagulação.
  4. DInvestigação de trombofilia deve ser iniciada após três perdas gestacionais sem outras causas detectadas.
  5. EAnticorpos antifosfolipídios elevados em uma dosagem estabelecem o diagnóstico de síndrome do anticorpo antifosfolipídico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Fator V de Leiden mutado confere risco elevado de perda gestacional.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trombofilias: conceitos, diagnóstico e implicações clínicas

Gabarito: letra A. O Fator V de Leiden (FVL) mutado é uma das principais trombofilias hereditárias e está associado a risco elevado de perda gestacional, especialmente após a 9ª semana de gestação, conforme a literatura médica. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes sobre o perfil trombótico, o momento adequado da investigação laboratorial e os critérios diagnósticos da síndrome antifosfolipídica.

As trombofilias são condições que predispõem à formação de trombos, podendo ser hereditárias (como o Fator V de Leiden, a mutação da protrombina G20210A e as deficiências de antitrombina, proteína C e proteína S) ou adquiridas (como a síndrome antifosfolipídica). O entendimento dessas condições é fundamental na prática clínica, especialmente em situações como gravidez, onde o estado pró-coagulante natural pode ser agravado, aumentando o risco de eventos tromboembólicos venosos (TEV) e de complicações obstétricas, incluindo a perda fetal.

A investigação laboratorial de trombofilia não é indicada para todas as gestantes, mas sim para casos selecionados, como mulheres com história pessoal de TEV, história familiar de trombofilia hereditária em parentes de primeiro grau ou história clínica compatível com síndrome antifosfolipídica. O momento da coleta é crucial: idealmente, os exames devem ser realizados antes da gravidez, fora do uso de anticoagulantes e de terapia hormonal, e não durante a fase aguda da trombose, pois os níveis de proteína C, S e antitrombina podem estar alterados.

A distinção entre trombose venosa e arterial também é um ponto-chave. As trombofilias hereditárias, em geral, cursam predominantemente com eventos venosos, enquanto a doença arterial está mais associada a fatores de risco metabólicos, como hipertensão, dislipidemia e diabetes. A síndrome antifosfolipídica, por sua vez, pode cursar com manifestações tanto venosas quanto arteriais.

Para o diagnóstico da síndrome antifosfolipídica, não basta a presença de anticorpos antifosfolipídios em uma única dosagem. É necessário que os critérios clínicos e laboratoriais sejam preenchidos, incluindo a positividade dos anticorpos em duas ou mais ocasiões, com intervalo de pelo menos 12 semanas. Essa exigência visa evitar o diagnóstico falso-positivo, já que tais anticorpos podem estar presentes de forma transitória em diversas situações.

A alternativa correta aborda o Fator V de Leiden, que é a trombofilia hereditária mais comum. A mutação confere resistência à proteína C ativada, aumentando o risco de trombose venosa. Na gestação, esse risco se traduz também em maior probabilidade de perda fetal, especialmente após a 9ª semana, quando a placenta já está formada e a trombose dos vasos placentários pode levar ao abortamento. As demais alternativas serão analisadas em detalhe, destacando o erro específico de cada uma.

Trombofilias
  • 1Hereditárias
    • Fator V de Leiden
      • Risco de perda gestacional
    • Protrombina G20210A
    • Deficiências (antitrombina, proteína C/S)
  • 2Adquiridas
    • Síndrome antifosfolipídica
      • Trombose venosa e arterial
      • Diagnóstico: 2 dosagens com 12 semanas
  • 3Perfil trombótico
    • Venoso (predominante)
    • Arterial (associado a fatores metabólicos)
  • 4Investigação
    • Antes da anticoagulação
    • Fora da fase aguda
    • Fora da gestação
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. O Fator V de Leiden mutado é um fator de risco bem estabelecido para perda gestacional, particularmente após a 9ª semana de gestação. A mutação torna o fator V resistente à inativação pela proteína C ativada, criando um estado de hipercoagulabilidade que pode comprometer a circulação placentária e levar ao abortamento. A literatura médica confirma que a trombofilia materna hereditária, incluindo o FVL, pode agravar o estado pró-coagulante da gravidez e predispor à perda fetal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação está incorreta. As trombofilias, especialmente as hereditárias, causam predominantemente trombose venosa, e não arterial. O tromboembolismo venoso (TEV) é a principal manifestação, incluindo trombose venosa profunda e embolia pulmonar. A doença arterial, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, está mais associada a fatores de risco metabólicos, como hipertensão, dislipidemia e diabetes, e não diretamente às trombofilias hereditárias. A síndrome antifosfolipídica é uma exceção, pois pode cursar com manifestações arteriais e venosas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação está incorreta. A dosagem de proteína C e S é prejudicada após o início da anticoagulação, especialmente com o uso de varfarina, que reduz os níveis dessas proteínas dependentes de vitamina K. Além disso, na fase aguda da trombose, os níveis de proteína C, S e antitrombina podem estar diminuídos, levando a resultados falso-positivos. Por isso, a investigação deve ser realizada idealmente antes do início da anticoagulação e fora da fase aguda do evento trombótico, para que os resultados sejam confiáveis.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação está incorreta. A investigação de trombofilia não deve ser iniciada apenas após três perdas gestacionais. As indicações recomendadas incluem histórico de TEV ou de perda fetal recorrente após 9 semanas de gestação, quando não é possível identificar outra causa específica. Além disso, a investigação pode ser indicada em mulheres com história familiar de trombofilia hereditária ou com história clínica compatível com síndrome antifosfolipídica. O número de perdas gestacionais não é o único critério, e a investigação deve ser individualizada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação está incorreta. Anticorpos antifosfolipídios elevados em uma única dosagem não estabelecem o diagnóstico de síndrome do anticorpo antifosfolipídico. O diagnóstico requer a presença de critérios clínicos (como trombose ou perda gestacional) e laboratoriais, com testes positivos em duas ou mais ocasiões, com intervalo de pelo menos 12 semanas. Essa exigência é fundamental para evitar o diagnóstico falso-positivo, já que esses anticorpos podem estar presentes de forma transitória em infecções, uso de medicamentos ou outras condições.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o perfil de trombose (venosa vs arterial) e o momento adequado da investigação laboratorial. Lembre-se: trombofilias hereditárias → TEV; SAF → venosa e arterial. E a dosagem de proteína C/S deve ser feita antes da anticoagulação e fora da fase aguda.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre trombofilia, foque nos pontos-chave: (1) FVL é a mais comum e associada a perda gestacional; (2) investigação não é para todas, mas para casos selecionados; (3) momento da coleta é crucial; (4) diagnóstico de SAF exige critérios clínicos e laboratoriais com confirmação em 12 semanas.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qg691426