Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg691457
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista
Sobre o tratamento da apendicite aguda, qual alternativa está INCORRETA?
  1. AO tratamento da apendicite aguda tradicionalmente envolve a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta.
  2. BO tratamento com antibióticos pode levar à resolução dos sintomas em uma proporção significativa de pacientes, evitando a necessidade de cirurgia.
  3. CA maioria dos pacientes tratados com antibióticos não responde bem, apresentando pouca redução na contagem de glóbulos brancos e evolução para peritonite.
  4. DAlém da abordagem tradicional e da terapia não operatória, a escolha do tratamento deve considerar as características individuais do paciente e a presença de complicações.
  5. ECerca de 15% a 49% dos pacientes que optam pelo tratamento não cirúrgico pode desenvolver sintomas recorrentes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A maioria dos pacientes tratados com antibióticos não responde bem, apresentando pouca redução na contagem de glóbulos brancos e evolução para peritonite.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Apendicite aguda: tratamento cirúrgico versus terapia não operatória

Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a que afirma que a maioria dos pacientes tratados com antibióticos não responde bem, com pouca redução da contagem de glóbulos brancos e evolução para peritonite — na verdade, o tratamento antibiótico isolado é uma opção válida e eficaz em casos selecionados de apendicite não complicada, com resolução dos sintomas em proporção significativa dos pacientes. As demais alternativas estão corretas: a apendicectomia (laparoscópica ou aberta) é o tratamento tradicional; a antibioticoterapia pode resolver o quadro sem cirurgia; a escolha deve ser individualizada; e há risco de recorrência de 5% a 14% (ou até 15% a 49% em algumas séries) com o tratamento não cirúrgico.

A apendicite aguda é a inflamação do apêndice vermiforme, geralmente causada por obstrução do lúmen (por fecalito, hiperplasia linfoide, etc.), que leva a distensão, isquemia e, potencialmente, gangrena e perfuração. O quadro clássico é a dor periumbilical que migra para o quadrante inferior direito (sequência de Murphy), acompanhada de anorexia, náuseas e vômitos. O diagnóstico é clínico, auxiliado por exames laboratoriais (leucocitose) e de imagem — a tomografia computadorizada é o exame de escolha, com sensibilidade e especificidade acima de 90%.

O tratamento tradicional é a apendicectomia, que pode ser realizada por via aberta ou laparoscópica, sendo esta última preferida em mulheres e obesos. Nos últimos anos, a antibioticoterapia isolada (sem cirurgia) ganhou espaço como opção para casos selecionados de apendicite não complicada, com taxas de sucesso que variam conforme os estudos — muitos pacientes apresentam resolução completa dos sintomas sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata. No entanto, há risco de recorrência: o material de apoio cita recorrência de 5% a 14% (a maioria em 6 meses, de forma mais branda), enquanto outras fontes mencionam taxas de 15% a 49% em pacientes que optam pelo tratamento não cirúrgico.

A escolha entre cirurgia e tratamento clínico deve considerar as características individuais do paciente, a presença de complicações (como abscesso ou perfuração) e os fatores de risco para falha do tratamento conservador. Entre os fatores associados à falha do tratamento clínico estão: proteína C-reativa > 4 mg/dL, bastonetose > 10%, presença de fecalitos retidos/apendicolitos e suboclusão intestinal à admissão. Pacientes com apendicite complicada (peritonite difusa, perfuração livre, sepse) devem ser submetidos a cirurgia de urgência. Já aqueles com apresentação tardia (4-5 dias) e flegmão/abscesso podem ser tratados conservadoramente com antibióticos ± drenagem guiada.

A pegadinha desta questão está em inverter o resultado do tratamento antibiótico: a banca afirma que a maioria não responde bem, quando na verdade a maioria dos pacientes com apendicite não complicada tratados com antibióticos apresenta boa resposta clínica, com resolução dos sintomas. O que se observa é que uma parcela desses pacientes pode ter recorrência dos sintomas em algum momento, mas isso não significa que o tratamento inicial tenha falhado na maioria dos casos.

Guarde a distinção entre apendicite não complicada (tratamento antibiótico pode ser opção) e apendicite complicada (cirurgia é o tratamento de escolha): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta

A apendicectomia é, de fato, o tratamento tradicional da apendicite aguda, podendo ser realizada por via laparoscópica ou aberta. A via laparoscópica é atualmente a mais utilizada, com resultados similares à aberta, sendo preferida em mulheres e obesos. A alternativa está correta ao descrever o tratamento clássico.

Alternativa B — ✅ Correta

O tratamento com antibióticos pode levar à resolução dos sintomas em uma proporção significativa de pacientes com apendicite não complicada, evitando a necessidade de cirurgia imediata. Estudos demonstram que muitos pacientes tratados apenas com antibióticos apresentam melhora clínica, embora haja risco de recorrência. A alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa INCORRETA pedida pela banca. Ela afirma que a maioria dos pacientes tratados com antibióticos não responde bem, com pouca redução na contagem de glóbulos brancos e evolução para peritonite. Isso contraria a evidência atual: em casos selecionados de apendicite não complicada, a maioria dos pacientes responde bem ao tratamento antibiótico, com resolução dos sintomas e melhora laboratorial. A evolução para peritonite não é o desfecho esperado na maioria dos casos tratados clinicamente — pelo contrário, a falha do tratamento clínico é a exceção, não a regra. A banca inverteu o resultado do tratamento conservador.

Alternativa D — ✅ Correta

A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando as características do paciente (idade, comorbidades, estado fisiológico) e a presença de complicações (abscesso, perfuração, peritonite). Pacientes com apendicite complicada ou com sinais de comprometimento fisiológico devem ser encaminhados à cirurgia; aqueles com apendicite não complicada podem ser candidatos ao tratamento conservador. A alternativa está correta.

Alternativa E — ✅ Correta

Cerca de 15% a 49% dos pacientes que optam pelo tratamento não cirúrgico podem desenvolver sintomas recorrentes, conforme diferentes séries da literatura. O material de apoio cita recorrência de 5% a 14% (a maioria em 6 meses), mas outras fontes relatam taxas mais altas, chegando a 15% a 49%. A alternativa está correta ao apontar esse risco de recorrência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o desfecho do tratamento antibiótico na apendicite não complicada: afirma que a maioria não responde bem, quando a evidência mostra o contrário — a maioria responde bem, e a falha (com necessidade de cirurgia ou evolução para complicações) é a minoria. Fique atento: o tratamento conservador é uma opção válida e eficaz em casos selecionados, não uma conduta fadada ao fracasso.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre apendicite, memorize os fatores de falha do tratamento clínico (PCR > 4 mg/dL, bastonetose > 10%, fecalito/apendicolito, suboclusão intestinal) e as taxas de recorrência (5-14% em 6 meses, ou 15-49% em séries mais amplas). Esses números são frequentemente cobrados e ajudam a identificar a alternativa incorreta.

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois inverte o resultado do tratamento antibiótico na apendicite não complicada.

Link permanente: /questoes/qg691457