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Questão de Medicina — Nefrologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNefrologia
Código
qg691468
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Nefrologista
Considerando o curso típico e a tríade diagnóstica da síndrome hemolítico-urêmica associada à infecção por Escherichia coli produtora de toxina Shiga em crianças, analise as assertivas a seguir:I. O quadro clínico costuma ser precedido por sintomas gastrointestinais como dor abdominal, vômitos e diarreia, que evoluem para diarreia sanguinolenta em grande parte dos casos.II. A tríade diagnóstica dessa condição inclui anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e acometimento renal, sendo este último indicado por alterações como aumento da creatinina, proteinúria e/ou hematúria.III. A gravidade da anemia hemolítica se correlaciona diretamente com a gravidade do acometimento renal, permitindo a estratificação prognóstica pela intensidade da anemia.Quais estão corretas?
  1. AApenas III.
  2. BApenas I e II.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome hemolítico-urêmica (SHU) associada à Escherichia coli produtora de toxina Shiga

Gabarito: letra B — estão corretas apenas as assertivas I e II. A tríade clássica da SHU típica (SHU D+) é anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e acometimento renal, precedida por pródromo gastrointestinal com diarreia sanguinolenta. A assertiva III está incorreta porque a gravidade da anemia hemolítica não se correlaciona diretamente com a gravidade do acometimento renal — a intensidade da anemia não é um critério de estratificação prognóstica nessa condição.

A síndrome hemolítico-urêmica é uma microangiopatia trombótica (MAT) caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática (AHMA), trombocitopenia e lesão renal aguda. A forma típica (SHU D+) é a mais comum em crianças e está fortemente associada à infecção por Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC), especialmente o sorotipo O157:H7. A toxina Shiga liga-se a receptores de glicolipídios nas células endoteliais renais, desencadeando ativação da via alternativa do complemento e dano endotelial, com formação de microtrombos nos capilares glomerulares.

O quadro clínico típico inicia-se com pródromo gastrointestinal — dor abdominal, vômitos e diarreia — que evolui para diarreia sanguinolenta na grande maioria dos casos. Esse pródromo precede o desenvolvimento da SHU em 2 a 12 dias (mediana de 3 dias). As anormalidades laboratoriais incluem níveis elevados de creatinina, anemia, esquistócitos no esfregaço de sangue periférico, contagem elevada de reticulócitos e trombocitopenia. O acometimento renal manifesta-se por aumento da creatinina, proteinúria e/ou hematúria.

A assertiva III, ao afirmar que a gravidade da anemia hemolítica se correlaciona diretamente com a gravidade do acometimento renal, é incorreta. Embora anemia e lesão renal coexistam na SHU, a intensidade da anemia não é um marcador prognóstico direto da gravidade renal. A estratificação prognóstica na SHU baseia-se em outros fatores, como a necessidade de diálise, a presença de comprometimento neurológico, a idade do paciente e a gravidade da lesão renal em si, não na intensidade da anemia. A anemia hemolítica é uma manifestação da microangiopatia, mas sua gravidade não é proporcional à extensão do dano renal.

A distinção entre SHU e púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) é relevante: na PTT, há deficiência grave de ADAMTS13, predomínio de sintomas neurológicos e ausência de pródromo diarreico; na SHU típica, o pródromo entérico é comum, o comprometimento neurológico é menos frequente e a trombocitopenia costuma ser menos grave. Essa diferenciação é essencial para o manejo, pois a plasmaférese é o tratamento de escolha na PTT, enquanto na SHU D+ o tratamento é de suporte.

A pegadinha da banca está na assertiva III: o candidato pode ser tentado a aceitar a correlação entre anemia e acometimento renal como verdadeira, mas a literatura não sustenta essa relação direta. A anemia hemolítica e a lesão renal são consequências paralelas da microangiopatia trombótica, não havendo proporcionalidade entre suas gravidades.

SHU associada à STEC
  • 1Pródromo gastrointestinal
    • Dor abdominal, vômitos, diarreia
    • Evolui para diarreia sanguinolenta
  • 2Tríade diagnóstica
    • Anemia hemolítica microangiopática
    • Trombocitopenia
    • Acometimento renal (creatinina, proteinúria, hematúria)
  • 3Prognóstico
    • Gravidade da anemia NÃO correlaciona com a renal
    • Baseia-se em: diálise, neurológico, idade
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Item I — ✅ Correto

O pródromo gastrointestinal com dor abdominal, vômitos e diarreia, evoluindo para diarreia sanguinolenta, é o quadro clássico que precede a SHU associada à STEC. O material de apoio confirma: "As cepas bacterianas produtoras de toxina Shiga provocam comumente um pródromo de diarreia sanguinolenta dolorosa, que precede o desenvolvimento de SHU em 2 a 12 dias (mediana, 3 dias)". A diarreia sanguinolenta ocorre na grande maioria dos casos, embora cerca de 5% dos pacientes não apresentem diarreia.

Item II — ✅ Correto

A tríade diagnóstica da SHU é anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e acometimento renal. O acometimento renal é indicado por aumento da creatinina, proteinúria e/ou hematúria. O material de apoio descreve: "As anormalidades laboratoriais na SHU consistem em níveis elevados de creatinina, anemia, esquistócitos no esfregaço de sangue periférico, contagem elevada de reticulócitos e trombocitopenia". A tríade está corretamente descrita.

Item III — ❌ Incorreto

A assertiva afirma que a gravidade da anemia hemolítica se correlaciona diretamente com a gravidade do acometimento renal, permitindo estratificação prognóstica pela intensidade da anemia. Isso é falso. A anemia hemolítica e a lesão renal são manifestações paralelas da microangiopatia trombótica, mas não há correlação direta entre suas gravidades. A estratificação prognóstica na SHU não se baseia na intensidade da anemia, mas sim em fatores como necessidade de diálise, comprometimento neurológico, idade e gravidade da lesão renal.

Conclusão: Corretos: I e II → portanto a alternativa é a letra B.

Gabarito: letra B

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