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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg691478
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Nefrologista
Homem de 62 anos, previamente hígido, é encaminhado ao nefrologista após investigação de proteinúria nefrótica associada a piora progressiva da função renal. Ele relata astenia, perda de peso e edema de membros inferiores nas últimas semanas. Exames revelam a presença de proteína monoclonal no soro. A biópsia renal demonstra lesão compatível com gamopatia monoclonal de significado renal. O hematologista informa que o paciente não preenche critérios diagnósticos para mieloma múltiplo ou doença linfoproliferativa e discute opções terapêuticas com o nefrologista. O paciente questiona sobre o objetivo principal do tratamento e a estratégia utilizada. Qual é a conduta correta?
  1. ARemover os depósitos de imunoglobulina já presentes no rim com terapia direcionada ao tecido renal.
  2. BEvitar quimioterapia, uma vez que não há critérios para mieloma múltiplo, priorizando apenas medidas de suporte.
  3. CDirecionar o tratamento ao clone produtor de imunoglobulina monoclonal, utilizando esquemas semelhantes aos empregados em neoplasias de células B ou plasmócitos.
  4. DRealizar apenas tratamento sintomático da proteinúria e da disfunção renal, uma vez que a doença não é considerada maligna.
  5. ETratar apenas o aspecto renal, sem participação da hematologia, pois se trata de doença não maligna.
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GabaritoC — Direcionar o tratamento ao clone produtor de imunoglobulina monoclonal, utilizando esquemas semelhantes aos empregados em neoplasias de células B ou plasmócitos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gamopatia monoclonal de significado renal (MGRS): tratamento direcionado ao clone

Gabarito: letra C. Na gamopatia monoclonal de significado renal (MGRS), o dano renal é causado pela imunoglobulina monoclonal produzida por um clone de células B ou plasmócitos que, embora não preencha critérios para mieloma múltiplo ou doença linfoproliferativa, é o alvo terapêutico. A conduta correta é direcionar o tratamento ao clone produtor da imunoglobulina, utilizando esquemas semelhantes aos empregados em neoplasias de células B ou plasmócitos — exatamente o que afirma a alternativa C.

A MGRS é uma entidade relativamente recente que substituiu o conceito de "gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS) com lesão renal associada". A chave do conceito é que, embora o clone não seja maligno pelos critérios hematológicos tradicionais (não há hipercalcemia, lesões ósseas líticas, anemia ou insuficiência renal atribuível ao mieloma, nem critérios de doença linfoproliferativa), a imunoglobulina monoclonal que ele produz é diretamente nefrotóxica. A lesão renal pode se manifestar de várias formas — síndrome nefrótica, insuficiência renal progressiva, proteinúria — e a biópsia renal demonstra o padrão de lesão, como a nefropatia por cadeias leves, a glomerulonefrite membranoproliferativa ou a amiloidose.

O raciocínio terapêutico decorre da fisiopatologia: se o dano renal é mediado pela imunoglobulina monoclonal, a estratégia lógica é eliminar ou reduzir o clone que a produz. Por isso, o tratamento é direcionado ao clone, com esquemas quimioterápicos ou imunomoduladores semelhantes aos usados em neoplasias de células B ou plasmócitos (por exemplo, análogos de nucleosídeo, inibidores de proteassoma, imunomoduladores, anticorpos monoclonais). O objetivo é reduzir a produção da proteína monoclonal e, assim, interromper a progressão do dano renal. Medidas de suporte (controle pressórico, bloqueio do sistema renina-angiotensina, diuréticos) são adjuvantes importantes, mas não substituem o tratamento do clone.

A distinção crucial que a banca explora é entre "tratar o rim" e "tratar o clone". Não se remove os depósitos de imunoglobulina já presentes no rim com terapia local — eles são consequência da produção contínua da proteína. Também não se deve evitar quimioterapia apenas porque não há critérios para mieloma múltiplo: a MGRS é uma indicação de tratamento, justamente porque o dano renal é progressivo e potencialmente irreversível. A doença, embora não seja maligna no sentido clássico, é tratável e o tratamento pode preservar a função renal. A participação da hematologia é essencial, pois é o hematologista que conduz o tratamento do clone.

Guarde a fronteira: na MGRS, o alvo do tratamento é o clone produtor da imunoglobulina, não o tecido renal em si. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem — as incorretas propõem tratar o rim isoladamente, evitar quimioterapia ou apenas medidas de suporte.

1Fisiopatologia
Clone de células B/plasmócitos
Produz imunoglobulina nefrotóxica
Dano renal progressivo
2Tratamento
Alvo: o clone produtor
Esquemas de neoplasias B/plasmócitos
Preserva função renal
3Medidas de suporte
Adjuvantes
Não substituem o tratamento do clone
MGRS (Gamopatia Monoclonal de Significado Renal)
LEVELsoulevel.com.br
MGRS (Gamopatia Monoclonal de Significado Renal): Fisiopatologia (Clone de células B/plasmócitos, Produz imunoglobulina nefrotóxica, Dano renal progressivo); Tratamento (Alvo: o clone produtor, Esquemas de neoplasias B/plasmócitos, Preserva função renal); Medidas de suporte (Adjuvantes, Não substituem o tratamento do clone)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se deve remover os depósitos de imunoglobulina já presentes no rim com terapia direcionada ao tecido renal. Isso não é possível nem é a estratégia: os depósitos são consequência da produção contínua da proteína monoclonal pelo clone. A terapia direcionada ao tecido renal não existe para esse fim; o que se faz é tratar o clone para cessar a produção da imunoglobulina e, assim, evitar novos depósitos. Os depósitos existentes podem ser reabsorvidos ou permanecer, mas o foco é interromper a agressão contínua.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe evitar quimioterapia por não haver critérios para mieloma múltiplo, priorizando apenas medidas de suporte. Esse é o erro conceitual central: a ausência de critérios para mieloma múltiplo não contraindica o tratamento do clone. Na MGRS, o clone é o responsável pelo dano renal, e o tratamento direcionado a ele é indicado justamente para preservar a função renal. Medidas de suporte isoladas não interrompem a progressão da doença renal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta espelha exatamente a conduta recomendada: direcionar o tratamento ao clone produtor de imunoglobulina monoclonal, utilizando esquemas semelhantes aos empregados em neoplasias de células B ou plasmócitos. Isso porque o dano renal é mediado pela proteína monoclonal, e a redução da produção dessa proteína é o objetivo central do tratamento. Os esquemas quimioterápicos ou imunomoduladores usados em mieloma e linfomas são aplicados, com a devida individualização, para controlar o clone e preservar a função renal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que se deve realizar apenas tratamento sintomático da proteinúria e da disfunção renal, por não ser doença maligna. O erro está em subestimar a gravidade da MGRS: embora o clone não seja maligno pelos critérios tradicionais, o dano renal é progressivo e pode levar à doença renal crônica terminal. O tratamento sintomático isolado não aborda a causa, e a doença renal pode evoluir irreversivelmente. A MGRS é tratável, e o tratamento do clone é indicado para evitar a progressão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Propõe tratar apenas o aspecto renal, sem participação da hematologia, por se tratar de doença não maligna. Essa alternativa ignora que a causa do dano renal é o clone hematológico produtor da imunoglobulina. A participação da hematologia é essencial para conduzir o tratamento do clone, que é o único capaz de interromper a progressão do dano renal. Tratar apenas o rim, sem abordar a causa, é insuficiente e pode levar à perda irreversível da função renal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "doença não maligna" e "doença que não precisa de tratamento". O candidato pode pensar que, por não haver critérios para mieloma múltiplo, a conduta é apenas suporte — mas a MGRS é uma indicação de tratamento do clone, justamente porque o dano renal é progressivo. Fique atento: a ausência de malignidade não significa ausência de tratamento.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de MGRS, lembre-se do tripé: (1) o dano renal é causado pela imunoglobulina monoclonal; (2) o alvo do tratamento é o clone produtor; (3) os esquemas são os mesmos de neoplasias de células B/plasmócitos. Se a alternativa propuser tratar o rim isoladamente, evitar quimioterapia ou apenas suporte, está incorreta.

Gabarito: letra C

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