Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Nefrologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNefrologia
Código
qg691484
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Nefrologista
Sobre a proteinúria e doenças renais na gestação, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AEm gestantes, a excreção urinária de proteína aumenta fisiologicamente e valores até 300 mg/dia podem ser considerados normais.
  2. BA distinção entre doença renal e pré-eclâmpsia é fundamental, pois muda o manejo e o prognóstico, podendo a primeira exigir biópsia renal e a segunda ter como tratamento definitivo o parto.
  3. CA presença de proteinúria é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia segundo as diretrizes atuais, especialmente quando há sinais graves da doença.
  4. DAté um terço das gestantes com proteinúria nova após 20 semanas evoluirão para pré-eclâmpsia, e cerca de 25% dos casos podem ter proteinúria como primeiro sinal clínico.
  5. EA proteinúria pode estar ausente em pré-eclâmpsia, ocorrendo ausência de proteinúria em até 10% das pacientes com pré-eclâmpsia e em 20% das pacientes com eclâmpsia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A presença de proteinúria é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia segundo as diretrizes atuais, especialmente quando há sinais graves da doença.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Proteinúria e pré-eclâmpsia na gestação

Gabarito: letra C — a alternativa incorreta é a que afirma ser a proteinúria obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia, mesmo com sinais graves. As diretrizes atuais (ACOG, ISSHP, FEBRASGO) admitem o diagnóstico de pré-eclâmpsia sem proteinúria, desde que haja hipertensão após 20 semanas associada a disfunção orgânica materna ou uteroplacentária — a proteinúria é um dos critérios, não condição sine qua non.

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, definida classicamente por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg) surgida após 20 semanas, acompanhada de proteinúria. Porém, o entendimento moderno evoluiu: a proteinúria deixou de ser elemento indispensável. O diagnóstico pode ser firmado na presença de hipertensão mais disfunção de órgão-alvo (renal, hepática, hematológica, neurológica) ou disfunção uteroplacentária, mesmo com exame de urina sem proteína. Essa mudança reflete o reconhecimento de que a doença é uma síndrome de disfunção endotelial placentária, e a proteinúria é apenas uma de suas manifestações possíveis.

Na prática clínica, a proteinúria significativa é definida como ≥ 300 mg em 24 horas, relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou 1+ em fita reagente. Na ausência de proteinúria, considera-se pré-eclâmpsia quando há, por exemplo, plaquetopenia < 100.000/mm³, creatinina ≥ 1,1 mg/dL (ou o dobro do valor basal), elevação de transaminases ao dobro do limite superior, edema agudo de pulmão, ou sintomas visuais/neurológicos. A alternativa C erra justamente ao afirmar que a proteinúria é obrigatória, quando na verdade é dispensável em cenários específicos — inclusive nos casos graves, onde a disfunção orgânica pode se manifestar antes da proteinúria.

A distinção entre doença renal crônica e pré-eclâmpsia é crucial: na primeira, o tratamento é o controle da doença de base (com possível indicação de biópsia renal para definição etiológica); na segunda, o tratamento definitivo é o parto, pois a cura só ocorre com a retirada da placenta. A proteinúria gestacional isolada (sem hipertensão) também merece atenção: cerca de um terço das gestantes com proteinúria nova após 20 semanas evoluirá para pré-eclâmpsia, e em aproximadamente 25% dos casos a proteinúria é o primeiro sinal clínico. Por fim, a proteinúria pode estar ausente na pré-eclâmpsia — em até 10% dos casos — e em 20% dos casos de eclâmpsia, reforçando que sua ausência não exclui o diagnóstico.

A pegadinha central desta questão é a palavra "obrigatória": a banca explora a noção clássica (hipertensão + proteinúria) para induzir o candidato a marcar como correta uma afirmação que contraria as diretrizes vigentes. Guarde a regra: proteinúria é critério frequente, mas não obrigatório — a presença de disfunção orgânica materna ou uteroplacentária supre sua ausência.

Alternativa A — ✅ Correta

A excreção urinária de proteínas aumenta fisiologicamente na gestação, principalmente pelo aumento do fluxo plasmático renal e da filtração glomerular. Valores de até 300 mg/dia são considerados normais na gestante, acima do limite de 150 mg/dia do adulto não gestante. A afirmativa está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

A distinção entre doença renal crônica e pré-eclâmpsia é fundamental, pois muda o manejo e o prognóstico. Na doença renal, pode ser necessária biópsia renal para diagnóstico etiológico e definição terapêutica; na pré-eclâmpsia, o tratamento definitivo é o parto, pois a resolução do quadro depende da retirada da placenta. A afirmativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa erra ao dizer que a proteinúria é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia. As diretrizes atuais permitem o diagnóstico sem proteinúria, desde que haja hipertensão após 20 semanas associada a disfunção orgânica materna (renal, hepática, hematológica, neurológica) ou uteroplacentária. A proteinúria é um critério importante, mas não indispensável — mesmo em casos graves, pode estar ausente. É exatamente essa a leitura que a banca explora como pegadinha.

Alternativa D — ✅ Correta

Estudos mostram que até um terço das gestantes com proteinúria nova após 20 semanas evoluirão para pré-eclâmpsia. Além disso, em cerca de 25% dos casos, a proteinúria é o primeiro sinal clínico da doença, precedendo a hipertensão. A afirmativa está correta.

Alternativa E — ✅ Correta

A proteinúria pode estar ausente na pré-eclâmpsia: ocorre em até 10% das pacientes com pré-eclâmpsia e em 20% das pacientes com eclâmpsia. Isso reforça que a ausência de proteinúria não exclui o diagnóstico, especialmente quando há outros sinais de disfunção orgânica. A afirmativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conceito de critério frequente por obrigatório. A pré-eclâmpsia clássica cursa com proteinúria, mas as diretrizes atuais admitem o diagnóstico sem ela, desde que haja hipertensão + disfunção orgânica ou uteroplacentária. Fique atento a palavras como "obrigatória", "sempre" e "necessariamente" — elas costumam sinalizar a alternativa incorreta.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os critérios de pré-eclâmpsia sem proteinúria, lembre-se da regra do "2": plaquetas < 100.000, creatinina ≥ 1,1 (ou dobro do basal), transaminases 2x o limite superior, edema agudo de pulmão, sintomas visuais/neurológicos. Se a alternativa trouxer "proteinúria obrigatória", marque como incorreta.

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois a proteinúria não é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia segundo as diretrizes atuais.

Link permanente: /questoes/qg691484