Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg691532
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Ortopedista e Traumatologista
A avaliação de um paciente com lesão dos tendões flexores da mão deve ser sistemática e cuidadosa, uma vez que erros diagnósticos são frequentes e podem comprometer o tratamento. Sobre a avaliação clínica e diagnóstica das lesões dos tendões flexores da mão, analise as assertivas a seguir:I. A avaliação do estado neurovascular da mão deve preceder a avaliação da função dos tendões flexores.II. Radiografias da mão lesionada devem ser realizadas rotineiramente para afastar fraturas associadas e outras lesões ósseas.III. A avaliação da função tendínea por meio de movimentos ativos voluntários do dedo é um método confiável, mesmo em pacientes ansiosos ou não cooperativos.IV. Quando ambos os tendões flexores de um dedo estão rompidos, o dedo tende a permanecer em posição anormal de hiperextensão em comparação com os dedos não lesionados.Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas II e III.
CApenas III e IV.
DApenas I, II e IV.
EI, II, III e IV.
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GabaritoD — Apenas I, II e IV.
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Lesões dos tendões flexores da mão: avaliação clínica e diagnóstica
Gabarito: letra D — estão corretas as assertivas I, II e IV. A avaliação neurovascular precede a avaliação tendínea, radiografias são rotineiras para afastar fraturas associadas, e a ruptura de ambos os flexores de um dedo o deixa em hiperextensão relativa. A assertiva III está incorreta porque a avaliação por movimentos ativos voluntários não é confiável em pacientes ansiosos ou não cooperativos — nesses casos, a contração muscular voluntária pode estar ausente mesmo com tendões íntegros, gerando falso diagnóstico de lesão.
A avaliação de um paciente com suspeita de lesão dos tendões flexores da mão segue uma sequência lógica e hierarquizada, na qual a segurança do paciente vem em primeiro lugar. O exame físico da mão traumatizada começa pela inspeção, que já pode revelar a posição anormal do dedo — um sinal clássico de lesão tendínea. Na mão normal em repouso, os dedos permanecem em discreta flexão, graças ao maior tônus dos tendões flexores em relação aos extensores. Quando os flexores são rompidos, esse equilíbrio se perde e o dedo assume posição de extensão, pelo predomínio dos extensores. Esse é o fundamento da assertiva IV: um ou mais dedos estendidos após ferimento cortocontuso na palma indica, com alta probabilidade, lesão dos flexores.
A avaliação neurovascular deve preceder a avaliação tendínea por uma razão de prioridade clínica: lesões vasculares e nervosas representam emergências que podem comprometer a viabilidade do membro, enquanto a lesão tendínea, embora importante, não ameaça a sobrevivência do tecido no mesmo grau de urgência. A palpação da temperatura e da umidade da pele palmar auxilia no diagnóstico de lesões dos nervos mediano e ulnar, quando a pele se torna seca e fria pela falta de inervação simpática. A avaliação neurovascular inclui a verificação de pulso, enchimento capilar, sensibilidade e motricidade — esta última, porém, deve ser interpretada com cautela, pois a dor e a ansiedade podem inibir a contração muscular voluntária.
A radiografia da mão lesionada é realizada rotineiramente porque ferimentos cortocontusos na palma frequentemente cursam com fraturas associadas, luxações ou corpos estranhos radiopacos. A presença de uma fratura pode alterar a conduta cirúrgica, o momento da reparação tendínea e o programa de reabilitação. Além disso, a radiografia ajuda a excluir lesões ósseas que poderiam mimetizar ou acompanhar a lesão tendínea, como fraturas por avulsão nos pontos de inserção dos tendões.
A assertiva III toca em um ponto crucial da semiologia da mão: a confiabilidade do exame motor ativo. Em pacientes ansiosos, com dor intensa ou não cooperativos, a ausência de flexão ativa do dedo pode ocorrer por inibição voluntária ou por dor, mesmo com os tendões íntegros. Por isso, o exame deve ser complementado por manobras que avaliem a integridade tendínea de forma mais objetiva, como a palpação dos tendões durante a tentativa de flexão, a observação da tensão passiva e, em casos selecionados, a avaliação sob anestesia ou com bloqueio nervoso. A confiabilidade do exame motor ativo é, portanto, limitada nesses pacientes, o que torna a assertiva III incorreta.
Guarde a sequência: neurovascular → radiografia → avaliação tendínea, e lembre-se de que a posição do dedo em repouso é um dado semiológico de primeira linha. É exatamente nesses três pilares que as assertivas se dividem.
1Neurovascular (prioridade)
2Radiografia (afastar fraturas)
3Avaliação tendínea (com cautela)
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Assertiva I — ✅ Correta
A avaliação do estado neurovascular deve preceder a avaliação da função dos tendões flexores. Essa é uma prioridade clínica absoluta: lesões vasculares e nervosas podem comprometer a viabilidade do membro e exigem intervenção imediata, enquanto a lesão tendínea, embora relevante, não ameaça a sobrevivência do tecido na mesma urgência. A palpação da temperatura e da umidade da pele palmar, por exemplo, auxilia no diagnóstico de lesões dos nervos mediano e ulnar, quando a pele se torna seca e fria pela falta de inervação simpática. A sequência correta no atendimento é: primeiro avaliar e estabilizar neurovascular, depois investigar a função tendínea.
Assertiva II — ✅ Correta
Radiografias da mão lesionada devem ser realizadas rotineiramente para afastar fraturas associadas e outras lesões ósseas. Ferimentos cortocontusos na palma frequentemente cursam com fraturas, luxações ou corpos estranhos radiopacos, e a presença de lesão óssea pode alterar a conduta cirúrgica, o momento da reparação tendínea e o programa de reabilitação. A radiografia é um exame simples, rápido e de baixo custo, que fornece informações essenciais para o planejamento terapêutico.
Assertiva III — ❌ Incorreta
A avaliação da função tendínea por meio de movimentos ativos voluntários do dedo não é um método confiável em pacientes ansiosos ou não cooperativos. Nesses pacientes, a ausência de flexão ativa pode ocorrer por inibição voluntária, dor ou falta de compreensão do comando, mesmo com os tendões íntegros. Isso gera falso diagnóstico de lesão tendínea. O exame deve ser complementado por manobras mais objetivas, como a palpação dos tendões durante a tentativa de flexão, a observação da tensão passiva e, em casos selecionados, a avaliação sob anestesia ou com bloqueio nervoso. A confiabilidade do exame motor ativo é, portanto, limitada nesse contexto.
Assertiva IV — ✅ Correta
Quando ambos os tendões flexores de um dedo estão rompidos, o dedo tende a permanecer em posição anormal de hiperextensão em comparação com os dedos não lesionados. Na mão normal em repouso, os dedos se mantêm em discreta flexão, graças ao maior tônus dos tendões flexores em relação ao dos extensores. Quando os flexores são rompidos, esse equilíbrio se perde e o dedo assume posição de extensão, pelo predomínio dos extensores. Um ou mais dedos estendidos após um ferimento cortocontuso na palma da mão ou dos dedos indica, com alta probabilidade, lesão dos tendões flexores.
A regra de ouro para a prova: na avaliação da mão traumatizada, a prioridade é neurovascular, depois radiografia para afastar fraturas, e só então a avaliação tendínea — que deve ser interpretada com cautela em pacientes não cooperativos, pois a ausência de movimento ativo não é sinônimo de lesão tendínea nesse contexto.