Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg691572
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Gravataí - RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Otorrinolaringologista
- AV – V – V.
- BF – F – V.
- CV – V – F.
- DF – V – F.
- EV – F – V.
GabaritoC — V – V – F.
Gabarito: letra C — a sequência correta é V – V – F. As duas primeiras assertivas descrevem corretamente as exostoses e o osteoma do conduto auditivo externo (CAE), enquanto a terceira erra ao afirmar que as próteses auditivas de amplificação sonora (PAAOs) são indicadas exclusivamente para perda auditiva sensório-neural profunda bilateral — na verdade, elas são indicadas para diversos graus e tipos de perda auditiva, sendo o implante coclear a opção para casos de perda profunda bilateral quando a amplificação não é suficiente.
As exostoses e o osteoma são as duas principais neoformações ósseas benignas que acometem o CAE, e a distinção entre elas é um clássico em otorrinolaringologia. As exostoses são crescimentos ósseos benignos, geralmente múltiplos e bilaterais, que se desenvolvem na porção medial do conduto, próximos à membrana timpânica. Sua associação clássica é com a exposição crônica à água fria — daí serem conhecidas como "orelha de surfista" —, pois o estímulo térmico repetido induz a neoformação óssea periosteal. Já o osteoma é uma lesão tipicamente única, pediculada (com base estreita, como um pólipo ósseo) e localizada lateralmente à junção osteocartilaginosa, ou seja, mais externa no conduto. Essa diferença de localização e de número é o critério que as separa na prática clínica e nos exames de imagem.
Quando falamos em próteses auditivas, o termo correto é Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) — a sigla PAAO (Prótese Auditiva de Amplificação Óssea) é usada para dispositivos que estimulam o osso, mas a banca usa PAAO como sinônimo de AASI. O ponto central é que a indicação de amplificação sonora não se restringe a um único tipo ou grau de perda: ela é a primeira linha de tratamento para perdas auditivas neurossensoriais de grau leve a severo, e também pode ser útil em perdas condutivas ou mistas quando a cirurgia não é possível. O implante coclear, por sua vez, é reservado para perdas profundas bilaterais quando o AASI não proporciona benefício adequado. Portanto, a assertiva III está incorreta ao usar o termo "exclusivamente" e ao restringir a indicação a um único perfil.
A pegadinha da banca está em inverter a abrangência das indicações: ela tenta fazer o candidato acreditar que a amplificação é restrita a um caso extremo, quando na verdade é o contrário — a amplificação é ampla e o implante coclear é que é específico para casos profundos. Guarde a fronteira entre exostose e osteoma (número, localização e associação com água fria) e entre AASI e implante coclear (indicação por grau e tipo de perda): é exatamente nesses critérios que as alternativas se dividem.
Critério | Exostose | Osteoma |
|---|---|---|
Número | Múltiplas | Única |
Lateralidade | Bilateral | — |
Localização | Medial (próximo à MT) | Lateral à junção osteocartilaginosa |
Base | Sésseis | Pediculada |
Associação | Água fria ("orelha de surfista") | — |
A descrição está correta: as exostoses são neoformações ósseas benignas, geralmente múltiplas e bilaterais, associadas à exposição crônica à água fria. Essa é a apresentação clássica — o estímulo térmico repetido na porção medial do CAE induz a proliferação óssea periosteal, formando múltiplos nódulos bilaterais. A associação com água fria é tão característica que a condição é conhecida como "orelha de surfista". A assertiva espelha exatamente o que a literatura descreve.
O osteoma é descrito corretamente: lesão única, pediculada e localizada lateralmente à junção osteocartilaginosa do CAE. Diferentemente das exostoses, o osteoma é um tumor ósseo solitário, com base estreita (pediculado) e que se origina na porção mais externa do conduto. Essa distinção topográfica é o critério que separa as duas lesões na prática clínica e nos exames de imagem.
A assertiva está incorreta ao afirmar que as PAAOs são indicadas exclusivamente para perda auditiva sensório-neural profunda bilateral. Na verdade, a amplificação sonora é indicada para uma ampla gama de perdas auditivas — leves, moderadas, severas, neurossensoriais, condutivas ou mistas — sendo o implante coclear a opção para perdas profundas bilaterais quando a amplificação não é suficiente. O erro está no termo "exclusivamente" e na restrição a um único perfil, quando a realidade clínica é muito mais abrangente.
A banca inverte a abrangência das indicações: faz parecer que a amplificação é restrita a um caso extremo (perda profunda bilateral), quando na verdade é o contrário — a amplificação é a primeira linha para a maioria das perdas, e o implante coclear é que é específico para casos profundos. Fique atento a termos como "exclusivamente" e "somente" — eles costumam sinalizar a armadilha.
Para diferenciar exostose e osteoma, lembre-se: exostose = múltipla, bilateral, medial, água fria; osteoma = única, pediculada, lateral. E para próteses: AASI é amplo (vários graus e tipos), implante coclear é restrito (perda profunda bilateral). Monte uma tabela mental com esses pares e a questão se resolve rapidamente.
Gabarito: letra C — sequência V – V – F.
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