Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg691574
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Otorrinolaringologista
A criança retorna após 3 dias com manutenção da febre e piora do estado geral, apresentando letargia, vômitos em jato e “dor no pescoço”. A otoscopia apresenta abaulamento persistente de membrana timpânica e sinais de miringite bolhosa. Não há sinais inflamatórios retroauriculares, mas os sinais de Kernig e Brudzinski são positivos. Qual é a principal hipótese para essa complicação e qual deve ser a conduta imediata?
AMastoidite aguda – internação hospitalar, TC de ossos temporais com contraste e escalonamento do antibiótico para ceftriaxona intravenosa.
BAbscesso extradural – RNM de crânio e drenagem cirúrgica imediata da mastoide.
CMeningite bacteriana – internação hospitalar, TC de crânio com contraste de urgência para confirmar o diagnóstico e iniciar amoxicilina-clavulanato intravenoso.
DTrombose de seio sigmoide – angiotomografia de crânio e início de anticoagulação plena com heparina.
EMeningite bacteriana – internação hospitalar, punção lombar e início de ceftriaxona intravenosa, associada à miringotomia com envio de material para cultura.
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GabaritoE — Meningite bacteriana – internação hospitalar, punção lombar e início de ceftriaxona intravenosa, associada à miringotomia com envio de material para cultura.
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Complicações da otite média aguda: meningite bacteriana
SE LIGUE NESSA!
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Gabarito: letra E. O quadro descrito — febre persistente, letargia, vômitos em jato, rigidez de nuca com sinais de Kernig e Brudzinski positivos, associado a otite média aguda com abaulamento persistente da membrana timpânica — é classicamente compatível com meningite bacteriana como complicação intracraniana da otite média. A conduta imediata é internação hospitalar, punção lombar para análise do liquor e início de ceftriaxona intravenosa, além da miringotomia com envio de material para cultura, que aborda o foco otológico e auxilia na identificação do agente etiológico.
A otite média aguda (OMA) é uma infecção da orelha média que, embora geralmente autolimitada, pode evoluir com complicações, especialmente em crianças. As complicações dividem-se em intratemporais (mastoidite, labirintite, paralisia facial) e intracranianas (meningite, abscesso cerebral, abscesso extradural, trombose de seio sigmoide). A meningite é a complicação intracraniana mais comum da OMA, ocorrendo pela disseminação direta da infecção através da continuidade anatômica ou por via hematogênica. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade clássica de febre, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência, podendo haver também vômitos em jato, cefaleia intensa e sinais meníngeos como Kernig e Brudzinski. A confirmação é feita pela punção lombar, que analisa o liquor (pleocitose com predomínio de neutrófilos, proteinorraquia elevada e glicorraquia baixa na meningite bacteriana). A conduta imediata é a internação hospitalar e o início precoce de antibioticoterapia empírica intravenosa, sendo a ceftriaxona a primeira escolha na faixa etária pediátrica, associada à miringotomia para drenagem do foco otológico e coleta de material para cultura, o que otimiza a identificação do agente e a adequação do tratamento. A realização de TC de crânio antes da punção lombar é indicada apenas em situações específicas (déficit neurológico focal, papiledema, imunossupressão, convulsões recentes), não sendo rotina para confirmar o diagnóstico de meningite. A alternativa E é a única que contempla corretamente o diagnóstico e a conduta imediata completa.
A mastoidite aguda é a complicação intratemporal mais comum da OMA, caracterizada por dor retroauricular, edema, hiperemia e abaulamento da região mastoidea, com proeminência do pavilhão auricular. No caso descrito, o enunciado afirma explicitamente que não há sinais inflamatórios retroauriculares, o que afasta essa hipótese. O abscesso extradural é uma coleção purulenta entre a dura-máter e o crânio, geralmente decorrente de mastoidite ou sinusite, manifestando-se com cefaleia, febre e, eventualmente, déficits neurológicos focais; o diagnóstico é feito por imagem (TC ou RNM) e o tratamento envolve drenagem cirúrgica. A trombose de seio sigmoide é uma complicação rara, caracterizada por febre, otalgia, cefaleia e, em casos avançados, sinais de hipertensão intracraniana; o diagnóstico é por angiotomografia ou RNM com venografia, e o tratamento inclui antibioticoterapia e, em alguns casos, anticoagulação. Nenhuma dessas hipóteses se encaixa no quadro clínico apresentado, que é dominado por sinais meníngeos evidentes.
A miringite bolhosa é uma inflamação da membrana timpânica com formação de vesículas, frequentemente associada a infecções virais ou bacterianas, e pode ocorrer em conjunto com a OMA. No caso, a presença de miringite bolhosa associada a abaulamento persistente da membrana timpânica reforça a suspeita de infecção bacteriana da orelha média com potencial de complicação intracraniana. A punção lombar é o exame fundamental para confirmar a meningite, e a miringotomia é um procedimento que consiste na incisão da membrana timpânica para drenagem de secreção da orelha média, sendo indicada em casos de OMA complicada, otite média aguda com otorreia persistente ou quando há necessidade de coleta de material para cultura. A associação dessas duas medidas com a antibioticoterapia intravenosa constitui a conduta imediata mais adequada.
A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração, com excelente penetração no sistema nervoso central e cobertura para os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana na infância, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b. A amoxicilina-clavulanato é um antibiótico de espectro intermediário, utilizado no tratamento da OMA não complicada, mas não é a primeira escolha para meningite bacteriana, pois não atinge concentrações adequadas no liquor. A alternativa C, que sugere TC de crânio com contraste para confirmar o diagnóstico e iniciar amoxicilina-clavulanato, está incorreta tanto no método diagnóstico quanto na escolha do antibiótico. A alternativa A, que sugere mastoidite aguda, é afastada pela ausência de sinais retroauriculares. A alternativa B, que sugere abscesso extradural, não é compatível com o quadro clínico predominante de meningite. A alternativa D, que sugere trombose de seio sigmoide, não é a principal hipótese e a anticoagulação não é a conduta imediata de primeira linha.
A punção lombar é um procedimento invasivo que coleta liquor para análise laboratorial, sendo essencial para o diagnóstico de meningite. A miringotomia é um procedimento otorrinolaringológico que drena a secreção da orelha média, aliviando a pressão e permitindo a coleta de material para cultura. A combinação dessas duas medidas com a antibioticoterapia intravenosa é a conduta imediata mais completa e adequada para o caso descrito. A alternativa E é a única que contempla corretamente o diagnóstico de meningite bacteriana e a conduta imediata com internação, punção lombar, ceftriaxona intravenosa e miringotomia com cultura.
Complicações da OMA
1Intratemporais
Mastoidite aguda
dor/edema retroauricular
ausente no caso
Labirintite
Paralisia facial
2Intracranianas
Meningite bacteriana
mais comum
febre, rigidez de nuca, letargia
Kernig e Brudzinski positivos
conduta: punção lombar + ceftriaxona IV + miringotomia
Abscesso extradural
coleção entre dura-máter e crânio
drenagem cirúrgica
Trombose de seio sigmoide
angioTC/RNM + anticoagulação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipótese de mastoidite aguda é afastada pelo enunciado, que afirma explicitamente que não há sinais inflamatórios retroauriculares. A mastoidite se manifesta com dor, edema e hiperemia retroauricular, proeminência do pavilhão auricular e, frequentemente, otorreia. Além disso, a conduta descrita (TC de ossos temporais com contraste e escalonamento para ceftriaxona) não aborda a meningite, que é a complicação mais provável diante dos sinais meníngeos positivos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O abscesso extradural é uma coleção purulenta entre a dura-máter e o crânio, geralmente associada a mastoidite ou sinusite. O quadro clínico descrito é dominado por sinais meníngeos (Kernig e Brudzinski positivos, rigidez de nuca, vômitos em jato), que são mais sugestivos de meningite. A conduta de RNM de crânio e drenagem cirúrgica imediata da mastoide não é a primeira linha para o caso, que exige punção lombar e antibioticoterapia intravenosa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hipótese de meningite bacteriana está correta, mas a conduta descrita está errada. A TC de crânio com contraste não é o exame para confirmar o diagnóstico de meningite — o exame confirmatório é a punção lombar. Além disso, a amoxicilina-clavulanato não é a primeira escolha para meningite bacteriana, pois não atinge concentrações adequadas no liquor; o antibiótico de escolha é a ceftriaxona intravenosa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A trombose de seio sigmoide é uma complicação rara da OMA, caracterizada por febre, otalgia, cefaleia e, em casos avançados, sinais de hipertensão intracraniana. O quadro clínico descrito, com sinais meníngeos evidentes, é mais sugestivo de meningite. A conduta de angiotomografia de crânio e anticoagulação plena com heparina não é a primeira linha para o caso, que exige punção lombar e antibioticoterapia intravenosa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipótese de meningite bacteriana é a mais provável, dado o quadro de febre persistente, letargia, vômitos em jato, rigidez de nuca e sinais de Kernig e Brudzinski positivos, associado a OMA com abaulamento persistente da membrana timpânica. A conduta imediata é internação hospitalar, punção lombar para análise do liquor, início de ceftriaxona intravenosa (antibiótico de primeira escolha para meningite bacteriana na infância) e miringotomia com envio de material para cultura, que aborda o foco otológico e auxilia na identificação do agente etiológico. Essa é a conduta mais completa e adequada para o caso.