Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg691578
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Otorrinolaringologista
Um adolescente de 17 anos apresenta epistaxe unilateral de repetição e obstrução nasal progressiva. A tomografia computadorizada demonstra uma massa com realce intenso após contraste, originada na margem superior do forame esfenopalatino, com alargamento da fossa pterigopalatina (sinal de Holman-Miller). Qual é o diagnóstico mais provável?
AEstesioneuroblastoma.
BPólipo antrocoanal.
CCarcinoma espinocelular.
DNasoangiofibroma juvenil.
EPapiloma invertido.
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GabaritoD — Nasoangiofibroma juvenil.
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Nasoangiofibroma juvenil: tumor vascular da adolescência
Gabarito: letra D. O quadro clínico (adolescente do sexo masculino, epistaxe unilateral de repetição, obstrução nasal progressiva) associado aos achados tomográficos (massa com realce intenso originada na margem superior do forame esfenopalatino, com alargamento da fossa pterigopalatina — sinal de Holman-Miller) é praticamente patognomônico de nasoangiofibroma juvenil. Trata-se de tumor benigno, porém localmente agressivo, que acomete quase exclusivamente homens jovens.
O nasoangiofibroma juvenil é um tumor vascular benigno, mas localmente invasivo, que se origina classicamente na região do forame esfenopalatino, na parede lateral da fossa nasal. Acomete quase exclusivamente adolescentes do sexo masculino, sendo a faixa etária típica entre 10 e 25 anos. O quadro clínico clássico é a tríade: epistaxe unilateral de repetição, obstrução nasal progressiva e massa na cavidade nasal. A epistaxe ocorre porque o tumor é extremamente vascularizado, com vasos de paredes finas e sem camada muscular completa, que sangram com facilidade. A obstrução nasal decorre do crescimento tumoral, que pode se estender para a fossa pterigopalatina, seios paranasais, cavidade orbitária e até mesmo intracraniana.
O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico. A tomografia computadorizada (TC) demonstra uma massa com realce intenso após contraste, originada na margem superior do forame esfenopalatino. O alargamento da fossa pterigopalatina, com deslocamento anterior da parede posterior do seio maxilar, é conhecido como sinal de Holman-Miller, um achado clássico e altamente sugestivo. A angiotomografia ou a angiografia podem ser utilizadas para melhor caracterização vascular e planejamento cirúrgico, sendo a embolização pré-operatória uma estratégia comum para reduzir o sangramento intraoperatório. A biópsia é contraindicada na suspeita clínica, pelo alto risco de sangramento grave.
O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica, frequentemente por via endoscópica, precedida de embolização angiográfica. A radioterapia pode ser considerada em casos de doença residual, recorrente ou irressecável, especialmente com extensão intracraniana. O prognóstico é bom, mas a recorrência é possível, principalmente em tumores extensos ou com ressecção incompleta.
A distinção entre as alternativas é o ponto central da questão. O estesioneuroblastoma é um tumor maligno de origem olfatória, que se apresenta como massa na região do teto da fossa nasal, com sintomas como anosmia e epistaxe, mas não tem a predileção por adolescentes do sexo masculino nem a origem no forame esfenopalatino. O pólipo antrocoanal origina-se no seio maxilar e prolapsa pela cavidade nasal, sendo mais comum em crianças e adultos jovens, mas não apresenta o realce intenso nem o sinal de Holman-Miller. O carcinoma espinocelular é um tumor maligno que acomete adultos mais velhos, frequentemente tabagistas, e não tem a apresentação típica da adolescência. O papiloma invertido é um tumor benigno, mas com potencial de malignização, que se origina na parede lateral da fossa nasal, mais comum em adultos, e não tem o padrão de realce intenso nem a origem no forame esfenopalatino.
Guarde a associação: adolescente do sexo masculino + epistaxe unilateral de repetição + obstrução nasal + massa no forame esfenopalatino com sinal de Holman-Miller = nasoangiofibroma juvenil. É essa combinação de dados que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O estesioneuroblastoma é um tumor maligno neuroectodérmico que se origina no neuroepitélio olfatório, localizado no teto da fossa nasal. Embora possa causar epistaxe e obstrução nasal, não tem predileção por adolescentes do sexo masculino, não se origina no forame esfenopalatino e não apresenta o sinal de Holman-Miller. O realce intenso pode ocorrer, mas a localização e a epidemiologia são diferentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pólipo antrocoanal origina-se na mucosa do seio maxilar e prolapsa através do óstio para a cavidade nasal, podendo obstruir a cóana. É mais comum em crianças e adultos jovens, mas não tem predileção pelo sexo masculino, não se origina no forame esfenopalatino, não apresenta realce intenso após contraste e não causa o sinal de Holman-Miller. A epistaxe não é o sintoma predominante.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O carcinoma espinocelular é um tumor maligno que acomete tipicamente adultos acima de 50 anos, com fatores de risco como tabagismo e exposição ocupacional. Embora possa causar epistaxe e obstrução nasal unilateral, não é o diagnóstico mais provável em um adolescente de 17 anos, não se origina no forame esfenopalatino e não apresenta o sinal de Holman-Miller. O realce intenso pode ocorrer, mas a epidemiologia e a localização são distintas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O nasoangiofibroma juvenil é o tumor vascular benigno mais comum da cavidade nasal, acometendo quase exclusivamente adolescentes do sexo masculino. Origina-se na margem superior do forame esfenopalatino, apresenta realce intenso após contraste na TC e causa alargamento da fossa pterigopalatina, com deslocamento anterior da parede posterior do seio maxilar — o sinal de Holman-Miller. A tríade clássica de epistaxe unilateral de repetição, obstrução nasal progressiva e massa nasal em um adolescente do sexo masculino é altamente sugestiva. A biópsia é contraindicada pelo risco de sangramento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O papiloma invertido é um tumor benigno, mas com potencial de malignização, que se origina na parede lateral da fossa nasal, mais comum em adultos entre 40 e 60 anos. Embora possa causar obstrução nasal e epistaxe, não tem predileção por adolescentes, não se origina no forame esfenopalatino e não apresenta o sinal de Holman-Miller. O realce após contraste é variável, mas a epidemiologia e a localização são diferentes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tumores que causam epistaxe e obstrução nasal. O estesioneuroblastoma e o carcinoma espinocelular também podem causar esses sintomas, mas a chave está na epidemiologia (adolescente do sexo masculino) e na localização (forame esfenopalatino com sinal de Holman-Miller). O nasoangiofibroma juvenil é o único que reúne todas essas características. Fique atento: a presença do sinal de Holman-Miller é praticamente diagnóstica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de tumores nasossinusais, monte um quadro mental com a tríade: epidemiologia (idade e sexo), localização de origem e achados de imagem. O nasoangiofibroma juvenil é o único tumor que acomete adolescentes do sexo masculino com origem no forame esfenopalatino. O estesioneuroblastoma é do teto da fossa nasal, o pólipo antrocoanal é do seio maxilar, o carcinoma espinocelular é de adultos mais velhos e o papiloma invertido é da parede lateral em adultos.