Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg691911
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico de Urgência e Emergência (SAMU)
Homem, 55 anos, diabético, apresenta dor intensa em ouvido, edema de pavilhão auricular, secreção purulenta e paralisia facial periférica associada. A conduta correta é:
AAntibioticoterapia oral e alta.
BCorticoterapia isolada.
CAntibiótico tópico e analgesia.
DInternação e antibioticoterapia intravenosa.
EDrenagem cirúrgica imediata.
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GabaritoD — Internação e antibioticoterapia intravenosa.
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Otite externa maligna (necrosante) em paciente diabético
Gabarito: letra D. O quadro descrito — dor intensa, edema de pavilhão, secreção purulenta e paralisia facial periférica em paciente diabético — é a apresentação clássica da otite externa maligna (necrosante), uma infecção grave por Pseudomonas aeruginosa que exige internação e antibioticoterapia intravenosa. A paralisia facial é o sinal de alerta que diferencia essa forma grave das otites externas comuns, indicando comprometimento do nervo facial (VII par) e potencial disseminação para a base do crânio.
A otite externa maligna é uma infecção agressiva do canal auditivo externo que se estende aos tecidos moles, ossos (osteíte/osteomielite do osso temporal) e estruturas adjacentes, incluindo nervos cranianos. Ocorre quase exclusivamente em pacientes com diabetes mellitus ou imunossupressão, sendo a Pseudomonas aeruginosa o agente etiológico predominante. O tratamento de escolha é a hospitalização prolongada (até 6 semanas) para antibioticoterapia intravenosa, associada a debridamento local e controle rigoroso da glicemia. A conduta ambulatorial com antibiótico oral ou tópico é insuficiente e pode levar a complicações graves, como paralisia facial, meningite, trombose de seio venoso e até óbito (mortalidade de até 30%).
A paralisia facial periférica é o achado que fecha o diagnóstico: na otite externa maligna, a infecção dissemina-se por canais vasculares através da base do crânio, acometendo o sétimo par craniano. Esse sinal, somado ao diabetes e à dor intensa, afasta as hipóteses de otite externa difusa aguda (tratada com limpeza, analgésico e antibiótico tópico) e de otite média aguda (que não cursa com edema de pavilhão). A conduta correta, portanto, é a internação imediata com antibiótico intravenoso — a alternativa D.
A banca explora a confusão entre a otite externa difusa aguda (forma benigna, tratada ambulatorialmente) e a otite externa maligna (forma grave, que exige internação). O candidato que não reconhece a paralisia facial como sinal de gravidade tende a escolher a alternativa A (antibioticoterapia oral) ou C (antibiótico tópico), ambas inadequadas para o caso. A drenagem cirúrgica imediata (alternativa E) não é a primeira conduta — o tratamento inicial é clínico, com antibiótico intravenoso, reservando a cirurgia para debridamento de tecido necrótico ou complicações.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a otite externa difusa aguda (benigna, tratada com antibiótico tópico e analgesia) pela otite externa maligna (grave, que exige internação e antibiótico intravenoso). A paralisia facial é o sinal que separa as duas — na forma maligna, a infecção atinge o nervo facial e a base do crânio. Quem não reconhece esse sinal cai nas alternativas A ou C.
Antibioticoterapia oral e alta é conduta para otite externa difusa aguda leve, não para a forma maligna. A infecção por Pseudomonas em paciente diabético com paralisia facial exige antibiótico intravenoso em ambiente hospitalar, pois a penetração oral é insuficiente para tratar osteíte e comprometimento de base de crânio.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Corticoterapia isolada não trata a infecção bacteriana — é adjuvante para reduzir edema, mas nunca substitui o antibiótico. Além disso, em paciente diabético, o uso de corticoide sem cobertura antimicrobiana pode agravar a hiperglicemia e piorar o prognóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Antibiótico tópico e analgesia é o tratamento da otite externa difusa aguda, não da maligna. Na forma necrosante, a infecção já ultrapassou o canal auditivo externo, atingindo ossos e nervos — o antibiótico tópico não alcança essas estruturas e não previne a progressão para complicações intracranianas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Internação e antibioticoterapia intravenosa é a conduta correta para otite externa maligna. O tratamento requer hospitalização prolongada (até 6 semanas) com antibiótico intravenoso (geralmente ciprofloxacino ou ceftazidima, com cobertura para Pseudomonas), associado a debridamento local e controle glicêmico rigoroso. A paralisia facial indica disseminação para a base do crânio, tornando a internação mandatória.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Drenagem cirúrgica imediata não é a primeira conduta. O tratamento inicial da otite externa maligna é clínico, com antibiótico intravenoso. A cirurgia (timpanomastoidectomia) é reservada para debridamento de tecido necrótico, abscessos ou falha terapêutica — não é emergência imediata antes da antibioticoterapia.
Gabarito: letra D — internação e antibioticoterapia intravenosa para otite externa maligna em paciente diabético com paralisia facial.