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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg691913
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico de Urgência e Emergência (SAMU)
Homem, 61 anos, previamente hígido, dá entrada no pronto-socorro com dispneia súbita, dor torácica e colapso circulatório. Encontra-se em choque refratário, com PA de 70×40 mmHg apesar de reposição volêmica inicial e uso de noradrenalina. Evolui com parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso, sendo revertida após 2 minutos de RCP. Ecocardiograma à beira-leito, realizado imediatamente após o retorno da circulação espontânea, evidencia dilatação grave de ventrículo direito, hipocinesia global e septo interventricular em “D”. Não há sinais clínicos ou laboratoriais de sangramento ativo ou contraindicações absolutas à trombólise. Qual é a conduta terapêutica definitiva e imediata mais adequada?
  1. AIniciar anticoagulação plena com heparina não fracionada.
  2. BSolicitar angiotomografia de tórax para confirmação diagnóstica.
  3. CManter apenas suporte hemodinâmico em UTI.
  4. DConsiderar filtro de veia cava inferior.
  5. EAdministrar trombolítico sistêmico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Administrar trombolítico sistêmico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tromboembolismo Pulmonar (TEP) de alto risco: conduta

Gabarito: letra E. O paciente apresenta TEP de alto risco (choque refratário + PCR em AESP revertida + dilatação grave de VD ao ecocardiograma), e a conduta definitiva e imediata é a trombólise sistêmica, pois não há contraindicações absolutas. A base está nas diretrizes de TEP (ESC/ACCP) e no material de suporte avançado de vida, que autorizam a trombólise mesmo durante a RCP na suspeita de PCR por TEP.

O tromboembolismo pulmonar (TEP) ocorre quando trombos, geralmente originados nas veias profundas dos membros inferiores, obstruem artérias pulmonares. A gravidade do quadro depende do grau de obstrução e da repercussão hemodinâmica. A complicação mais temida é a falência aguda do ventrículo direito (VD), que leva à queda do débito cardíaco, hipotensão e, nos casos extremos, à parada cardiorrespiratória. É exatamente esse o cenário do paciente: choque refratário, PCR em atividade elétrica sem pulso (AESP) e ecocardiograma mostrando dilatação grave do VD com septo em "D" — sinais clássicos de sobrecarga aguda do VD.

A classificação do TEP em gravidade é essencial para decidir a conduta. O TEP é considerado de alto risco (ou maciço) quando há instabilidade hemodinâmica (hipotensão persistente ou choque), independentemente da função do VD. O TEP submaciço cursa com disfunção de VD (ao ecocardiograma ou por biomarcadores como troponina e BNP), mas sem hipotensão. Já o TEP de baixo risco não apresenta nenhum desses achados. No caso, o paciente está claramente no grupo de alto risco, pois apresenta choque refratário e PCR.

Para o TEP de alto risco, a trombólise sistêmica é o tratamento de primeira linha, com o objetivo de dissolver o trombo rapidamente, desobstruir a artéria pulmonar e aliviar a sobrecarga do VD. O benefício é maior quando realizada nas primeiras 48 horas, mas a janela terapêutica se estende por até 14 dias. A anticoagulação plena com heparina é o tratamento de base para todos os pacientes com TEP, mas não é suficiente para reverter o choque no TEP de alto risco — ela apenas impede a formação de novos trombos, não dissolve o trombo já existente. Por isso, a alternativa A, embora seja parte do tratamento, não é a conduta definitiva e imediata para reverter o quadro.

A confirmação diagnóstica por angiotomografia é desejável, mas não deve atrasar a trombólise em um paciente com alta suspeita clínica e instabilidade hemodinâmica grave. O material de apoio reforça que, em pacientes com suspeita de TEP e instabilidade, deve-se realizar a angiotomografia "se possível"; porém, quando o paciente está em choque refratário ou após PCR, o risco de adiar o tratamento é maior que o benefício da confirmação. A conduta é tratar imediatamente, com base no quadro clínico e no ecocardiograma à beira-leito, que já forneceu forte evidência de TEP.

O filtro de veia cava inferior (VCI) é uma medida para prevenir novas embolias em pacientes com contraindicação à anticoagulação ou com TEP recorrente apesar de anticoagulação adequada. Não tem papel no tratamento agudo do TEP de alto risco, pois não remove o trombo já alojado na artéria pulmonar. Da mesma forma, o suporte hemodinâmico isolado em UTI, com vasopressores e ventilação, é uma medida de estabilização, mas não trata a causa — sem a trombólise, a obstrução persiste e o paciente permanece em risco iminente de nova PCR.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de a anticoagulação ser o tratamento padrão do TEP, no paciente de alto risco a trombólise é a conduta que salva a vida. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa A (heparina) por ser o tratamento "clássico", mas ela não reverte o choque. A alternativa B (angiotomografia) parece prudente, mas atrasa a terapia em um paciente instável. A chave é identificar o TEP de alto risco e agir com o trombolítico.

Guarde a sequência de raciocínio: choque refratário + dilatação de VD ao eco + PCR em AESP = TEP de alto risco → trombólise sistêmica imediata (se não houver contraindicação). É esse o critério que separa a alternativa correta das demais.

TEP de alto risco
  • 1Critérios
    • Choque refratário
    • PCR em AESP
    • Disfunção de VD (eco)
  • 2Conduta imediata
    • Trombólise sistêmica
    • Não atrasar p/ angiotomografia
    • Anticoagulação isolada não reverte choque
    • Filtro de VCI (só previne novas embolias)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A anticoagulação plena com heparina não fracionada é o tratamento de base do TEP, mas não é a conduta definitiva para o TEP de alto risco. Ela previne a formação de novos trombos, porém não dissolve o trombo que já está obstruindo a artéria pulmonar. Em um paciente em choque refratário, a anticoagulação isolada não reverte a instabilidade hemodinâmica e não reduz a mortalidade de forma significativa. A trombólise é que deve ser administrada imediatamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A angiotomografia de tórax é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de TEP, mas não deve ser realizada em detrimento do tratamento imediato em um paciente com alta suspeita clínica e instabilidade hemodinâmica grave. O exame demandaria tempo e transporte do paciente, atrasando a trombólise. Em casos de choque refratário ou após PCR, a conduta é tratar com base na forte suspeita clínica e nos achados do ecocardiograma à beira-leito, que já evidenciam sobrecarga aguda do VD.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Manter apenas suporte hemodinâmico em UTI é uma medida de estabilização, mas não trata a causa do choque. Sem a remoção do trombo (por trombólise ou embolectomia), a obstrução arterial pulmonar persiste, o VD continua sobrecarregado e o paciente permanece em risco iminente de nova parada cardiorrespiratória. O suporte em UTI é complementar, nunca substituto da terapia definitiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O filtro de veia cava inferior é indicado para prevenir novas embolias em pacientes com contraindicação à anticoagulação ou com TEP recorrente apesar de anticoagulação adequada. Não tem papel no tratamento agudo do TEP de alto risco, pois não age sobre o trombo já presente na artéria pulmonar. Além disso, o paciente não apresenta contraindicação à anticoagulação ou à trombólise, o que torna o filtro ainda menos indicado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A trombólise sistêmica é a conduta definitiva e imediata para o TEP de alto risco, como no caso do paciente, que apresenta choque refratário, PCR em AESP revertida e dilatação grave do VD ao ecocardiograma. O material de apoio é explícito: "Na suspeita de PCR por TEP, embora controversa, está autorizada a trombólise durante a RCP" e "A trombólise tanto para pacientes hemodinamicamente instáveis... apresenta maior benefício quando realizada nas primeiras 48 horas". Não havendo contraindicações absolutas (como sangramento ativo, coagulopatia ou hemorragia digestiva recente), o trombolítico deve ser administrado imediatamente, mesmo sem confirmação por angiotomografia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de TEP, memorize a tríade do alto risco: hipotensão/choque + disfunção de VD + (possível) PCR. Quando ela estiver presente, a resposta quase sempre será trombólise sistêmica. A anticoagulação é o tratamento de base, mas não reverte o choque; a angiotomografia é o padrão-ouro diagnóstico, mas não deve atrasar a terapia no paciente instável.

Gabarito: letra E

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