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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg691917
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico de Urgência e Emergência (SAMU)
Paciente de 68 anos, com DPOC grave, internado por pneumonia comunitária, encontra-se em ventilação mecânica invasiva em modo volume-controlado. Subitamente, o ventilador dispara o alarme de pressão de pico elevada, com pressão de platô normal, e o paciente apresenta agitação e dessaturação. A causa mais provável e a conduta inicial corretas são, respectivamente:
  1. AEdema pulmonar agudo – aumentar PEEP.
  2. BBroncoespasmo ou obstrução do circuito – aspirar vias aéreas e administrar broncodilatador.
  3. CRedução da complacência pulmonar – reduzir volume corrente.
  4. DPneumotórax hipertensivo – punção torácica imediata.
  5. EAuto-PEEP – aumentar frequência respiratória.
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GabaritoB — Broncoespasmo ou obstrução do circuito – aspirar vias aéreas e administrar broncodilatador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alarme de pressão de pico elevada na ventilação mecânica: broncoespasmo e obstrução do circuito

Gabarito: letra B. Em paciente com DPOC em ventilação mecânica invasiva, o alarme de pressão de pico elevada com pressão de platô normal indica aumento da resistência das vias aéreas — broncoespasmo ou obstrução do circuito (secreção, dobra na cânula) — e a conduta inicial é aspirar vias aéreas e administrar broncodilatador. A distinção entre pressão de pico e pressão de platô é o ponto-chave: a pico reflete a resistência das vias aéreas, enquanto a platô reflete a complacência do sistema respiratório.

A ventilação mecânica invasiva (VMI) é a assistência ventilatória com pressão positiva por meio de um tubo endotraqueal ou traqueostomia conectado a um ventilador. O ventilador opera em quatro fases: disparo (início da inspiração), alvo (manutenção de pressão ou fluxo), ciclagem (fim da inspiração) e expiração. No modo volume-controlado, o ventilador entrega um volume corrente fixo, e a pressão gerada varia conforme a mecânica respiratória do paciente. Quando a resistência das vias aéreas aumenta (broncoespasmo, secreção, dobra na cânula), a pressão de pico (Ppico) eleva-se, mas a pressão de platô (Pplatô), medida após uma pausa inspiratória, permanece normal, pois reflete a pressão alveolar, que não é influenciada pela resistência das vias aéreas.

A pressão de pico é a pressão máxima medida pelo ventilador durante a inspiração e depende da resistência das vias aéreas e da complacência do sistema. A pressão de platô é a pressão alveolar após a redistribuição do fluxo, obtida com uma pausa inspiratória, e reflete a complacência pulmonar e da caixa torácica. Valores de Ppico acima de 40 cmH2O e Pplatô acima de 30 cmH2O são considerados de risco. No broncoespasmo, a Ppico eleva-se, mas a Pplatô permanece normal ou pouco elevada, pois a resistência aumentada não afeta a pressão alveolar após a pausa. Já na redução da complacência (ex.: edema pulmonar, SDRA), tanto a Ppico quanto a Pplatô elevam-se, pois a pressão alveolar aumenta.

No paciente com DPOC, o broncoespasmo é uma causa comum de aumento da resistência das vias aéreas, especialmente durante uma pneumonia. A obstrução do circuito por secreção ou dobra na cânula também aumenta a resistência. A conduta inicial é aspirar as vias aéreas para remover secreções e administrar broncodilatador inalatório para reverter o broncoespasmo. A aspiração deve ser feita com cuidado, pois o próprio procedimento pode desencadear broncoespasmo. O broncodilatador (β2-agonista de curta duração) é a medicação de escolha para reverter o broncoespasmo em pacientes ventilados.

A distinção entre aumento de resistência e redução de complacência é essencial para a conduta correta. No aumento de resistência, a Ppico eleva-se com Pplatô normal; na redução de complacência, ambas elevam-se. O pneumotórax hipertensivo também eleva ambas as pressões, mas cursa com hipotensão, desvio de traqueia e diminuição do murmúrio vesicular. A auto-PEEP, comum em DPOC, eleva a Ppico e a Pplatô, mas é diagnosticada pela pausa expiratória, e a conduta é aumentar o tempo expiratório, não a frequência respiratória. O edema pulmonar agudo reduz a complacência, elevando ambas as pressões, e a conduta é aumentar a PEEP para recrutar alvéolos.

A banca explora a confusão entre aumento de resistência e redução de complacência, apresentando alternativas que misturam as causas e as condutas. O candidato deve identificar que a Ppico elevada com Pplatô normal aponta para aumento de resistência, e a conduta inicial é aspirar e broncodilatar. Guarde a fronteira entre resistência e complacência: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Aumento de Resistência (Broncoespasmo/Obstrução)

Redução de Complacência (Edema/SDRA)

Pressão de pico (Ppico)

Elevada

Elevada

Pressão de platô (Pplatô)

Normal

Elevada

Mecanismo

Obstrução ao fluxo aéreo (secreção, broncoespasmo, dobra na cânula)

Redução da distensibilidade pulmonar (alvéolos preenchidos/colapsados)

Conduta inicial

Aspirar vias aéreas + broncodilatador

Ajustar PEEP/volume corrente (recrutamento alveolar)

Pressão de pico elevada
  • 1Pplatô normal → resistência ↑
    • Broncoespasmo
    • Obstrução do circuito
    • Conduta: aspirar + broncodilatador
  • 2Pplatô elevada → complacência ↓
    • Edema pulmonar
    • SDRA
    • Pneumotórax hipertensivo
    • Conduta: conforme causa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O edema pulmonar agudo reduz a complacência pulmonar, elevando tanto a pressão de pico quanto a pressão de platô. A conduta seria aumentar a PEEP para recrutar alvéolos, mas o quadro descrito (Ppico elevada com Pplatô normal) não é compatível com edema pulmonar. A alternativa confunde aumento de resistência com redução de complacência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O broncoespasmo ou a obstrução do circuito (secreção, dobra na cânula) aumentam a resistência das vias aéreas, elevando a pressão de pico com pressão de platô normal. A conduta inicial é aspirar as vias aéreas para remover secreções e administrar broncodilatador inalatório para reverter o broncoespasmo. Esta é a causa mais provável e a conduta correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A redução da complacência pulmonar (ex.: edema, SDRA) eleva tanto a pressão de pico quanto a pressão de platô, pois a pressão alveolar aumenta. A conduta seria reduzir o volume corrente para proteger o pulmão, mas o quadro descrito (Pplatô normal) não é compatível com redução de complacência. A alternativa confunde complacência com resistência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O pneumotórax hipertensivo eleva tanto a pressão de pico quanto a pressão de platô, além de cursar com hipotensão, desvio de traqueia e diminuição do murmúrio vesicular. A conduta seria punção torácica imediata, mas o quadro descrito (Pplatô normal, sem instabilidade hemodinâmica) não é compatível. A alternativa apresenta uma conduta correta para uma causa que não se aplica ao caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A auto-PEEP eleva tanto a pressão de pico quanto a pressão de platô, e é diagnosticada pela pausa expiratória. A conduta seria aumentar o tempo expiratório, não a frequência respiratória — aumentar a FR pioraria a auto-PEEP, reduzindo o tempo expiratório. A alternativa inverte a conduta correta.

Gabarito: letra B — broncoespasmo ou obstrução do circuito, com conduta de aspirar vias aéreas e administrar broncodilatador.

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