Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg691919
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico de Urgência e Emergência (SAMU)
Paciente chega em parada cardiorrespiratória após trauma penetrante torácico, com atividade elétrica sem pulso há 5 minutos. A conduta indicada na situação é:
AToracotomia de reanimação.
BRCP prolongada.
CAdrenalina isolada.
DDesfibrilação.
ESuspenção das manobras.
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GabaritoA — Toracotomia de reanimação.
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Parada cardiorrespiratória no trauma penetrante torácico: toracotomia de reanimação
Gabarito: letra A. Em parada cardiorrespiratória (PCR) por trauma penetrante torácico, com atividade elétrica sem pulso (AESP) há 5 minutos, a conduta indicada é a toracotomia de reanimação, pois há uma causa reversível (lesão torácica penetrante) que pode ser corrigida cirurgicamente. A AESP é um ritmo não chocável, portanto a desfibrilação não está indicada; a adrenalina é parte do suporte avançado, mas não é a conduta definitiva; e a suspensão das manobras não é apropriada nesse cenário, pois o paciente tem potencial de sobrevida.
A toracotomia de reanimação é um procedimento de emergência realizado no trauma, indicado em situações específicas de PCR, como no trauma penetrante torácico com sinais de vida recentes. O objetivo é controlar o sangramento, aliviar o tamponamento cardíaco, realizar massagem cardíaca interna e clampear a aorta para redirecionar o fluxo sanguíneo para o coração e o cérebro. A indicação clássica é para pacientes com trauma penetrante no tórax que chegam em PCR ou desenvolvem PCR durante o atendimento, com atividade elétrica sem pulso ou assistolia, e que tiveram sinais de vida (pulso, respiração, resposta) em algum momento. O tempo de PCR é um fator crítico: a sobrevida é maior quando a PCR é presenciada e o tempo de RCP é curto (geralmente menos de 10-15 minutos). Neste caso, com 5 minutos de AESP, a toracotomia de reanimação é uma opção válida e indicada.
A AESP é um ritmo não chocável, ou seja, a desfibrilação não é eficaz. O tratamento da AESP e da assistolia é a RCP de alta qualidade, a administração de adrenalina e a busca ativa por causas reversíveis (os "Hs e Ts"). No trauma, as causas mais comuns de AESP são hipovolemia (choque hemorrágico), pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco e hipóxia. A toracotomia de reanimação permite abordar diretamente essas causas, como drenar um hemotórax maciço, descomprimir um tamponamento ou controlar um sangramento. A RCP prolongada isoladamente, sem abordar a causa, tem baixa chance de sucesso. A adrenalina é um vasopressor que melhora a perfusão coronariana e cerebral, mas não trata a causa subjacente. A desfibrilação é indicada apenas para ritmos chocáveis (FV e TVSP). A suspensão das manobras é considerada quando há assistolia refratária a todas as intervenções, mas não é a conduta inicial em um paciente com potencial de sobrevida.
A decisão de realizar a toracotomia de reanimação deve ser rápida e baseada em critérios bem estabelecidos. As diretrizes de trauma (como as do ATLS e da Sociedade Brasileira de Cardiologia) indicam a toracotomia de reanimação em pacientes com trauma penetrante torácico que apresentam PCR presenciada ou com sinais de vida recentes, e que não respondem às medidas iniciais de RCP. O procedimento é realizado no centro cirúrgico ou no pronto-socorro, por cirurgião treinado. A sobrevida é baixa, mas existe, especialmente em pacientes jovens com lesões torácicas penetrantes isoladas. A alternativa correta é a letra A.
A pegadinha desta questão é que muitos candidatos podem pensar em "RCP prolongada" ou "adrenalina" como a conduta padrão para AESP, mas no contexto do trauma penetrante, a abordagem cirúrgica é prioritária. A banca explora a diferença entre o manejo da PCR de origem médica (onde se busca a causa com exames e medicamentos) e a PCR de origem traumática (onde a causa é frequentemente cirúrgica e a toracotomia pode ser necessária).
1AESP (ritmo não chocável)
2RCP de alta qualidade
3Buscar causa reversível
4Toracotomia de reanimação
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A toracotomia de reanimação é a conduta indicada em PCR por trauma penetrante torácico, especialmente com AESP, pois permite o controle cirúrgico de lesões como hemotórax maciço, tamponamento cardíaco e sangramento de grandes vasos. O tempo de 5 minutos de AESP é compatível com a indicação, desde que haja sinais de vida recentes. É a única alternativa que aborda diretamente a causa reversível da PCR.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A RCP prolongada, sem abordar a causa, é insuficiente no trauma penetrante. A RCP de alta qualidade é fundamental, mas a causa da PCR (hemorragia, tamponamento) não será resolvida apenas com compressões. A toracotomia é que permite o controle do sangramento e a massagem cardíaca interna.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A adrenalina é um vasopressor indicado na AESP, mas não é a conduta isolada. Ela deve ser administrada durante a RCP, mas a causa subjacente (lesão torácica) precisa ser tratada cirurgicamente. A adrenalina sozinha não reverte a AESP no trauma penetrante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A desfibrilação é indicada apenas para ritmos chocáveis (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso). A AESP é um ritmo não chocável, portanto a desfibrilação não é eficaz e não está indicada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A suspensão das manobras é considerada em casos de assistolia refratária a todas as intervenções, após esforços prolongados e sem causa reversível. No caso apresentado, com 5 minutos de AESP e trauma penetrante torácico, há potencial de sobrevida e a toracotomia de reanimação é indicada, portanto a suspensão não é apropriada.