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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg691934
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico do ESF
Paciente de 42 anos, assintomático, comparece à consulta apresentando exames laboratoriais solicitados em avaliação de rotina. Nega antecedentes pessoais relevantes e não faz uso de medicações. Não há exames prévios de função tireoidiana disponíveis. Os resultados mostram TSH = 6,8 mUI/L e T4 livre dentro dos valores de referência. Diante desse achado isolado, qual é a conduta mais adequada?
  1. ARepetir a dosagem de TSH e T4 livre após 1 a 3 meses para confirmação diagnóstica.
  2. BSolicitar dosagem de anti-TPO para confirmar o diagnóstico e, se positivo, iniciar tratamento.
  3. CIniciar tratamento com levotiroxina, uma vez que o TSH elevado confirma o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico.
  4. DSolicitar exames de imagem da tireoide para elucidação diagnóstica.
  5. EConsiderar o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico definido e realizar acompanhamento clínico, sem necessidade de novos exames.
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GabaritoA — Repetir a dosagem de TSH e T4 livre após 1 a 3 meses para confirmação diagnóstica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipotireoidismo subclínico: conduta diagnóstica

Gabarito: letra A. Diante de TSH elevado (6,8 mUI/L) com T4 livre normal, em paciente assintomático e sem exames prévios, a conduta inicial é repetir a dosagem de TSH e T4 livre após 1 a 3 meses para confirmar o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico — um único achado laboratorial isolado não fecha diagnóstico, pois o TSH pode se elevar transitoriamente por diversas causas (doença aguda, uso de medicamentos, variação laboratorial). A confirmação diagnóstica é o primeiro passo antes de qualquer decisão terapêutica.

O hipotireoidismo subclínico é definido laboratorialmente pela combinação de TSH elevado com T4 livre dentro dos valores de referência, em paciente geralmente assintomático. É uma condição de alta prevalência, mais comum em mulheres e em disfunção primária da glândula tireoide. O diagnóstico, porém, não se faz com uma única dosagem: as diretrizes recomendam a repetição do exame após algumas semanas a meses, pois o TSH pode estar transitoriamente elevado em situações como estresse, doença aguda, uso de certos medicamentos (corticoides, lítio, amiodarona) ou mesmo por variação analítica. Apenas após a confirmação em duas dosagens consecutivas é que se estabelece o diagnóstico e se decide sobre investigação etiológica e tratamento.

A investigação etiológica, quando indicada, inclui a dosagem de anticorpos antiperoxidase (anti-TPO), que está presente em cerca de 95% dos casos de tireoidite de Hashimoto, principal causa de hipotireoidismo primário. No entanto, essa dosagem não é necessária para o diagnóstico em si — ela auxilia na definição da etiologia e na estratificação de risco de progressão para hipotireoidismo franco. Já os exames de imagem (ultrassonografia, cintilografia) não são necessários para o diagnóstico do hipotireoidismo primário, sendo reservados para situações específicas, como suspeita de nódulos ou anatomia anormal.

O tratamento com levotiroxina no hipotireoidismo subclínico é indicado em situações específicas, como TSH persistentemente acima de 10 mUI/L, presença de sintomas, anticorpos positivos, gestação ou desejo de engravidar, entre outras. Não se inicia tratamento com base em uma única dosagem elevada, especialmente em paciente assintomático e sem fatores de risco. A decisão terapêutica deve ser individualizada, considerando o risco de progressão e os potenciais benefícios.

A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar imediatamente um TSH elevado isolado, ou de considerar o diagnóstico já definido. A banca explora exatamente a pressa terapêutica e a falta de rigor diagnóstico. O raciocínio correto é: primeiro confirma-se o diagnóstico (repetindo os exames), depois se investiga a etiologia (se necessário) e só então se decide o tratamento. Esse é o critério que separa as alternativas.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Repetir a dosagem de TSH e T4 livre após 1 a 3 meses é a conduta correta. O achado isolado de TSH elevado com T4 livre normal não é suficiente para fechar o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico. A repetição confirma a persistência da alteração, excluindo elevações transitórias. Esse é o passo inicial recomendado pelas diretrizes antes de qualquer decisão diagnóstica ou terapêutica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar anti-TPO para confirmar o diagnóstico e, se positivo, iniciar tratamento é precipitado. O anti-TPO auxilia na identificação da etiologia (tireoidite de Hashimoto), mas não confirma o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico — que é essencialmente laboratorial (TSH elevado + T4 livre normal, confirmado em duas dosagens). Além disso, iniciar tratamento apenas com base na positividade do anticorpo, sem confirmação diagnóstica prévia, não é a conduta recomendada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Iniciar levotiroxina imediatamente com base em um único TSH elevado é um erro. O diagnóstico de hipotireoidismo subclínico exige confirmação com repetição do exame. Além disso, mesmo com diagnóstico confirmado, o tratamento não é automático — é indicado em situações específicas (TSH > 10 mUI/L, sintomas, anticorpos positivos, gestação, etc.). Tratar sem confirmação diagnóstica e sem avaliar indicação é conduta inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Solicitar exames de imagem da tireoide não é necessário para o diagnóstico de hipotireoidismo primário. A ultrassonografia ou cintilografia não auxiliam na confirmação do hipotireoidismo subclínico, que é um diagnóstico laboratorial. Exames de imagem são reservados para situações específicas, como avaliação de nódulos ou anatomia anormal, não para elucidação diagnóstica de disfunção tireoidiana primária.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Considerar o diagnóstico definido e apenas acompanhar clinicamente, sem repetir exames, é incorreto. O diagnóstico de hipotireoidismo subclínico não pode ser firmado com uma única dosagem de TSH elevado. A repetição do exame é obrigatória para confirmar a persistência da alteração e excluir elevações transitórias. Acompanhamento sem confirmação diagnóstica pode levar a erro de conduta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a tratar imediatamente um TSH elevado isolado (alternativa C) ou a considerar o diagnóstico já definido (alternativa E). O erro clássico é pular a etapa de confirmação diagnóstica. Lembre-se: um único TSH elevado não fecha diagnóstico — é preciso repetir o exame. Com esse raciocínio, você elimina as alternativas precipitadas e chega à correta.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de hipotireoidismo subclínico, siga a sequência lógica: 1) confirmar o diagnóstico (repetir TSH e T4 livre); 2) investigar etiologia (anti-TPO, se indicado); 3) decidir tratamento (levotiroxina em casos específicos). Essa ordem é a chave para acertar a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra A

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