Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg691935
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico do ESF
Paciente com diabetes melito tipo 2 comparece à UBS apresentando prescrição externa de endocrinologista para uso de tirzepatida (Mounjaro®). O paciente faz uso regular de insulina basal (NPH) e solicita orientações sobre a aplicação do novo medicamento. Considerando o uso correto e seguro do Mounjaro® na Atenção Primária à Saúde, assinale a alternativa correta.
ADeve ser aspirado na mesma seringa da insulina para reduzir o número de aplicações.
BPode ser administrado junto com a insulina, desde que aplicado no mesmo local anatômico.
CDeve ser aplicado por via subcutânea, em injeção separada da insulina, sem mistura e em local diferente de aplicação.
DO uso concomitante com insulina é contraindicado em qualquer situação clínica.
EDeve ser administrado exclusivamente em ambiente hospitalar, devido ao risco de hipoglicemia grave.
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GabaritoC — Deve ser aplicado por via subcutânea, em injeção separada da insulina, sem mistura e em local diferente de aplicação.
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Tirzepatida (Mounjaro®) e insulina: administração segura na Atenção Primária
Gabarito: letra C. A tirzepatida é um agonista duplo dos receptores de GIP e GLP-1, administrado por via subcutânea, e não deve ser misturada com insulina na mesma seringa nem aplicada no mesmo local anatômico — a orientação correta é aplicar em injeção separada, em locais diferentes. A alternativa C espelha exatamente essa recomendação de segurança, que consta na bula do medicamento e nas diretrizes de uso de incretinas.
A tirzepatida (Mounjaro®) pertence à classe dos agonistas do receptor de GIP/GLP-1, uma das mais modernas para o tratamento do diabetes melito tipo 2. Ela atua potencializando a secreção de insulina dependente de glicose, reduzindo o glucagon e retardando o esvaziamento gástrico — o que explica seu potente efeito glicêmico e também a perda de peso associada. Por ser um peptídeo, não pode ser administrada por via oral (seria degradada no trato gastrointestinal), sendo a via subcutânea a única forma de administração disponível.
A regra de ouro para o uso concomitante com insulina é a separação absoluta: nunca aspirar os dois medicamentos na mesma seringa, nunca misturá-los e nunca aplicar no mesmo local anatômico. Isso se deve a dois motivos principais: (1) a compatibilidade físico-química entre as duas formulações não é garantida — a mistura pode alterar a estabilidade e a potência de ambos; (2) a aplicação no mesmo local pode causar irritação local, lipodistrofia e interferir na absorção de um dos fármacos. A prática recomendada é aplicar a tirzepatida em uma região (abdome, coxa ou braço) e a insulina em outra, ou, no mínimo, em pontos distantes dentro da mesma região, respeitando o rodízio de locais.
Na prática clínica, o paciente que usa insulina basal (NPH) e inicia tirzepatida deve ser orientado a: aplicar a tirzepatida uma vez por semana, no mesmo dia e horário, por via subcutânea; manter a insulina basal conforme prescrição, com ajuste de dose guiado pela glicemia de jejum; e nunca misturar os dois medicamentos. O risco de hipoglicemia existe, especialmente nas primeiras semanas, mas não contraindica o uso ambulatorial — pelo contrário, a tirzepatida é um medicamento de uso crônico na Atenção Primária, e o acompanhamento regular com educação em saúde é o que garante a segurança.
A pegadinha que a banca explora aqui é a confusão entre "pode ser usado junto" e "pode ser misturado". O uso concomitante com insulina é permitido e até frequente na prática; o que é proibido é a mistura na mesma seringa ou a aplicação no mesmo local. O candidato que sabe que a tirzepatida pode ser associada à insulina pode ser levado a marcar a alternativa B, que afirma ser possível aplicar no mesmo local anatômico — mas isso é justamente o que se deve evitar. Guarde a fronteira: associação é permitida; mistura e mesmo local de aplicação, não.
Tirzepatida + insulina: Associação permitida (Uso ambulatorial crônico, Ajuste guiado pela glicemia); Mistura proibida (Mesma seringa, Compromete estabilidade/potência); Mesmo local anatômico (Irritação local, Lipodistrofia, Interfere na absorção); Via subcutânea (Semanal (tirzepatida), Diária (insulina basal))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a tirzepatida deve ser aspirada na mesma seringa da insulina para reduzir o número de aplicações. Isso é terminantemente proibido: a mistura de dois medicamentos injetáveis na mesma seringa só é aceita quando há compatibilidade físico-química comprovada e recomendação expressa do fabricante, o que não é o caso da tirzepatida com qualquer insulina. A mistura pode comprometer a estabilidade, a potência e a segurança de ambos os fármacos, além de aumentar o risco de erro de dose. A redução do número de aplicações não justifica o risco — a orientação correta é manter as injeções separadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a tirzepatida pode ser administrada junto com a insulina, desde que aplicada no mesmo local anatômico. O erro está na segunda parte: a aplicação no mesmo local anatômico é contraindicada. Embora o uso concomitante seja permitido, as duas injeções devem ser feitas em locais diferentes (por exemplo, uma no abdome e outra na coxa), para evitar irritação local, interferência na absorção e lipodistrofia. A banca troca o conceito de "associação permitida" pelo de "mesmo local de aplicação", que é justamente o que se deve evitar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a orientação correta e segura: a tirzepatida deve ser aplicada por via subcutânea, em injeção separada da insulina, sem mistura e em local diferente de aplicação. Cada medicamento tem sua própria seringa/caneta, seu próprio local de aplicação e seu próprio esquema posológico (a tirzepatida é semanal; a insulina basal, diária). Essa separação garante a estabilidade de cada fármaco, a absorção adequada e a segurança do paciente. É exatamente o que consta na bula do Mounjaro® e nas recomendações de uso de agonistas de GIP/GLP-1.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o uso concomitante com insulina é contraindicado em qualquer situação clínica. Isso é falso: a associação de tirzepatida com insulina basal é permitida e frequente na prática clínica, especialmente em pacientes com DM2 que não atingem metas glicêmicas com a monoterapia. O que se exige é cautela no ajuste de doses (para evitar hipoglicemia) e a separação das aplicações — mas não há contraindicação absoluta. A banca generaliza indevidamente uma situação que, na verdade, é uma indicação comum.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a tirzepatida deve ser administrada exclusivamente em ambiente hospitalar, devido ao risco de hipoglicemia grave. Isso não procede: a tirzepatida é um medicamento de uso ambulatorial e crônico, amplamente utilizado na Atenção Primária à Saúde. O risco de hipoglicemia existe (especialmente quando associada a insulina ou sulfonilureias), mas é manejado com educação do paciente, monitorização glicêmica e ajuste de doses — não com internação hospitalar. A banca cria um distrator absurdo para testar se o candidato sabe que o medicamento é de uso domiciliar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "associação permitida" e "mistura/mesmo local". O candidato que sabe que a tirzepatida pode ser usada com insulina pode marcar a letra B, achando que "junto" significa "no mesmo local". Mas a regra é clara: pode associar, nunca misturar na mesma seringa nem aplicar no mesmo local anatômico. Fique atento a essa troca sutil de termos — é o coração da questão.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de administração de medicamentos injetáveis, memorize o tripé da segurança: (1) via correta (subcutânea, intramuscular, etc.); (2) separação — nunca misturar fármacos diferentes na mesma seringa sem recomendação expressa; (3) rodízio de locais — nunca aplicar no mesmo ponto repetidamente. Se a alternativa falar em "mesma seringa" ou "mesmo local" para dois medicamentos diferentes, desconfie imediatamente: é quase sempre o distrator.
Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente a administração segura da tirzepatida: subcutânea, separada da insulina, sem mistura e em local diferente.