Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg691944
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Gravataí - RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico do ESF
- ALeptospirose.
- BLeishmaniose.
- CHanseníase.
- DPitiríase versicolor.
- EEsporotricose.
GabaritoC — Hanseníase.
Gabarito: letra C. O quadro descrito — placa hipocrômica com hipoestesia/anidrose, espessamento de nervo periférico e déficit motor — é a tríade clássica da hanseníase, doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que acomete pele e nervos periféricos. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos sinais cardinais: lesão cutânea com alteração de sensibilidade e/ou espessamento de nervo.
A hanseníase é uma doença granulomatosa crônica, de evolução lenta, que afeta preferencialmente pele, nervos periféricos e, em formas mais graves, outros órgãos. O M. leprae tem tropismo por células de Schwann e macrófagos cutâneos, o que explica o comprometimento neurológico e dermatológico característico. A resposta imunológica do hospedeiro determina o espectro clínico da doença, que varia da forma tuberculoide (alta imunidade celular, poucos bacilos) à virchowiana (baixa imunidade celular, muitos bacilos).
Na forma tuberculoide, o paciente apresenta forte resposta de imunidade celular, o que limita a multiplicação bacilar. Clinicamente, observa-se lesão cutânea única ou em pequeno número, bem delimitada, frequentemente hipocrômica, com acentuada hipoestesia ou anestesia — facilmente demonstrada pelos testes de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa. A anidrose local ocorre pelo comprometimento das glândulas sudoríparas, e a redução da força muscular decorre do acometimento de nervos periféricos, que podem estar espessados de forma localizada e assimétrica, como o nervo ulnar descrito no caso.
O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais cardinais da doença: (1) lesão(ões) cutânea(s) com diminuição ou perda de sensibilidade; (2) espessamento de nervo(s) periférico(s); e (3) presença de bacilos na baciloscopia (em formas multibacilares). A confirmação pode ser complementada por baciloscopia de esfregaço intradérmico e biópsia de pele, mas a suspeita clínica é o primeiro passo e, no caso apresentado, os achados são suficientes para o diagnóstico.
A pegadinha da questão está em diferenciar a hanseníase de outras dermatoses que também cursam com lesões hipocrômicas, como a pitiríase versicolor. A pitiríase versicolor, causada por fungos do gênero Malassezia, apresenta lesões hipocrômicas com descamação fina, mas não causa alterações de sensibilidade, anidrose, espessamento neural ou déficit motor — esses são os achados que apontam inequivocamente para a hanseníase. As demais alternativas (leptospirose, leishmaniose e esporotricose) não cursam com o padrão neurológico descrito.
Guarde a tríade que decide esta questão: lesão cutânea hipocrômica + alteração de sensibilidade + espessamento de nervo periférico = hanseníase. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
A leptospirose é uma zoonose bacteriana aguda, causada por Leptospira interrogans, transmitida pelo contato com água ou solo contaminados por urina de roedores. O quadro clínico típico é de febre alta, mialgia intensa, cefaleia e, em casos graves, icterícia, insuficiência renal e hemorragias. Não há lesão cutânea hipocrômica crônica, alteração de sensibilidade ou espessamento de nervo periférico — o que afasta completamente essa alternativa.
A leishmaniose tegumentar, causada por protozoários do gênero Leishmania, manifesta-se como úlcera cutânea indolor com bordas elevadas e fundo granuloso, ou lesões mucosas. Não cursa com placa hipocrômica, anidrose, espessamento neural ou déficit motor. O comprometimento neurológico periférico não faz parte do quadro, o que exclui essa opção.
A hanseníase é a doença que melhor explica todos os achados: placa hipocrômica com hipoestesia, anidrose local, redução da força muscular e espessamento do nervo ulnar. O comprometimento de nervos periféricos, com alteração de sensibilidade térmica e dolorosa, é o sinal cardinal que diferencia a hanseníase das demais dermatoses. O diagnóstico é clínico, e os testes de sensibilidade são fundamentais para confirmar a suspeita.
A pitiríase versicolor é uma micose superficial causada por fungos do gênero Malassezia, que cursa com lesões hipocrômicas ou acastanhadas, com descamação fina, principalmente no tronco e membros superiores. Apesar da hipocromia, não há alteração de sensibilidade, anidrose, espessamento neural ou déficit motor — características que a excluem do diagnóstico.
A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo Sporothrix schenckii, geralmente adquirida por inoculação traumática (espinhos, madeira). Manifesta-se como lesão ulcerada ou nodular no local da inoculação, com possível disseminação linfática (padrão esporotricóide). Não há comprometimento neurológico periférico com alteração de sensibilidade ou espessamento neural, o que afasta essa alternativa.
A banca explora a confusão entre lesões hipocrômicas de causas distintas. A pitiríase versicolor (alternativa D) também apresenta placas hipocrômicas, mas sem alteração de sensibilidade, anidrose ou espessamento neural — o que a torna um distrator clássico. O candidato que se fixa apenas na hipocromia pode errar; é preciso valorizar os sinais neurológicos, que são patognomônicos da hanseníase.
Na prova, ao se deparar com uma lesão cutânea hipocrômica, sempre teste a sensibilidade (térmica, tátil e dolorosa) e palpe os nervos periféricos (ulnar, fibular, auricular). Se houver alteração de sensibilidade ou espessamento neural, o diagnóstico é hanseníase até prova em contrário. Essa é a chave para diferenciar de outras dermatoses hipocrômicas.
Gabarito: letra C
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