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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg691950
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico do ESF
Paciente de 70 anos, hipertenso, apresenta déficit neurológico focal súbito há 90 minutos, compatível com AVC isquêmico. Tomografia de crânio sem contraste sem evidência de hemorragia. Durante a avaliação para trombólise intravenosa, qual achado isolado contraindica de forma absoluta a terapia de reperfusão?
  1. ARazão normalizada internacional (INR) maior que 1,5.
  2. BHistórico de infarto agudo do miocárdio nos últimos 4 meses.
  3. CDoença falciforme.
  4. DIdade ≥70 anos.
  5. EPressão arterial de 190 × 110 mmHg, mantida após medidas iniciais.
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GabaritoE — Pressão arterial de 190 × 110 mmHg, mantida após medidas iniciais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trombólise intravenosa no AVC isquêmico: contraindicações absolutas

Gabarito: letra E. A pressão arterial de 190 × 110 mmHg, mantida após medidas iniciais, é uma contraindicação absoluta à terapia de reperfusão, pois o risco de hemorragia intracraniana é elevado. As demais alternativas (INR > 1,5, IAM recente, doença falciforme e idade ≥ 70 anos) não são contraindicações absolutas, sendo algumas delas contraindicações relativas ou situações que exigem avaliação individualizada.

A trombólise intravenosa com alteplase é o tratamento de escolha para o AVC isquêmico agudo dentro da janela terapêutica de 4,5 horas. O objetivo é dissolver o trombo que oclui o vaso cerebral, restaurando o fluxo sanguíneo e limitando a extensão da lesão. No entanto, o medicamento é um potente anticoagulante e, por isso, seu uso é cercado de critérios rígidos de elegibilidade, divididos em contraindicações absolutas (que impedem o tratamento) e relativas (que exigem ponderação entre risco e benefício).

A principal contraindicação absoluta é a presença de hemorragia intracraniana na tomografia, mas há outras condições que também impedem a trombólise. Entre elas, destaca-se a pressão arterial persistentemente elevada, acima de 185 × 110 mmHg, mesmo após tentativa de controle com anti-hipertensivos. A hipertensão arterial não controlada aumenta exponencialmente o risco de transformação hemorrágica do infarto, que é a complicação mais temida da trombólise.

É importante diferenciar as contraindicações absolutas das relativas. As relativas, como infarto agudo do miocárdio recente (nos últimos 3 meses), cirurgia de grande porte recente ou uso de anticoagulantes, não impedem o tratamento de forma categórica, mas exigem que o médico avalie cuidadosamente se o benefício potencial supera o risco de sangramento. Já as absolutas, como a hipertensão não controlada, a hemorragia intracraniana ativa ou a suspeita de dissecção de aorta, tornam o tratamento proibido, independentemente do potencial benefício.

A banca explora exatamente essa distinção: o candidato precisa saber que a pressão arterial elevada e refratária é uma contraindicação absoluta, enquanto outras condições, como idade avançada ou doença falciforme, são apenas relativas ou situações que merecem consideração especial. A pegadinha está em confundir o limiar de INR (que é > 1,7, não > 1,5) e em considerar a idade como contraindicação, quando na verdade a trombólise é recomendada mesmo em pacientes acima de 80 anos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O INR > 1,5 não é uma contraindicação absoluta. O limiar correto é INR > 1,7, conforme as diretrizes de trombólise. Um INR entre 1,5 e 1,7 não impede o tratamento, embora exija cautela. A banca troca o valor limiar para testar o conhecimento do candidato sobre o valor exato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O infarto agudo do miocárdio nos últimos 3 meses é uma contraindicação relativa, não absoluta. A diretriz atual considera que o benefício da trombólise pode superar o risco em muitos casos, especialmente se o infarto foi pequeno e sem complicações. A alternativa erra ao classificar como absoluta uma condição que é relativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença falciforme não é uma contraindicação à trombólise. Pelo contrário, as diretrizes indicam que a trombólise endovenosa pode ser benéfica nesses pacientes (Classe de Recomendação IIa; Nível de Evidência B-NR). A alternativa confunde uma situação que merece consideração especial com uma contraindicação absoluta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A idade ≥ 70 anos não é contraindicação à trombólise. As diretrizes atuais recomendam o tratamento para pacientes acima de 80 anos, inclusive, com benefício comprovado. A idade avançada, isoladamente, não impede a terapia de reperfusão. A alternativa tenta fazer o candidato acreditar que a idade é um fator limitante, o que é incorreto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pressão arterial de 190 × 110 mmHg, mantida após medidas iniciais, é uma contraindicação absoluta à trombólise. O limite é de 185 × 110 mmHg: se a pressão não for reduzida abaixo desse valor com anti-hipertensivos, o risco de hemorragia intracraniana é muito alto, e o tratamento não deve ser realizado. A alternativa descreve exatamente essa situação, com valores acima do limite e refratários ao tratamento inicial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar os valores-limite e inverter a classificação entre contraindicações absolutas e relativas. Nesta questão, o INR > 1,5 (quando o correto é > 1,7) e o IAM recente (que é relativo, não absoluto) são as armadilhas clássicas. Fique atento: a pressão arterial refratária é a única contraindicação absoluta entre as alternativas.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as contraindicações absolutas, lembre-se do mnemônico "Hemorrhage, Hypertension, Hypodensity": hemorragia intracraniana, hipertensão refratária (> 185 × 110 mmHg) e hipodensidade > 1/3 do território da ACM. As demais condições são relativas ou exigem avaliação individualizada.

Gabarito: letra E — a pressão arterial de 190 × 110 mmHg mantida após medidas iniciais é a única contraindicação absoluta à trombólise intravenosa.

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