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Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaEpidemiologia
Código
qg692962
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Pontão - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um paciente de 58 anos, tabagista, com dor torácica atípica, apresenta probabilidade pré-teste de doença arterial coronariana estimada em 30%. Foi realizado teste ergométrico com razão de verossimilhança positiva (LR+) de 5. Qual é a melhor estimativa da probabilidade pós-teste?
  1. A~40%.
  2. B~55%.
  3. C~70%.
  4. D~85%.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ~70%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Probabilidade pós-teste com razão de verossimilhança (Teorema de Bayes)

Gabarito: letra C (~70%). Com probabilidade pré-teste de 30% e LR+ de 5, a probabilidade pós-teste é de aproximadamente 68%, o que corresponde à alternativa C. O cálculo é feito convertendo a probabilidade pré-teste em odds, multiplicando pela razão de verossimilhança e reconvertendo em probabilidade — o método padrão da medicina baseada em evidências.

A razão de verossimilhança (likelihood ratio, LR) é uma medida que quantifica o quanto um resultado de teste altera a probabilidade de uma doença. Para um teste positivo, a LR+ é calculada como sensibilidade dividida por (1 − especificidade). Ela expressa quantas vezes é mais provável que um resultado positivo ocorra em um doente do que em um não doente. Valores de LR+ acima de 1 aumentam a probabilidade pós-teste; quanto maior o valor, maior o impacto. Um LR+ de 5 é considerado moderado — não é um teste excelente (que teria LR+ > 10), mas ainda assim eleva substancialmente a probabilidade.

O processo de atualização da probabilidade segue o teorema de Bayes, que na prática clínica é aplicado em três passos:

  1. Converter probabilidade em odds: odds = probabilidade / (1 − probabilidade). Para 30%, temos odds = 0,30 / 0,70 = 0,4286.

  2. Multiplicar pela razão de verossimilhança: odds pós-teste = odds pré-teste × LR. Assim, 0,4286 × 5 = 2,143.

  3. Converter odds de volta em probabilidade: probabilidade = odds / (1 + odds). Logo, 2,143 / 3,143 ≈ 0,682, ou seja, ~68%.

Esse resultado pode ser obtido rapidamente com o nomograma de Fagan, que é uma régua gráfica que conecta a probabilidade pré-teste ao valor da LR e permite ler diretamente a probabilidade pós-teste. Na prática clínica, esse recurso evita o cálculo manual, mas o raciocínio subjacente é exatamente o descrito.

Um ponto crucial é que a probabilidade pós-teste depende fortemente da probabilidade pré-teste. Um teste com LR+ de 5 aplicado a um paciente com probabilidade pré-teste de 5% resultaria em uma probabilidade pós-teste de aproximadamente 21% — muito menor do que os 68% obtidos com pré-teste de 30%. Isso explica por que testes diagnósticos são mais úteis em pacientes com probabilidade intermediária: é nessa faixa que o resultado do exame tem maior capacidade de mudar a conduta. Em pacientes de baixa probabilidade, mesmo um teste com LR alta não eleva a probabilidade o suficiente para confirmar o diagnóstico; em pacientes de probabilidade muito alta, o teste agrega pouco, pois a conduta já está definida.

A banca explora exatamente a necessidade de dominar o método de conversão probabilidade-odds-probabilidade. As alternativas foram construídas para capturar erros comuns: quem simplesmente soma a probabilidade pré-teste com a LR (30% + 5 = 35%, próximo da letra A), quem aplica uma regra de três simplista ou quem superestima o efeito da LR (chegando à letra D). O candidato que conhece o método de Bayes resolve a questão em menos de um minuto.

Guarde o passo a passo: probabilidade → odds → multiplicar pela LR → odds → probabilidade. É exatamente esse fluxo que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Probabilidade → odds (p/(1−p))
  2. 2Odds × LR+
  3. 3Odds → probabilidade (odds/(1+odds))
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Apresenta ~40%, um valor que subestima claramente o efeito da LR+ de 5. Esse número se aproxima do resultado de quem simplesmente soma a probabilidade pré-teste (30%) com um valor arbitrário, ou de quem aplica a LR de forma incorreta, como se ela fosse um incremento absoluto de pontos percentuais. O cálculo correto, via odds, eleva a probabilidade para ~68%, não para 40%.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Apresenta ~55%, um valor intermediário que ainda subestima o impacto da LR+ de 5. Esse número poderia resultar de um erro na conversão de odds para probabilidade, ou de uma aplicação incorreta do nomograma de Fagan. Com odds pós-teste de 2,143, a probabilidade resultante é de ~68%, não 55%.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Apresenta ~70%, que corresponde exatamente ao resultado do cálculo: probabilidade pré-teste de 30% → odds de 0,4286 → multiplicado por LR+ 5 → odds pós-teste de 2,143 → probabilidade de ~68%, arredondada para ~70%. Este é o valor que se obtém aplicando corretamente o teorema de Bayes, seja pelo cálculo manual, seja pelo nomograma de Fagan.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Apresenta ~85%, um valor que superestima o efeito da LR+ de 5. Esse número poderia resultar de um erro na conversão de probabilidade para odds (por exemplo, usando odds = 1 − probabilidade, ou invertendo a fórmula), ou de uma aplicação incorreta da LR como se fosse um multiplicador direto da probabilidade (30% × 5 = 150%, que seria truncado). O cálculo correto resulta em ~68%, não 85%.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de probabilidade pós-teste, memorize o fluxo: probabilidade → odds (p/(1−p)) → multiplicar pela LR → odds → probabilidade (odds/(1+odds)). Na prova, se o cálculo manual for trabalhoso, use o nomograma de Fagan mentalmente: com pré-teste de 30% e LR+ de 5, a linha reta cruza a escala de probabilidade pós-teste em aproximadamente 68%. Esse valor cai entre 60% e 75%, o que já aponta para a alternativa C sem cálculo exato.

Gabarito: letra C

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