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Questão de Português — Interpretação de Textos — FUNDATEC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg693393
Banca
FUNDATEC
Órgão
SAMAE de Campos Novos - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Assistente Administrativo
Imagem da questão
Sobre a intertextualidade e a intencionalidade discursiva presentes no texto, assinale a alternativa correta.
  1. AO texto vale-se da intertextualidade ao citar episódios da vida de autores renomados, servindo à intenção de desmistificar o “gênio” literário e expor a crônica como um ofício marcado por contingências práticas e crises de inspiração.
  2. BA intertextualidade no texto é construída de forma implícita e crítica, com a intenção de esclarecer a falta de originalidade de Rubem Braga ao se apropriar de textos de Carlos Drummond de Andrade.
  3. CA intenção discursiva do autor é estritamente pedagógica, visando mostrar ao leitor as técnicas para elaborar uma crônica por meio da paráfrase.
  4. DO autor emprega a intertextualidade para estabelecer um confronto estético entre a literatura “deliciosa” do passado e a imprensa contemporânea, tendo como intenção lamentar o fim das “saídas brilhantes” no jornalismo atual.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — O texto vale-se da intertextualidade ao citar episódios da vida de autores renomados, servindo à intenção de desmistificar o “gênio” literário e expor a crônica como um ofício marcado por contingências práticas e crises de inspiração.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intertextualidade e intencionalidade na crônica "Original até no plágio"

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a A, pois o texto, ao narrar episódios da vida de cronistas consagrados (Paulo Mendes Campos, Antonio Maria, Rubem Braga, Fernando Sabino), vale-se da intertextualidade — diálogo com outros textos e autores — para desmistificar a figura do "gênio" literário, mostrando que a crônica é um ofício sujeito a "contingências práticas e crises de inspiração". Essa leitura está ancorada em passagens como "Sabem os cronistas que extremos pode levá-los à obrigação de encher um palmo de jornal e não ter assunto para rechear o espaço" e nos relatos de Braga e Sabino recorrendo a "crônica de segunda mão".

A chave de resolução

O comando pede que se analise a intertextualidade (diálogo entre textos) e a intencionalidade discursiva (a intenção do autor ao produzir o texto). A resposta deve ser provada no texto, não por conhecimento de mundo. Vejamos como cada alternativa se sustenta (ou não) diante do que está escrito.

Intertextualidade
  • 1Explícita (cita autores/obras)
    • Paulo Mendes Campos
    • Antonio Maria
    • Rubem Braga
    • Fernando Sabino
  • 2Implícita (alusão/paródia)
  • 3Intencionalidade discursiva
    • Desmistificar o "gênio" literário
      • Contingências práticas do ofício
      • Crises de inspiração
      • "Crônica de segunda mão"
    • Tom bem-humorado
      • Elogio às "saídas brilhantes"
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que o texto "vale-se da intertextualidade ao citar episódios da vida de autores renomados, servindo à intenção de desmistificar o 'gênio' literário e expor a crônica como um ofício marcado por contingências práticas e crises de inspiração".

Isso está diretamente sustentado no texto:

"Sabem os cronistas que extremos pode levá-los à obrigação de encher um palmo de jornal e não ter assunto para rechear o espaço."

O texto abre com a ideia de que o cronista, mesmo consagrado, enfrenta a falta de assunto — uma "contingência prática" do ofício. Em seguida, narra como Rubem Braga, "mingua de assunto", pediu a Fernando Sabino uma crônica usada, e como Sabino, mais tarde, fez o mesmo pedido a Braga. Esses episódios desmistificam a inspiração como dom divino e mostram que até grandes cronistas recorrem a "crônica de segunda mão". A intertextualidade aqui é explícita (cita autores e obras) e serve à intenção de humanizar o ofício. A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa ideia central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que a intertextualidade é "construída de forma implícita e crítica, com a intenção de esclarecer a falta de originalidade de Rubem Braga ao se apropriar de textos de Carlos Drummond de Andrade".

Erro: contradiz o texto. A intertextualidade no texto é explícita — o autor nomeia os autores e as obras ("a deliciosa 'Vaidades e uma explicação'", "sua impecável 'Amanhecer no Margarida's'", "Carlos Drummond de Andrade"). Além disso, a intenção não é criticar a falta de originalidade de Braga; ao contrário, o texto elogia suas "saídas brilhantes para o sufoco da falta de assunto". O episódio com Drummond é narrado como mais uma "saída brilhante", não como plágio condenável. A alternativa inverte o tom do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a intenção é "estritamente pedagógica, visando mostrar ao leitor as técnicas para elaborar uma crônica por meio da paráfrase".

Erro: extrapola e restringe. O texto não tem finalidade pedagógica; é uma crônica que narra episódios com tom bem-humorado. Não há ensinamento de técnicas de escrita, nem menção a "paráfrase". A palavra "paráfrase" sequer aparece. A alternativa acrescenta informação que não está no texto e restringe a intenção a algo que o autor não externou.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que o autor "emprega a intertextualidade para estabelecer um confronto estético entre a literatura 'deliciosa' do passado e a imprensa contemporânea, tendo como intenção lamentar o fim das 'saídas brilhantes' no jornalismo atual".

Erro: extrapola e tangencia. O texto não estabelece confronto entre passado e presente, nem lamenta o fim de nada. A expressão "deliciosa" é usada para qualificar a crônica de Paulo Mendes Campos, não para contrastar épocas. Não há qualquer menção à "imprensa contemporânea" ou a um suposto declínio. A alternativa foge ao tema ao introduzir uma oposição que o texto não aborda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — alternativas B, C e D acrescentam ideias (crítica, pedagogia, confronto estético) que não estão no texto, tentando fazer o candidato "completar" com conhecimento de mundo. A correta é a que parafraseia o que está escrito.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de intertextualidade, verifique se a referência é explícita (citação, nomeação de autor/obra) ou implícita (alusão, paródia). No texto, a intertextualidade é explícita — isso já elimina a alternativa B.

Gabarito: letra A — a única que se sustenta integralmente no texto, sem acrescentar, restringir ou contradizer o que o autor escreveu.

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