Questão de Português — Interpretação de Textos — FUNDATEC 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
qg693395
Banca
FUNDATEC
Órgão
SAMAE de Campos Novos - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Assistente Administrativo
Assinale a alternativa que apresenta a ideia principal do texto e o recurso argumentativo central empregado pelo autor.
AO texto critica a prática do plágio na imprensa brasileira, utilizando como recurso a comparação entre a originalidade de Carlos Drummond de Andrade e a dependência criativa de Rubem Braga.
BO texto exalta a crônica como um gênero flexível, utilizando argumentos de autoridade de mestres como Braga e Sabino como exemplos de superação criativa.
CO texto revela a natureza prática e as pressões cotidianas do ofício de cronista, valendo-se do recurso da exemplificação por meio de episódios envolvendo escritores renomados.
DO autor critica a pressão profissional em defesa da qualidade literária, estruturando seu pensamento de forma a demonstrar como a falta de assunto compromete a relação entre escritor e leitor.
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GabaritoC — O texto revela a natureza prática e as pressões cotidianas do ofício de cronista, valendo-se do recurso da exemplificação por meio de episódios envolvendo escritores renomados.
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Ideia principal e recurso argumentativo na crônica de Humberto Werneck
Gabarito: letra C. O texto revela a natureza prática e as pressões cotidianas do ofício de cronista, valendo-se do recurso da exemplificação por meio de episódios envolvendo escritores renomados. A tese está na abertura — "Sabem os cronistas que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço" — e todo o desenvolvimento é uma sequência de casos concretos (Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Antonio Maria) que ilustram como esses autores lidaram com a falta de assunto. A alternativa C é a única que captura tanto a ideia principal quanto o recurso central.
O comando pede duas coisas: a ideia principal (a tese do autor) e o recurso argumentativo central (a estratégia usada para sustentá-la). A tese não é uma crítica ao plágio nem uma exaltação genérica do gênero — é a constatação, bem-humorada, de que o cronista vive sob a pressão de "encher o espaço" mesmo sem assunto. O recurso que percorre o texto inteiro é a exemplificação: cada parágrafo narra um episódio real (a crônica da sopa, os impropérios ao leitor, a publicação de crônica alheia) para comprovar a tese.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa extrapola e contradiz o texto. O autor não critica o plágio; ele narra com graça as "saídas brilhantes" dos cronistas, inclusive o caso em que Braga publica crônica de Drummond — tratado como esperteza, não como crime. Além disso, não há comparação entre a "originalidade" de Drummond e a "dependência criativa" de Braga; Drummond é apenas citado como autor da crônica "alheia". O texto diz que Braga "saiu-se ainda mais brilhantemente" ao publicar crônica alheia — o que desmonta a leitura crítica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa tangencia o tema e restringe o alcance. O texto não "exalta a crônica como gênero flexível" — ele fala do ofício e das pressões cotidianas. Também não há "argumentos de autoridade" no sentido técnico (citação de especialistas para validar uma tese); os escritores aparecem como personagens de exemplos, não como autoridades invocadas. A palavra "exalta" embute um juízo de valor que o autor não externa — o tom é de crônica bem-humorada, não de elogio formal ao gênero.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa é uma paráfrase fiel da tese e do recurso. A tese está explícita no primeiro parágrafo: "Sabem os cronistas que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço". O recurso é a exemplificação: o autor conta episódios de Braga, Sabino, Paulo Mendes Campos e Antonio Maria para mostrar como a falta de assunto foi contornada. Cada história é um exemplo que sustenta a ideia central — exatamente o que a alternativa descreve.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa extrapola e acrescenta opinião. O texto não critica "a pressão profissional em defesa da qualidade literária" — não há defesa de qualidade nem crítica; há apenas a narração bem-humorada das saídas criativas. Também não se afirma que a falta de assunto "compromete a relação entre escritor e leitor"; pelo contrário, os episódios mostram cronistas que encantam o leitor justamente nessas crises (como o "Passe mal!"). A relação com o leitor é de cumplicidade, não de comprometimento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com opinião embutida — alternativas que soam plausíveis (crítica ao plágio, exaltação do gênero, defesa da qualidade) mas que o texto não sustenta. A correta é a que não acrescenta nada além do que está escrito.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "ideia principal + recurso", grife a tese (geralmente na introdução) e identifique a estratégia dominante (exemplificação, comparação, argumento de autoridade). Desconfie de alternativas com verbos avaliativos ("critica", "exalta", "defende") que o autor não usou.