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Questão de Português — Interpretação de Textos — FUNDATEC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg693396
Banca
FUNDATEC
Órgão
SAMAE de Campos Novos - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Assistente Administrativo
Imagem da questão
Assinale a alternativa que apresenta mais diretamente a intencionalidade do autor e os efeitos de sentido produzidos pelo texto.
  1. AO autor expõe a falta de ética entre grandes nomes da literatura brasileira, utilizando o episódio da “crônica da sopa” para evidenciar a problemática criativa de autores como Rubem Braga e Fernando Sabino.
  2. BAo relatar o “pesadelo” de produzir uma crônica sem assunto, o autor utiliza uma abordagem para desmistificar o processo criativo, evidenciando que esse gênero é muitas vezes fruto da pressão profissional e do imperativo de preencher espaços midiáticos.
  3. CA narrativa busca comover o leitor através do relato das dificuldades dos cronistas, representadas metaforicamente pela “sopa servida a preço irrisório”, estabelecendo uma crítica social sobre a desvalorização do trabalho intelectual no Brasil.
  4. DO autor utiliza um tom solene e acadêmico para classificar as “saídas brilhantes” de Rubem Braga como técnicas canônicas de escrita, pretendendo indicar que o desrespeito ao leitor é uma das ferramentas mais eficazes do gênero.
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GabaritoB — Ao relatar o “pesadelo” de produzir uma crônica sem assunto, o autor utiliza uma abordagem para desmistificar o processo criativo, evidenciando que esse gênero é muitas vezes fruto da pressão profissional e do imperativo de preencher espaços midiáticos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intencionalidade e efeitos de sentido em "Original até no plágio"

Gabarito: letra B. O texto de Humberto Werneck não denuncia falta de ética nem faz crítica social: ele desmistifica o processo criativo do cronista, mostrando que a crônica muitas vezes nasce da pressão profissional e da obrigação de preencher espaços midiáticos — exatamente o que a alternativa B afirma. A passagem que ancora essa leitura está logo no início:

"Sabem os cronistas que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço."

O autor parte dessa constatação para narrar, com humor, as "saídas brilhantes" de Rubem Braga e Fernando Sabino diante da falta de assunto — o que confirma o tom leve e bem-humorado, não solene nem acadêmico.

A chave de resolução

O comando pede a intencionalidade do autor (o que ele quer com o texto) e os efeitos de sentido (o que o texto provoca no leitor). Isso é tarefa de interpretação: a resposta não está literal, mas é dedução ancorada em pistas do próprio texto. A pista central é o "pesadelo" de produzir crônica sem assunto, mencionado no 1º parágrafo e desenvolvido nas anedotas seguintes. Toda a narrativa gira em torno de como os cronistas contornam a falta de inspiração — não de ética, não de crítica social, não de técnica canônica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa extrapola ao falar em "falta de ética". O texto narra o episódio da "crônica da sopa" como uma brincadeira entre amigos — Rubem Braga pede uma crônica usada a Fernando Sabino, e depois Sabino pede a mesma crônica de volta a Braga. Não há nenhum juízo moral: o autor não condena, não critica, não fala em "falta de ética". O tom é de diversão ("com muita graça", "saídas brilhantes"), não de denúncia. A alternativa acrescenta opinião que o texto não externa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto. Veja as pistas:

"Sabem os cronistas que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço."

Aqui está a tese do texto: o cronista é pressionado a preencher espaço mesmo sem assunto. Em seguida, o autor chama isso de "pesadelo":

"que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos..."

E as anedotas seguintes mostram as "saídas" para esse sufoco — reutilizar crônica, xingar o leitor, publicar crônica alheia. Tudo isso desmistifica a ideia de que a crônica nasce de inspiração pura: ela é fruto da pressão profissional e do imperativo de preencher espaços. A alternativa B parafraseia com fidelidade essa intencionalidade e esses efeitos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa tangencia o tema ao falar em "comover o leitor" e "crítica social sobre a desvalorização do trabalho intelectual". O texto não tem intenção de comover nem de criticar — o tom é de humor e diversão. A "sopa servida a preço irrisório" é apenas o assunto da crônica reutilizada, não uma metáfora de desvalorização. A alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma crítica social que ele não faz.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa contradiz o texto em dois pontos. Primeiro, o tom não é "solene e acadêmico" — é coloquial e bem-humorado ("Passe mal!", "saídas brilhantes", "com muita graça"). Segundo, o texto não classifica as saídas como "técnicas canônicas de escrita" nem defende o "desrespeito ao leitor" como ferramenta eficaz. O episódio dos impropérios contra o leitor é narrado como uma saída engraçada para a falta de assunto, não como uma técnica recomendável. A alternativa troca o sentido do texto ao transformar uma anedota em doutrina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz — como a "falta de ética" (A) ou a "crítica social" (C). Desconfie de alternativas que acrescentam opinião ou mudam o tom (D). A correta é sempre a que parafraseia a tese central, sem acrescentar nada.

PEGA ESSA DICA!

Antes de ler as alternativas, grife a tese do texto (geralmente no 1º parágrafo ou na conclusão). Aqui, a tese é a obrigação de preencher espaço sem assunto — e todas as anedotas são exemplos dela. A alternativa que resume essa tese é a correta.

Gabarito: letra B.

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