Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg693560
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
São condições para avaliação da acurácia da determinação da fluidorresponsividade, EXCETO:
  1. AVolume corrente >8 mL.kg-¹ .
  2. BRitmo cardíaco regular.
  3. CNão possuir baixa complacência pulmonar.
  4. DNão haver insuficiência do ventrículo direito.
  5. ERelação frequência cardíaca/frequência respiratória >5,2.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Relação frequência cardíaca/frequência respiratória >5,2.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fluidorresponsividade: condições para avaliação da acurácia

Gabarito: letra E. A relação frequência cardíaca/frequência respiratória > 5,2 não é uma condição para avaliação da fluidorresponsividade; o que limita a acurácia é uma relação < 3,6 (falso negativo). As demais alternativas (A, B, C e D) descrevem corretamente condições que devem estar presentes para que os índices dinâmicos, como a variação da pressão de pulso (ΔPP) e a variação do volume sistólico (VVS), sejam válidos.

A fluidorresponsividade é a capacidade de o paciente aumentar o volume sistólico (ou débito cardíaco) em resposta à infusão de fluidos. A definição mais aceita é o aumento de 15% do volume sistólico com uma expansão de 500 mL de cristaloide em 10-15 minutos. Essa avaliação é crucial na medicina intensiva, pois a infusão de grandes volumes está correlacionada com piores desfechos. Os métodos de avaliação dividem-se em estáticos (pressão venosa central, diâmetro da veia cava inferior) e dinâmicos (variação da pressão de pulso, variação do volume sistólico, elevação passiva das pernas). Os métodos dinâmicos, baseados na interação coração-pulmão, são preferidos por terem maior acurácia.

Os índices dinâmicos, como a ΔPP e a VVS, foram validados em condições específicas. Para que sejam confiáveis, o paciente deve estar em ventilação mecânica controlada, sem esforço respiratório, com volume corrente > 8 mL/kg, em ritmo cardíaco regular (sinusal), sem disfunção do ventrículo direito (cor pulmonale) e sem baixa complacência pulmonar. A presença de arritmias, baixa complacência pulmonar, disfunção de ventrículo direito e hipertensão intra-abdominal são condições que limitam a acurácia desses índices, gerando resultados falso-positivos ou falso-negativos.

A relação entre frequência cardíaca e frequência respiratória é um critério de validação. Quando essa relação é < 3,6, a variação da pressão de pulso pode gerar falso-negativos, ou seja, o índice pode não identificar um paciente que seria respondedor. Portanto, a condição para uma avaliação adequada é que a relação FC/FR seja ≥ 3,6, e não > 5,2. A alternativa E inverte esse conceito, apresentando um valor que não corresponde a nenhuma condição de validação descrita.

A pegadinha da banca está em trocar o valor da relação FC/FR. O candidato pode confundir o limiar de 3,6 (que é o valor mínimo para a acurácia) com um valor maior, como 5,2, que não tem fundamento na literatura. É essencial memorizar as condições de validação dos índices dinâmicos e os valores de corte que geram falso-positivos e falso-negativos.

Condição para avaliação da fluidorresponsividade

Situação correta (validação)

Situação que limita a acurácia

Volume corrente

> 8 mL/kg

< 8 mL/kg (falso-negativo)

Ritmo cardíaco

Regular (sinusal)

Arritmias (falso-positivo)

Complacência pulmonar

Adequada (não baixa)

Baixa (≤ 30 mL/cmH₂O) (falso-negativo)

Função do ventrículo direito

Sem insuficiência

Disfunção/cor pulmonale (falso-positivo)

Relação FC/FR

≥ 3,6

< 3,6 (falso-negativo)

Alternativa A — ✅ Correta

A alternativa afirma que o volume corrente deve ser > 8 mL/kg. Isso está correto, pois a variação da pressão de pulso e a variação do volume sistólico são validadas em pacientes com volume corrente > 8 mL/kg. Um volume corrente baixo (< 8 mL/kg) é uma condição que limita a acurácia, gerando falso-negativos.

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa afirma que o ritmo cardíaco deve ser regular. Isso está correto, pois a presença de arritmias cardíacas é uma condição que limita a acurácia dos índices dinâmicos, gerando falso-positivos. O ritmo sinusal é um requisito para a correta interpretação da ΔPP e da VVS.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa afirma que o paciente não deve possuir baixa complacência pulmonar. Isso está correto, pois a baixa complacência pulmonar (≤ 30 mL/cmH2O) é uma condição que limita a acurácia, gerando falso-negativos. A complacência pulmonar adequada é necessária para que as variações de pressão intratorácica sejam transmitidas de forma previsível ao coração.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa afirma que não deve haver insuficiência do ventrículo direito. Isso está correto, pois a presença de cor pulmonale ou disfunção ventricular direita é uma condição que limita a acurácia, gerando falso-positivos. A disfunção do ventrículo direito altera a interação coração-pulmão, comprometendo a validade dos índices dinâmicos.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a relação frequência cardíaca/frequência respiratória deve ser > 5,2. Isso está incorreto. A condição de validação é que a relação FC/FR seja ≥ 3,6. Quando a relação é < 3,6, há risco de falso-negativo. O valor 5,2 não corresponde a nenhuma condição descrita na literatura para avaliação da fluidorresponsividade. Portanto, esta é a alternativa que não representa uma condição para a avaliação da acurácia, sendo a resposta correta da questão.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg693560