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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg693561
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Em relação aos efeitos da sobrecarga volêmica, assinale a alternativa correta.
  1. AApenas a hipovolemia é deletéria ao paciente, pois pode causar hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica.
  2. BO excesso de fluídos pode comprometer a função cardíaca, renal, pulmonar e intestinal, podendo levar, inclusive, a fístulas em anastomoses.
  3. CNo sistema ventilatório, acredita-se que o excesso de fluídos seja removido apenas por diferenças de pressão hidrostática.
  4. DA presença de baixo débito urinário (sem a presença de hipovolemia) é preditor de disfunção renal pós-operatória.
  5. EO acúmulo de fluídos no subcutâneo aumenta a tensão de oxigênio tecidual e, consequentemente, a difusão tecidual de oxigênio para as células pela diminuição da distância endotelial.
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GabaritoB — O excesso de fluídos pode comprometer a função cardíaca, renal, pulmonar e intestinal, podendo levar, inclusive, a fístulas em anastomoses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sobrecarga volêmica: efeitos sistêmicos e complicações

Gabarito: letra B. A sobrecarga volêmica (hipervolemia) é deletéria e pode comprometer múltiplos órgãos — coração, rins, pulmões e intestino — podendo inclusive levar a fístulas em anastomoses cirúrgicas. As demais alternativas contêm erros conceituais: a hipovolemia não é a única condição deletéria, a remoção de fluidos no sistema ventilatório não depende apenas de pressão hidrostática, o baixo débito urinário sem hipovolemia não é preditor isolado de disfunção renal pós-operatória, e o acúmulo de fluidos no subcutâneo não aumenta a tensão de oxigênio tecidual.

A sobrecarga volêmica, também chamada de hipervolemia, é o excesso de líquido no compartimento extracelular. Ela ocorre quando a administração de fluidos supera a capacidade de excreção do organismo — situação comum em pacientes graves, com disfunção renal ou submetidos a grandes cirurgias. O corpo humano regula o volume circulante por mecanismos renais e hormonais, mas quando esses mecanismos são sobrecarregados, o excesso de líquido se acumula nos tecidos e cavidades, gerando edema e congestão.

Os efeitos deletérios da hipervolemia são sistêmicos. No coração, o aumento da pré-carga pode levar a insuficiência cardíaca congestiva, com redução do débito cardíaco e congestão pulmonar. Nos rins, a congestão venosa renal reduz a filtração glomerular e pode piorar uma lesão renal pré-existente. Nos pulmões, o acúmulo de líquido intersticial e alveolar compromete a troca gasosa, aumentando o tempo de ventilação mecânica. No intestino, o edema da parede intestinal prejudica a absorção, a motilidade e a perfusão, comprometendo a cicatrização de anastomoses cirúrgicas e aumentando o risco de fístulas — exatamente o que a alternativa B afirma.

A fisiopatologia da lesão intestinal por hipervolemia é particularmente relevante em cirurgia. O edema da parede intestinal aumenta a distância entre os capilares e as células, dificultando a difusão de oxigênio e nutrientes. Isso compromete a síntese de colágeno e a cicatrização da anastomose, tornando-a mais frágil e suscetível a deiscência e fístula. Além disso, a congestão venosa aumenta a pressão hidrostática capilar, o que perpetua o edema e piora a isquemia tecidual.

A alternativa C menciona que a remoção de fluidos no sistema ventilatório ocorre apenas por diferenças de pressão hidrostática — isso é incorreto. A reabsorção do edema pulmonar depende de múltiplos mecanismos, incluindo o transporte ativo de sódio pelos pneumócitos tipo II, que cria um gradiente osmótico que puxa água do alvéolo para o interstício. A pressão hidrostática é apenas um dos fatores envolvidos.

A alternativa D afirma que o baixo débito urinário sem hipovolemia é preditor de disfunção renal pós-operatória. Na prática, o baixo débito urinário é um sinal inespecífico que pode indicar hipovolemia, mas também pode ocorrer em situações de hipervolemia com congestão renal, ou mesmo em resposta ao estresse cirúrgico. Não é um preditor isolado e confiável de disfunção renal pós-operatória.

A alternativa E contém um erro fisiológico: o acúmulo de fluidos no subcutâneo (edema) aumenta a distância entre os capilares e as células, dificultando a difusão de oxigênio. Isso reduz a tensão de oxigênio tecidual, não a aumenta. O edema subcutâneo é, portanto, um fator que prejudica a oxigenação tecidual, não que a melhora.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de conceitos fisiológicos. Na alternativa E, ela afirma que o edema aumenta a tensão de oxigênio tecidual — quando na verdade o edema aumenta a distância de difusão e reduz a oxigenação. Na alternativa C, ela reduz a remoção de fluidos pulmonares a um único mecanismo (pressão hidrostática), ignorando o transporte ativo de sódio. Identificar essas inversões é o segredo para acertar a questão.

Sobrecarga volêmica (hipervolemia)
  • 1Efeitos sistêmicos
    • Coração: ICC, congestão
    • Rins: congestão, ↓ filtração
    • Pulmões: edema, ↓ troca gasosa
    • Intestino: edema, risco de fístula
  • 2Mecanismos de reabsorção pulmonar
    • Pressão hidrostática
    • Transporte ativo de Na+ (pneumócito II)
  • 3Edema subcutâneo
    • Aumenta distância de difusão
    • Reduz tensão de O2 tecidual
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a hipovolemia é deletéria. Isso é falso: a hipervolemia também é deletéria e está associada a maior mortalidade, maior tempo de ventilação mecânica e maior tempo de internação. A hipovolemia causa hipoperfusão, mas a hipervolemia causa congestão e disfunção orgânica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A sobrecarga volêmica compromete a função cardíaca (insuficiência cardíaca congestiva), renal (congestão renal, piora da filtração), pulmonar (edema pulmonar, comprometimento da troca gasosa) e intestinal (edema da parede, má cicatrização). O edema intestinal aumenta o risco de deiscência de anastomose e fístula, como afirma a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Incorreta. A remoção de fluidos no sistema ventilatório não ocorre apenas por diferenças de pressão hidrostática. Envolve também o transporte ativo de sódio pelos pneumócitos tipo II, que cria gradiente osmótico para reabsorver água do alvéolo. A pressão hidrostática é apenas um dos mecanismos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Incorreta. O baixo débito urinário sem hipovolemia não é preditor isolado de disfunção renal pós-operatória. Pode ocorrer por congestão renal (hipervolemia), estresse cirúrgico ou outras causas. A avaliação da função renal pós-operatória deve considerar múltiplos fatores, não apenas o débito urinário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Incorreta. O acúmulo de fluidos no subcutâneo (edema) aumenta a distância entre capilares e células, dificultando a difusão de oxigênio. Isso reduz a tensão de oxigênio tecidual, não a aumenta. O edema subcutâneo prejudica a oxigenação tecidual.

Gabarito: letra B

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