Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg693566
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Em relação à anestesia para procedimentos artroscópicos do ombro, assinale a alternativa correta.
ANos casos de reparo do manguito rotador, há baixos índices de dor pós-operatória, por isso esses pacientes não são expostos aos efeitos colaterais de uso de opioides.
BNão há benefícios nem efetividades da anestesia regional no caso de reparo do manguito rotador.
CDeve-se ressaltar que o uso de bloqueios periféricos não exclui a necessidade de uma analgesia multimodal efetiva em reparo do manguito rotador.
DSugere-se evitar o uso do bloqueio interescalênico para reparo do manguito rotador.
EO bloqueio inadvertido do nervo frênico é o mais indicado, pois não possui nenhuma complicação e/ou efeito colateral associado.
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GabaritoC — Deve-se ressaltar que o uso de bloqueios periféricos não exclui a necessidade de uma analgesia multimodal efetiva em reparo do manguito rotador.
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Anestesia para artroscopia do ombro: bloqueios periféricos e analgesia multimodal
Gabarito: letra C. No reparo artroscópico do manguito rotador, o bloqueio interescalênico é amplamente utilizado e eficaz, mas não substitui a necessidade de uma analgesia multimodal — ou seja, o bloqueio periférico é um componente importante, porém complementar, do controle da dor pós-operatória. A alternativa C reflete exatamente esse princípio: o uso de bloqueios periféricos não exclui a analgesia multimodal efetiva.
A artroscopia do ombro, especialmente o reparo do manguito rotador, é um procedimento associado a dor pós-operatória significativa. O controle inadequado dessa dor pode levar a atraso na reabilitação, cronificação da dor e aumento do consumo de opioides. Por isso, a estratégia moderna de analgesia para esses pacientes é a analgesia multimodal, que combina diferentes classes de fármacos e técnicas com mecanismos de ação distintos e sinérgicos, visando reduzir a dose de cada agente e, consequentemente, os efeitos colaterais.
O bloqueio interescalênico é a técnica de anestesia regional mais estudada e recomendada para cirurgias do ombro. Ele proporciona excelente analgesia no pós-operatório imediato, reduzindo a dor, o consumo de opioides e as náuseas e vômitos. No entanto, o bloqueio interescalênico tem uma particularidade: o bloqueio inadvertido do nervo frênico, que inerva o diafragma, ocorre em praticamente todos os pacientes, levando a uma paresia diafragmática ipsilateral. Isso pode causar desconforto respiratório, especialmente em pacientes com doença pulmonar prévia. Por essa razão, o bloqueio interescalênico deve ser usado com cautela nesse grupo, mas não é contraindicado de forma absoluta.
A analgesia multimodal, por sua vez, é a pedra angular do manejo da dor no perioperatório. Ela envolve a combinação de analgésicos não opioides (paracetamol, dipirona, anti-inflamatórios não esteroides), opioides (quando necessários), adjuvantes (gabapentina, pregabalina, cetamina) e técnicas regionais (bloqueios de nervo periférico, analgesia epidural). O objetivo é otimizar a analgesia e minimizar os efeitos adversos, especialmente os relacionados aos opioides, como depressão respiratória, náuseas, vômitos, prurido e retenção urinária.
A banca explora aqui a complementaridade entre as técnicas: o bloqueio periférico é um excelente adjuvante, mas não é suficiente isoladamente. A alternativa C captura essa ideia com precisão, enquanto as demais distorcem a relação entre as modalidades analgésicas. Guarde esse princípio: bloqueio regional + analgesia multimodal = melhor resultado, nunca um substituindo o outro.
Bloqueio interescalênico (artroscopia do ombro)
1Eficácia comprovada
Excelente analgesia pós-operatória
Reduz consumo de opioides
2Complicação típica
Bloqueio inadvertido do nervo frênico
Paresia diafragmática ipsilateral
Cautela em doença pulmonar prévia
3Complementaridade
Não exclui analgesia multimodal
Combina fármacos e técnicas
Otimiza analgesia, minimiza efeitos adversos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o reparo do manguito rotador tem baixos índices de dor pós-operatória, o que é falso. Na realidade, trata-se de procedimento com dor pós-operatória moderada a intensa, que frequentemente exige o uso de opioides. A premissa da alternativa é incorreta, e a conclusão (não expor aos efeitos colaterais dos opioides) não se sustenta. O manejo adequado busca reduzir o consumo de opioides com analgesia multimodal, mas não eliminá-los completamente em todos os casos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que não há benefícios nem efetividade da anestesia regional no reparo do manguito rotador. Isso contraria a literatura: o bloqueio interescalênico é altamente eficaz para analgesia pós-operatória nessa cirurgia, reduzindo dor, consumo de opioides e melhorando a satisfação do paciente. A anestesia regional é, na verdade, um dos pilares da analgesia multimodal nesse contexto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que o uso de bloqueios periféricos não exclui a necessidade de uma analgesia multimodal efetiva. O bloqueio interescalênico, embora excelente, tem duração limitada (geralmente 12-24 horas) e não cobre toda a evolução da dor pós-operatória. A analgesia multimodal, com analgésicos não opioides, opioides de resgate e adjuvantes, é essencial para o controle da dor após o efeito do bloqueio e para a reabilitação precoce. A frase "não exclui" é a chave: o bloqueio é um componente, não um substituto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere evitar o bloqueio interescalênico para reparo do manguito rotador. Isso é incorreto: o bloqueio interescalênico é a técnica regional de escolha para essa cirurgia, com forte recomendação na literatura. A ressalva é para pacientes com doença pulmonar significativa, devido ao risco de paresia diafragmática, mas não há contraindicação absoluta. A alternativa generaliza uma exceção como regra.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o bloqueio inadvertido do nervo frênico é "o mais indicado" e "não possui nenhuma complicação". Isso é duplamente errado: (1) o bloqueio do frênico é uma complicação (efeito colateral) do bloqueio interescalênico, não uma técnica indicada; (2) ele tem complicações, como paresia diafragmática, que pode causar desconforto respiratório e hipoxemia, especialmente em pacientes com reserva pulmonar reduzida. A alternativa inverte completamente o conceito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de papéis: na alternativa E, o bloqueio do nervo frênico (uma complicação) é apresentado como técnica indicada e sem riscos; na alternativa D, o bloqueio interescalênico (técnica de escolha) é apresentado como algo a evitar. Fique atento: o bloqueio interescalênico é indicado e o bloqueio do frênico é um efeito colateral a ser monitorado, não uma técnica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de anestesia regional, lembre-se do tripé: eficácia comprovada (bloqueio interescalênico no ombro), complicação típica (paresia diafragmática) e complementaridade (analgesia multimodal). Se a alternativa negar qualquer um desses três, ela está errada. Essa estrutura resolve a maioria das questões do tema.