Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693567
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Anestesiologia
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas I e II.
Gabarito: letra D — corretos os itens I e II. A anestesia geral nesses procedimentos está associada a maior incidência de reflexo oculocardíaco no perioperatório e a dor, náuseas e vômitos no pós-operatório (item I), e recomenda-se a injeção de anestésico local de longa duração no espaço subtenoniano ao final do procedimento para prolongar a analgesia (item II). O item III está incorreto porque o tempo de permanência do gás no olho não depende apenas do peso molecular, mas também de outros fatores como a concentração do gás e a vascularização local.
A anestesia para cirurgia de retina e vítreo envolve decisões importantes sobre a técnica a ser empregada — anestesia geral, bloqueio regional (peribulbar, retrobulbar, subtenoniano) ou anestesia tópica — e cada uma tem implicações específicas no perioperatório e pós-operatório. A anestesia geral, embora ofereça imobilidade absoluta do olho, está associada a uma maior incidência de reflexo oculocardíaco, que é uma bradicardia reflexa desencadeada pela tração dos músculos extraoculares ou pressão sobre o globo ocular, mediada pelo nervo vago. Além disso, a anestesia geral aumenta o risco de náuseas e vômitos no pós-operatório, o que é particularmente problemático nesses pacientes, pois o vômito pode elevar a pressão intraocular e comprometer o resultado cirúrgico.
O reflexo oculocardíaco é uma preocupação central nesse tipo de cirurgia. Ele é desencadeado por estímulos como tração dos músculos extraoculares, pressão sobre o globo ocular ou manipulação da órbita, e resulta em bradicardia, que pode evoluir para arritmias ou até assistolia em casos graves. A anestesia geral não elimina esse reflexo; na verdade, a manipulação cirúrgica durante a vitrectomia ou a cirurgia de retina pode desencadeá-lo, exigindo vigilância constante do anestesiologista. O tratamento imediato inclui a interrupção do estímulo e a administração de anticolinérgicos como a atropina.
No que diz respeito à analgesia pós-operatória, a recomendação de injetar anestésico local de longa duração no espaço subtenoniano ao final do procedimento é uma prática bem estabelecida. O espaço subtenoniano é um espaço virtual entre a esclera e a cápsula de Tenon, e a injeção de anestésico nesse local proporciona analgesia eficaz sem os riscos associados ao bloqueio retrobulbar, como a punção do nervo óptico ou a injeção intravascular. Essa técnica é segura e eficaz, e o uso de anestésicos de longa duração, como a bupivacaína ou a ropivacaína, pode prolongar a analgesia por várias horas, reduzindo a necessidade de opioides no pós-operatório.
O item III aborda o tempo de permanência do gás no olho, que é um aspecto crítico em cirurgias de retina e vítreo, especialmente quando se utiliza tamponamento interno com gases expansíveis, como o hexafluoreto de enxofre (SF6) ou o perfluoropropano (C3F8). O tempo de permanência do gás no olho é influenciado por vários fatores, incluindo o peso molecular do gás, a concentração utilizada, a vascularização da coroide e a presença de afacia (ausência do cristalino). Gases de maior peso molecular, como o C3F8, permanecem mais tempo no olho do que gases de menor peso molecular, como o SF6, mas a afirmação de que depende apenas do peso molecular é incorreta, pois outros fatores também são determinantes.
A compreensão desses conceitos é essencial para a prática anestésica em oftalmologia, e a banca explora exatamente a distinção entre o que é verdadeiro e o que é uma simplificação excessiva. O item III é um exemplo clássico de generalização indevida, pois ignora a complexidade dos fatores que influenciam a absorção do gás. Guarde essa distinção: enquanto os itens I e II refletem recomendações e observações clínicas bem fundamentadas, o item III apresenta uma afirmação incompleta e, portanto, incorreta.
A anestesia geral em cirurgia de retina e vítreo está associada a maior incidência de reflexo oculocardíaco no perioperatório, devido à manipulação dos músculos extraoculares e do globo ocular, e a dor, náuseas e vômitos no pós-operatório, que são efeitos adversos comuns da anestesia geral. Essa assertiva está correta e reflete a prática clínica.
A recomendação de injetar anestésico local de longa duração no espaço subtenoniano ao final do procedimento, independentemente da técnica anestésica empregada, é uma prática recomendada para aumentar o tempo de analgesia pós-operatória. Essa técnica é segura e eficaz, e o uso de anestésicos de longa duração prolonga o alívio da dor.
O tempo de permanência do gás no olho não depende apenas do peso molecular do gás. Embora o peso molecular seja um fator importante, outros fatores como a concentração do gás, a vascularização da coroide e a presença de afacia também influenciam o tempo de permanência. A afirmação é uma generalização indevida e, portanto, incorreta.
Conclusão: Corretos: I e II → portanto a alternativa é a letra D.
Gabarito: letra D
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