Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg693573
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Qual é a escala que mistura as variáveis clínicas a alguns testes de função pulmonar na estimativa do risco das complicações pulmonares no pós-operatório e é usada exclusivamente para cirurgias torácicas?
AEscala de risco de Torrington e Henderson.
BEscala de Borg.
CEscala de Framingham.
DEscala de Glasgow.
EEscala de risco MEOWS.
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GabaritoA — Escala de risco de Torrington e Henderson.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Escalas de risco em cirurgia torácica
Gabarito: letra A. A Escala de risco de Torrington e Henderson é a ferramenta que combina variáveis clínicas com testes de função pulmonar (espirometria) para estimar o risco de complicações pulmonares pós-operatórias, sendo aplicada especificamente em cirurgias torácicas. As demais escalas têm finalidades distintas: Borg mede dispneia, Framingham estima risco cardiovascular, Glasgow avalia nível de consciência e MEOWS rastreia deterioração clínica em obstetrícia.
A avaliação pré-operatória de pacientes candidatos a cirurgias torácicas, especialmente ressecções pulmonares como pneumonectomia e lobectomia, exige uma estimativa precisa do risco de complicações pulmonares no pós-operatório. Diferentemente de cirurgias abdominais ou cardíacas, onde o risco cardiovascular predomina, na cirurgia torácica o foco recai sobre a função pulmonar residual após a ressecção. É nesse contexto que a Escala de Torrington e Henderson se destaca: ela integra dados clínicos — como idade, presença de tosse produtiva, tabagismo e obesidade — com resultados de espirometria, particularmente o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e a relação VEF1/CVF. Essa combinação permite estimar a função pulmonar pós-operatória prevista e, assim, identificar pacientes com maior risco de complicações como atelectasia, pneumonia e insuficiência respiratória.
A importância dessa escala reside no fato de que a cirurgia torácica aberta está associada a uma redução de até 50% na capacidade vital e na capacidade residual funcional, devido à diminuição da complacência pulmonar, disfunção diafragmática e dor. Além disso, a ventilação monopulmonar durante o procedimento gera uma fisiopatologia complexa que pode levar à lesão pulmonar aguda. Portanto, a estratificação pré-operatória é crucial para decidir sobre a viabilidade da cirurgia e para planejar estratégias de prevenção, como controle álgico rigoroso e ventilação protetora.
É fundamental distinguir a Escala de Torrington e Henderson de outras ferramentas de avaliação de risco cirúrgico. Enquanto escores como ASA, POSSUM e Goldman avaliam o risco global de morbimortalidade cirúrgica ou especificamente o risco cardiovascular, a escala de Torrington e Henderson é direcionada exclusivamente para complicações pulmonares em cirurgias torácicas. Essa especificidade é o que a torna única e a resposta correta para a questão.
A pegadinha da banca está em oferecer escalas conhecidas de outras áreas, como a de Glasgow (neurologia) e a de Framingham (cardiologia), para testar se o candidato conhece a aplicação específica de cada uma. O candidato que não domina a avaliação pré-operatória em cirurgia torácica pode facilmente confundir a escala de risco pulmonar com outras ferramentas de estratificação de risco.
Escalas de risco: Torrington e Henderson (Cirurgia torácica, Risco pulmonar pós-operatório, Variáveis clínicas + espirometria (VEF1, CVF)); Borg (Dispneia e fadiga); Framingham (Risco cardiovascular); Glasgow (Nível de consciência); MEOWS (Deterioração clínica obstétrica)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Escala de risco de Torrington e Henderson é exatamente a ferramenta descrita no enunciado: ela combina variáveis clínicas (idade, tabagismo, tosse, obesidade) com testes de função pulmonar (VEF1, CVF) para estimar o risco de complicações pulmonares pós-operatórias, sendo utilizada especificamente em cirurgias torácicas. Essa escala é uma ferramenta clássica na avaliação pré-operatória de pacientes candidatos a ressecções pulmonares.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A Escala de Borg é utilizada para avaliar a percepção subjetiva de dispneia e fadiga durante o exercício, não para estimar risco de complicações pulmonares pós-operatórias. Ela é uma escala de esforço percebido, frequentemente usada em testes de caminhada e reabilitação pulmonar, mas não tem relação com a estratificação de risco cirúrgico em cirurgia torácica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Escala de Framingham é um modelo de predição de risco cardiovascular, utilizado para estimar a probabilidade de eventos como infarto e acidente vascular cerebral em 10 anos. Ela não avalia risco pulmonar e não é utilizada em cirurgias torácicas. A banca a incluiu como distrator para confundir com escalas de risco cardiovascular, que são comuns na avaliação pré-operatória de outras cirurgias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A Escala de Glasgow (Escala de Coma de Glasgow) é utilizada para avaliar o nível de consciência em pacientes com lesão cerebral, sendo amplamente empregada em neurologia e emergências. Ela não tem qualquer relação com a avaliação de risco pulmonar ou com cirurgias torácicas. É um distrator clássico, pois é uma escala muito conhecida, mas com finalidade completamente diferente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A Escala de risco MEOWS (Modified Early Obstetric Warning Score) é um sistema de alerta precoce utilizado para rastrear deterioração clínica em pacientes obstétricas, monitorando sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e nível de consciência. Ela não é utilizada para estimar risco de complicações pulmonares em cirurgias torácicas, sendo um distrator que testa o conhecimento sobre escalas de alerta precoce em contextos específicos.