Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693582
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Anestesiologia
- AV – V – F.
- BV – F – F.
- CV – V – V.
- DF – V – F.
- EF – F – V.
GabaritoA — V – V – F.
Gabarito: letra A (V – V – F). As duas primeiras assertivas estão corretas: o bevacizumabe, por seu mecanismo antiangiogênico, exige intervalo de 4 a 8 semanas antes da cirurgia para reduzir risco de sangramento e complicações da ferida operatória; e a cardiotoxicidade de antraciclinas como a doxorrubicina justifica avaliação cardiológica, incluindo ecocardiograma, antes de cirurgias de grande porte. A terceira assertiva é falsa, pois disfunção hepática e renal alteram o metabolismo e a excreção de fármacos, exigindo ajuste de doses e escolha criteriosa de anestésicos e bloqueadores neuromusculares.
O preparo pré-operatório do paciente oncológico é um campo de interseção entre oncologia, anestesiologia e cirurgia. O objetivo é identificar e minimizar riscos que possam comprometer o resultado cirúrgico ou a segurança do paciente, considerando os efeitos tardios do tratamento antineoplásico. Três eixos são centrais: o manejo de terapias-alvo e imunobiológicos, a avaliação cardiovascular diante de quimioterápicos cardiotóxicos e a adequação da farmacologia anestésica às funções orgânicas.
O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal anti-VEGF (fator de crescimento do endotélio vascular). Ao bloquear a angiogênese, ele compromete a formação de novos vasos e a estabilidade vascular, o que aumenta o risco de sangramento e prejudica a cicatrização. Por isso, a recomendação é suspender o fármaco com antecedência — o intervalo de 4 a 8 semanas é o consagrado na prática clínica para permitir a recuperação da integridade vascular antes da cirurgia. Essa é uma das principais causas de adiamento cirúrgico em pacientes com câncer colorretal metastático, por exemplo, em que o bevacizumabe é amplamente utilizado.
A cardiotoxicidade é um efeito adverso bem documentado de algumas quimioterapias, especialmente das antraciclinas, como a doxorrubicina e a epirrubicina. O dano pode ser agudo ou crônico, manifestando-se como disfunção ventricular esquerda, insuficiência cardíaca ou arritmias. O efeito depressor da anestesia no miocárdio pode desmascarar uma disfunção subclínica, transformando um paciente assintomático em um caso de instabilidade hemodinâmica intraoperatória. Por isso, a avaliação cardiológica pré-operatória, incluindo ecocardiograma, é recomendada para cirurgias de grande porte em pacientes expostos a esses agentes.
A disfunção hepática e renal tem impacto direto na farmacocinética dos fármacos anestésicos. O fígado é responsável pelo metabolismo de muitos anestésicos e relaxantes musculares, enquanto os rins excretam seus metabólitos ativos. Na insuficiência hepática, a depuração de fármacos como o propofol, o midazolam e os opioides pode estar reduzida, prolongando seu efeito. Na insuficiência renal, a excreção de relaxantes musculares como o rocurônio e o cisatracúrio pode estar comprometida, aumentando o risco de bloqueio neuromuscular residual. Portanto, a escolha e a dose desses fármacos devem ser ajustadas conforme a função orgânica, contrariando a assertiva III.
A pegadinha da banca está em inverter o senso comum: muitos candidatos podem pensar que "o paciente oncológico já está debilitado, então qualquer ajuste é desnecessário" ou que "a função hepática e renal não interfere na anestesia". Na verdade, é exatamente o oposto — a disfunção orgânica é um dos principais fatores que determinam a escolha dos fármacos anestésicos. Guarde a fronteira entre o que é verdadeiro (I e II) e o que é falso (III): é nela que as alternativas se dividem.
A afirmação está correta. O bevacizumabe, ao inibir o VEGF, compromete a angiogênese e a estabilidade vascular, aumentando o risco de sangramento e de deiscência da ferida operatória. O intervalo recomendado entre a última dose e a cirurgia é de 4 a 8 semanas, permitindo que o efeito antiangiogênico diminua e a vasculatura se recupere. Esse é um cuidado essencial em cirurgias oncológicas, especialmente as de grande porte.
A afirmação está correta. A doxorrubicina é uma antraciclina com cardiotoxicidade conhecida, podendo causar disfunção ventricular esquerda, muitas vezes subclínica. O efeito depressor da anestesia no miocárdio pode desmascarar essa disfunção, levando a complicações intraoperatórias. Por isso, a ecocardiografia pré-operatória é recomendada para cirurgias de grande porte em pacientes expostos a quimioterápicos cardiotóxicos, permitindo avaliar a função ventricular e planejar a conduta anestésica.
A afirmação está incorreta. A disfunção hepática e renal influencia diretamente a escolha e a dose de fármacos anestésicos e relaxantes musculares. No fígado, ocorre o metabolismo de muitos anestésicos; nos rins, a excreção de seus metabólitos. Na insuficiência hepática, a depuração de fármacos como propofol e opioides pode estar reduzida; na insuficiência renal, a excreção de relaxantes musculares como rocurônio pode estar comprometida. Portanto, ajustes de dose e escolha criteriosa são fundamentais para evitar efeitos prolongados e complicações.
Para questões de preparo pré-operatório oncológico, lembre-se dos três pilares: (1) terapias-alvo como bevacizumabe exigem intervalo de 4-8 semanas; (2) antraciclinas como doxorrubicina demandam avaliação cardiológica com ecocardiograma para cirurgias de grande porte; (3) disfunção hepática e renal sempre influenciam a escolha e dose de anestésicos e relaxantes musculares. Esses três pontos são recorrentes em provas de oncologia e anestesiologia.
Gabarito: letra A (V – V – F).
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