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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg693605
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia
Qual é a cardiopatia congênita cianogênica que mais frequentemente descompensa no período neonatal?
  1. AComunicação interventricular pequena.
  2. BCanal arterial pérvio pequeno.
  3. CTetralogia de Fallot clássica.
  4. DEstenose pulmonar leve.
  5. ETransposição das grandes artérias simples.
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GabaritoE — Transposição das grandes artérias simples.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cardiopatias congênitas cianogênicas no período neonatal

Gabarito: letra E. A transposição das grandes artérias (TGA) simples é a cardiopatia congênita cianogênica que mais frequentemente descompensa no período neonatal, pois as circulações sistêmica e pulmonar correm em paralelo, e a sobrevida depende da mistura entre elas (shunt atrial, ventricular ou canal arterial). As demais opções ou não são cianogênicas (CIV pequena, PCA pequeno, estenose pulmonar leve) ou, como a tetralogia de Fallot clássica, costumam se manifestar com cianose mais tardia, após o período neonatal.

A transposição das grandes artérias é uma cardiopatia congênita cianogênica em que há uma discordância ventrículo-arterial: a aorta origina-se do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo. Isso faz com que o sangue venoso sistêmico (pobre em oxigênio) retorne ao átrio direito, vá para o ventrículo direito e seja bombeado diretamente para a aorta, sem passar pelos pulmões. Simultaneamente, o sangue oxigenado que retorna dos pulmões ao átrio esquerdo vai para o ventrículo esquerdo e é bombeado de volta aos pulmões. Assim, as circulações sistêmica e pulmonar funcionam em paralelo, e não em série como no coração normal. A oxigenação dos tecidos depende, então, da existência de comunicações entre as duas circulações — forame oval patente, comunicação interventricular ou canal arterial — que permitam a mistura do sangue oxigenado com o não oxigenado.

No período neonatal, a TGA simples (sem comunicação interventricular associada) é a cardiopatia cianogênica que mais frequentemente leva à descompensação grave. Isso ocorre porque, ao nascimento, o canal arterial e o forame oval começam a se fechar fisiologicamente nas primeiras horas ou dias de vida, reduzindo as oportunidades de mistura entre as circulações. Sem mistura adequada, o recém-nascido desenvolve hipoxemia grave e acidose metabólica rapidamente, exigindo intervenção imediata, como a infusão de prostaglandina E1 para manter o canal arterial aberto e, posteriormente, a atriosseptostomia com balão (procedimento de Rashkind) para criar ou ampliar uma comunicação interatrial.

A tetralogia de Fallot, embora seja a cardiopatia cianogênica mais comum, geralmente não descompensa no período neonatal. A cianose clássica da tetralogia costuma aparecer após os primeiros meses de vida, quando a estenose infundibular da via de saída do ventrículo direito se torna mais acentuada. No período neonatal, muitos recém-nascidos com tetralogia de Fallot podem até apresentar-se acianóticos ou com cianose leve, pois o fluxo pulmonar ainda é relativamente preservado. As crises de hipóxia ("crises de Fallot") são mais típicas entre 2 e 6 meses de idade. Já as cardiopatias acianogênicas, como comunicação interventricular pequena, canal arterial pérvio pequeno e estenose pulmonar leve, não causam cianose, pois não há shunt direito-esquerdo significativo; a passagem de sangue é predominantemente da esquerda para a direita (ou há obstrução leve sem repercussão hemodinâmica importante).

A distinção fundamental entre as cardiopatias cianogênicas que descompensam no período neonatal e as que se manifestam mais tardiamente está na dependência da mistura das circulações. Na TGA, a cianose é precoce e grave porque as circulações são paralelas e a mistura é limitada. Na tetralogia de Fallot, a cianose é progressiva e relacionada ao grau de obstrução da via de saída do ventrículo direito. A banca explora exatamente essa diferença: o candidato que associa "cardiopatia cianogênica" automaticamente à tetralogia de Fallot erra a questão, pois a pergunta é específica sobre a descompensação no período neonatal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "cardiopatia cianogênica" e "tetralogia de Fallot". A tetralogia é a cianogênica mais comum, mas não é a que mais descompensa no período neonatal — a TGA simples é. A cianose da tetralogia clássica costuma aparecer após o período neonatal, enquanto a TGA descompensa já nos primeiros dias de vida pela dependência crítica da mistura das circulações paralelas.

Cardiopatias congênitas
  • 1Cianogênicas
    • TGA simples
      • Descompensa no neonatal (circulações paralelas)
    • Tetralogia de Fallot
      • Cianose tardia (após período neonatal)
  • 2Acianogênicas
    • CIV pequena
    • PCA pequeno
    • Estenose pulmonar leve
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A comunicação interventricular (CIV) pequena é uma cardiopatia acianogênica. O shunt é predominantemente esquerda-direita, pois a pressão no ventrículo esquerdo é maior que no direito. Não há passagem de sangue não oxigenado para a circulação sistêmica, portanto não causa cianose. Além disso, uma CIV pequena tem repercussão hemodinâmica mínima e raramente descompensa no período neonatal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O canal arterial pérvio (PCA) pequeno também é uma cardiopatia acianogênica. O shunt é da aorta para a artéria pulmonar (esquerda-direita), pois a pressão aórtica é maior que a pulmonar. Não causa cianose. Um PCA pequeno pode até ser assintomático no período neonatal; a descompensação por insuficiência cardíaca é mais comum em prematuros com PCA de grande diâmetro, mas mesmo assim não é uma cardiopatia cianogênica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A tetralogia de Fallot clássica é uma cardiopatia cianogênica, mas não é a que mais frequentemente descompensa no período neonatal. A cianose típica da tetralogia aparece geralmente após os primeiros meses de vida, quando a estenose infundibular se acentua. No período neonatal, muitos pacientes podem estar acianóticos ou com cianose leve. As crises de hipóxia são mais comuns entre 2 e 6 meses. A descompensação neonatal grave é mais característica da TGA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A estenose pulmonar leve é uma cardiopatia acianogênica. A obstrução leve da via de saída do ventrículo direito não é suficiente para causar shunt direito-esquerda significativo ou cianose. A estenose pulmonar crítica ou grave pode causar cianose, mas a forma leve não. Além disso, não é uma causa frequente de descompensação neonatal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A transposição das grandes artérias (TGA) simples é a cardiopatia congênita cianogênica que mais frequentemente descompensa no período neonatal. Na TGA, a aorta origina-se do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo, resultando em circulações sistêmica e pulmonar em paralelo. A oxigenação depende da mistura entre as circulações, que ocorre através do forame oval, comunicação interventricular ou canal arterial. Com o fechamento fisiológico dessas estruturas nos primeiros dias de vida, a mistura diminui, levando a hipoxemia grave e acidose. Por isso, a TGA simples é uma emergência neonatal que exige diagnóstico e intervenção imediatos.

Gabarito: letra E

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