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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026

MedicinaUrologia
Código
qg693621
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Um paciente de 58 anos, previamente submetido a três cirurgias de correção de hérnia inguinal bilateral recorrente, retorna ao consultório com queixa de dor testicular intensa iniciada há três dias. Ao exame físico, o testículo direito encontra-se aumentado de volume, endurecido e extremamente doloroso à palpação. O paciente relata que a dor começou gradualmente e piorou progressivamente desde a última cirurgia, realizada 5 dias antes. Ele manifesta preocupação devido ao inchaço e ao desconforto. Diante do caso, o cirurgião considera o diagnóstico de orquite isquêmica. Com base no caso descrito e nas informações fornecidas no texto, assinale a alternativa correta.
  1. AA orquite isquêmica geralmente ocorre devido à trombose das grandes veias dentro do plexo pampiniforme e leva à necrose testicular em 95% dos casos.
  2. BA orquiectomia é o tratamento de escolha para os casos de orquite isquêmica diagnosticados precocemente, pois evita o surgimento de atrofia testicular.
  3. CO principal mecanismo fisiopatológico da orquite isquêmica é a insuficiência arterial causada pela ligadura inadvertida das artérias deferenciais.
  4. DA atrofia testicular devido à orquite isquêmica pode ser evitada utilizando-se especialmente anti-inflamatórios e analgésicos, independentemente de critérios técnicos durante a cirurgia.
  5. EO reparo de hérnias recorrentes, principalmente usando abordagens anteriores, aumenta o risco de orquite isquêmica devido ao possível comprometimento vascular no cordão espermático.
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GabaritoE — O reparo de hérnias recorrentes, principalmente usando abordagens anteriores, aumenta o risco de orquite isquêmica devido ao possível comprometimento vascular no cordão espermático.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orquite isquêmica pós-hernioplastia

Gabarito: letra E. A orquite isquêmica é uma complicação da cirurgia de hérnia inguinal, especialmente nas recidivadas e nas abordagens anteriores, decorrente do comprometimento vascular do cordão espermático — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas erram ao atribuir a causa à trombose venosa, indicar orquiectomia como tratamento precoce, apontar a ligadura das artérias deferenciais como mecanismo principal ou sugerir que anti-inflamatórios e analgésicos previnem a atrofia independentemente da técnica cirúrgica.

A orquite isquêmica é uma complicação temida da hernioplastia inguinal. Ela ocorre quando o fluxo sanguíneo testicular é comprometido durante a dissecção do cordão espermático, levando a isquemia, dor, aumento de volume e endurecimento do testículo, podendo evoluir para atrofia. O mecanismo central é a insuficiência venosa — não arterial —, causada por trombose ou lesão das veias do plexo pampiniforme, que são mais vulneráveis à manipulação cirúrgica do que as artérias. A artéria testicular, por ser mais calibrosa e resistente, raramente é lesada diretamente; quando isso ocorre, a consequência é a necrose testicular aguda, um evento muito mais grave e imediato.

O risco é particularmente elevado em hérnias recorrentes, pois a cirurgia prévia já deixou cicatrizes e aderências que distorcem a anatomia do cordão. As abordagens anteriores (como a clássica de Shouldice ou Bassini) exigem maior dissecção do cordão, aumentando a chance de lesão vascular. Por isso, em casos de recidiva, muitos cirurgiões preferem a via posterior (pré-peritoneal) ou laparoscópica, que evita a manipulação direta do cordão.

O diagnóstico é clínico: dor testicular intensa, aumento de volume e endurecimento, geralmente iniciados nos primeiros dias após a cirurgia. O tratamento é conservador, com anti-inflamatórios, analgésicos, elevação escrotal e repouso. A orquiectomia só é indicada em casos de necrose testicular franca, que é rara. A atrofia testicular, quando ocorre, é uma sequela tardia e não pode ser prevenida apenas com medicamentos — a prevenção está na técnica cirúrgica meticulosa, preservando as estruturas do cordão.

A pegadinha da banca está em inverter o mecanismo fisiopatológico: a alternativa C fala em "insuficiência arterial" e "ligadura das artérias deferenciais", quando o correto é o comprometimento venoso. As artérias deferenciais são pequenas e sua ligadura isolada não compromete a irrigação testicular, que é garantida principalmente pela artéria testicular (originada da aorta) e pela artéria do cremaster. A alternativa A erra ao falar em "trombose das grandes veias" e "necrose em 95%" — a trombose ocorre nas pequenas veias do plexo pampiniforme e a necrose é exceção, não regra. A alternativa B erra ao indicar orquiectomia como tratamento precoce, quando o manejo é conservador. A alternativa D erra ao sugerir que medicamentos previnem a atrofia independentemente da técnica cirúrgica — a prevenção é cirúrgica.

Guarde a fronteira entre isquemia venosa (orquite isquêmica) e isquemia arterial (necrose testicular): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Orquite isquêmica
  • 1Mecanismo
    • Insuficiência venosa
    • Trombose do plexo pampiniforme
  • 2Fatores de risco
    • Hérnia recorrente
    • Abordagem anterior
  • 3Evolução
    • Atrofia testicular tardia
  • 4Tratamento
    • Conservador (anti-inflamatórios)
  • 5Necrose testicular
    • Mecanismo
      • Lesão arterial
    • Evolução
      • Necrose aguda
    • Tratamento
      • Orquiectomia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a orquite isquêmica ocorre por trombose das "grandes veias" do plexo pampiniforme e leva à necrose em 95% dos casos. Há dois erros: (1) a trombose ocorre nas pequenas veias do plexo, não nas grandes; (2) a necrose testicular é uma complicação rara, não a regra — a maioria dos casos evolui com atrofia testicular, não com necrose. A necrose aguda seria consequência de lesão arterial, não venosa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Indica a orquiectomia como tratamento de escolha para casos diagnosticados precocemente. O tratamento da orquite isquêmica é conservador: anti-inflamatórios, analgésicos, elevação escrotal e repouso. A orquiectomia é reservada para casos de necrose testicular franca, que é rara e não é prevenida pelo diagnóstico precoce — pelo contrário, o diagnóstico precoce permite o manejo conservador e evita a perda do testículo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o mecanismo principal é a insuficiência arterial por ligadura das artérias deferenciais. O mecanismo central da orquite isquêmica é a insuficiência venosa por trombose ou lesão das veias do plexo pampiniforme. As artérias deferenciais são pequenas e sua ligadura isolada não compromete a irrigação testicular, que é mantida pela artéria testicular e pela artéria do cremaster. A lesão arterial, quando ocorre, causa necrose aguda, não orquite isquêmica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sugere que a atrofia testicular pode ser evitada com anti-inflamatórios e analgésicos, independentemente de critérios técnicos. Os medicamentos tratam os sintomas (dor e inflamação), mas não previnem a atrofia. A prevenção da atrofia depende da técnica cirúrgica meticulosa, preservando as estruturas vasculares do cordão espermático durante a dissecção. A alternativa tenta desvincular o resultado do ato cirúrgico, o que é falso.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o reparo de hérnias recorrentes, principalmente com abordagens anteriores, aumenta o risco de orquite isquêmica devido ao possível comprometimento vascular do cordão espermático. Isso está correto: a cirurgia prévia gera cicatrizes e aderências que distorcem a anatomia, e as abordagens anteriores exigem maior dissecção do cordão, aumentando o risco de lesão das veias do plexo pampiniforme. É exatamente por isso que, em hérnias recidivadas, muitos cirurgiões optam por vias posteriores ou laparoscópicas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter o mecanismo fisiopatológico: troca a insuficiência venosa (correta) pela arterial (errada), como na alternativa C. Lembre-se: a orquite isquêmica é um problema de drenagem venosa, não de aporte arterial. A artéria testicular é resistente e raramente lesada; as veias do plexo pampiniforme são frágeis e vulneráveis à manipulação. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, compare os dois mecanismos:

Critério

Orquite isquêmica

Necrose testicular

Vaso comprometido

Veias do plexo pampiniforme

Artéria testicular

Mecanismo

Trombose/lesão venosa

Ligadura/lesão arterial

Evolução

Atrofia testicular (tardia)

Necrose aguda

Tratamento

Conservador

Orquiectomia

Prevenção

Técnica cirúrgica cuidadosa

Técnica cirúrgica cuidadosa

Gabarito: letra E

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