Um paciente de 58 anos, previamente submetido a três cirurgias de correção de hérnia inguinal bilateral recorrente, retorna ao consultório com queixa de dor testicular intensa iniciada há três dias. Ao exame físico, o testículo direito encontra-se aumentado de volume, endurecido e extremamente doloroso à palpação. O paciente relata que a dor começou gradualmente e piorou progressivamente desde a última cirurgia, realizada 5 dias antes. Ele manifesta preocupação devido ao inchaço e ao desconforto. Diante do caso, o cirurgião considera o diagnóstico de orquite isquêmica. Com base no caso descrito e nas informações fornecidas no texto, assinale a alternativa correta.
AA orquite isquêmica geralmente ocorre devido à trombose das grandes veias dentro do plexo pampiniforme e leva à necrose testicular em 95% dos casos.
BA orquiectomia é o tratamento de escolha para os casos de orquite isquêmica diagnosticados precocemente, pois evita o surgimento de atrofia testicular.
CO principal mecanismo fisiopatológico da orquite isquêmica é a insuficiência arterial causada pela ligadura inadvertida das artérias deferenciais.
DA atrofia testicular devido à orquite isquêmica pode ser evitada utilizando-se especialmente anti-inflamatórios e analgésicos, independentemente de critérios técnicos durante a cirurgia.
EO reparo de hérnias recorrentes, principalmente usando abordagens anteriores, aumenta o risco de orquite isquêmica devido ao possível comprometimento vascular no cordão espermático.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — O reparo de hérnias recorrentes, principalmente usando abordagens anteriores, aumenta o risco de orquite isquêmica devido ao possível comprometimento vascular no cordão espermático.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Orquite isquêmica pós-hernioplastia
Gabarito: letra E. A orquite isquêmica é uma complicação da cirurgia de hérnia inguinal, especialmente nas recidivadas e nas abordagens anteriores, decorrente do comprometimento vascular do cordão espermático — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas erram ao atribuir a causa à trombose venosa, indicar orquiectomia como tratamento precoce, apontar a ligadura das artérias deferenciais como mecanismo principal ou sugerir que anti-inflamatórios e analgésicos previnem a atrofia independentemente da técnica cirúrgica.
A orquite isquêmica é uma complicação temida da hernioplastia inguinal. Ela ocorre quando o fluxo sanguíneo testicular é comprometido durante a dissecção do cordão espermático, levando a isquemia, dor, aumento de volume e endurecimento do testículo, podendo evoluir para atrofia. O mecanismo central é a insuficiência venosa — não arterial —, causada por trombose ou lesão das veias do plexo pampiniforme, que são mais vulneráveis à manipulação cirúrgica do que as artérias. A artéria testicular, por ser mais calibrosa e resistente, raramente é lesada diretamente; quando isso ocorre, a consequência é a necrose testicular aguda, um evento muito mais grave e imediato.
O risco é particularmente elevado em hérnias recorrentes, pois a cirurgia prévia já deixou cicatrizes e aderências que distorcem a anatomia do cordão. As abordagens anteriores (como a clássica de Shouldice ou Bassini) exigem maior dissecção do cordão, aumentando a chance de lesão vascular. Por isso, em casos de recidiva, muitos cirurgiões preferem a via posterior (pré-peritoneal) ou laparoscópica, que evita a manipulação direta do cordão.
O diagnóstico é clínico: dor testicular intensa, aumento de volume e endurecimento, geralmente iniciados nos primeiros dias após a cirurgia. O tratamento é conservador, com anti-inflamatórios, analgésicos, elevação escrotal e repouso. A orquiectomia só é indicada em casos de necrose testicular franca, que é rara. A atrofia testicular, quando ocorre, é uma sequela tardia e não pode ser prevenida apenas com medicamentos — a prevenção está na técnica cirúrgica meticulosa, preservando as estruturas do cordão.
A pegadinha da banca está em inverter o mecanismo fisiopatológico: a alternativa C fala em "insuficiência arterial" e "ligadura das artérias deferenciais", quando o correto é o comprometimento venoso. As artérias deferenciais são pequenas e sua ligadura isolada não compromete a irrigação testicular, que é garantida principalmente pela artéria testicular (originada da aorta) e pela artéria do cremaster. A alternativa A erra ao falar em "trombose das grandes veias" e "necrose em 95%" — a trombose ocorre nas pequenas veias do plexo pampiniforme e a necrose é exceção, não regra. A alternativa B erra ao indicar orquiectomia como tratamento precoce, quando o manejo é conservador. A alternativa D erra ao sugerir que medicamentos previnem a atrofia independentemente da técnica cirúrgica — a prevenção é cirúrgica.
Guarde a fronteira entre isquemia venosa (orquite isquêmica) e isquemia arterial (necrose testicular): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Orquite isquêmica
1Mecanismo
Insuficiência venosa
Trombose do plexo pampiniforme
2Fatores de risco
Hérnia recorrente
Abordagem anterior
3Evolução
Atrofia testicular tardia
4Tratamento
Conservador (anti-inflamatórios)
5Necrose testicular
Mecanismo
Lesão arterial
Evolução
Necrose aguda
Tratamento
Orquiectomia
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a orquite isquêmica ocorre por trombose das "grandes veias" do plexo pampiniforme e leva à necrose em 95% dos casos. Há dois erros: (1) a trombose ocorre nas pequenas veias do plexo, não nas grandes; (2) a necrose testicular é uma complicação rara, não a regra — a maioria dos casos evolui com atrofia testicular, não com necrose. A necrose aguda seria consequência de lesão arterial, não venosa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indica a orquiectomia como tratamento de escolha para casos diagnosticados precocemente. O tratamento da orquite isquêmica é conservador: anti-inflamatórios, analgésicos, elevação escrotal e repouso. A orquiectomia é reservada para casos de necrose testicular franca, que é rara e não é prevenida pelo diagnóstico precoce — pelo contrário, o diagnóstico precoce permite o manejo conservador e evita a perda do testículo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o mecanismo principal é a insuficiência arterial por ligadura das artérias deferenciais. O mecanismo central da orquite isquêmica é a insuficiência venosa por trombose ou lesão das veias do plexo pampiniforme. As artérias deferenciais são pequenas e sua ligadura isolada não compromete a irrigação testicular, que é mantida pela artéria testicular e pela artéria do cremaster. A lesão arterial, quando ocorre, causa necrose aguda, não orquite isquêmica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere que a atrofia testicular pode ser evitada com anti-inflamatórios e analgésicos, independentemente de critérios técnicos. Os medicamentos tratam os sintomas (dor e inflamação), mas não previnem a atrofia. A prevenção da atrofia depende da técnica cirúrgica meticulosa, preservando as estruturas vasculares do cordão espermático durante a dissecção. A alternativa tenta desvincular o resultado do ato cirúrgico, o que é falso.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o reparo de hérnias recorrentes, principalmente com abordagens anteriores, aumenta o risco de orquite isquêmica devido ao possível comprometimento vascular do cordão espermático. Isso está correto: a cirurgia prévia gera cicatrizes e aderências que distorcem a anatomia, e as abordagens anteriores exigem maior dissecção do cordão, aumentando o risco de lesão das veias do plexo pampiniforme. É exatamente por isso que, em hérnias recidivadas, muitos cirurgiões optam por vias posteriores ou laparoscópicas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o mecanismo fisiopatológico: troca a insuficiência venosa (correta) pela arterial (errada), como na alternativa C. Lembre-se: a orquite isquêmica é um problema de drenagem venosa, não de aporte arterial. A artéria testicular é resistente e raramente lesada; as veias do plexo pampiniforme são frágeis e vulneráveis à manipulação. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.