Tumores da parede abdominal: desmoides e sarcomas
Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que a incidência de implantes metastáticos após ressecção laparoscópica do cólon para adenocarcinoma colorretal é de cerca de 1%, semelhante ao risco de recorrência tumoral na ferida após colectomia aberta. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre tumores desmoides e sarcomas da parede abdominal, que serão detalhados a seguir.
O tema central da questão são as neoplasias malignas que afetam a parede abdominal, com foco nos tumores desmoides e sarcomas. Para resolver corretamente, é essencial dominar as características clínicas, epidemiológicas e terapêuticas dessas entidades, bem como as particularidades do tratamento cirúrgico do câncer colorretal.
Os tumores desmoides, também chamados de fibromatose agressiva ou fibromatose do tipo desmoide, são neoplasias raras, de origem fibroblástica, que se caracterizam por crescimento localmente infiltrativo, mas sem capacidade de metastatizar à distância. Apesar de não metastatizarem, podem ser localmente agressivos e causar morbidade significativa por invasão de estruturas adjacentes. A incidência é maior em mulheres, especialmente em idade fértil, e a associação com a síndrome de Gardner (uma variante da polipose adenomatosa familiar) é bem estabelecida. Nesses casos, os tumores desmoides tendem a ser mais agressivos e a ocorrer em locais como a parede abdominal e o mesentério.
Os sarcomas de tecidos moles são tumores malignos de origem mesenquimal, com mais de 70 subtipos histológicos. Representam menos de 1% de todos os cânceres em adultos, mas são relativamente comuns em crianças. O tratamento padrão dos sarcomas de parede abdominal é a ressecção cirúrgica com margens negativas, sendo a radioterapia adjuvante indicada em casos selecionados, como tumores de alto grau, margens comprometidas ou tamanho > 5 cm. A linfadenectomia regional não é rotineiramente indicada, pois os sarcomas metastatizam preferencialmente por via hematogênica, sendo os pulmões o local mais comum de disseminação.
A alternativa A aborda um aspecto específico da cirurgia colorretal: a incidência de implantes metastáticos na parede abdominal após ressecção laparoscópica. Estudos mostram que essa incidência é baixa, em torno de 1%, semelhante ao risco de recorrência tumoral na ferida após colectomia aberta. Esse dado é importante porque, historicamente, havia preocupação de que a laparoscopia pudesse aumentar o risco de implantes no sítio dos trocateres, mas a evidência atual demonstra que o risco é comparável ao da cirurgia aberta.
A pegadinha da questão está na alternativa B, que afirma que os tumores desmoides são "neoplasias comuns". Na verdade, são neoplasias raras. A banca explora a confusão entre "comuns" e "localmente agressivas", levando o candidato a aceitar uma afirmação parcialmente correta como totalmente correta.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a incidência de implantes metastáticos após ressecção laparoscópica do cólon para adenocarcinoma colorretal é de cerca de 1%, semelhante ao risco de recorrência tumoral na ferida após colectomia aberta. Esse dado é consistente com a literatura, que demonstra que a laparoscopia não aumenta o risco de implantes na parede abdominal em comparação com a cirurgia aberta. O risco de recorrência na ferida é baixo em ambos os casos, em torno de 1%.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os tumores desmoides são "neoplasias comuns". Na verdade, são neoplasias raras, com incidência estimada de 2 a 4 casos por milhão de habitantes por ano. A banca troca o termo "raras" por "comuns", explorando a confusão com a agressividade local, que é uma característica real desses tumores. A definição correta seria: "neoplasias raras e localmente agressivas".
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os tumores desmoides esporádicos acometem homens e mulheres em proporções semelhantes, e que, quando associados à síndrome de Gardner, apresentam predileção pelo sexo feminino. Na verdade, os tumores desmoides esporádicos são mais comuns em mulheres, especialmente em idade fértil. A associação com a síndrome de Gardner também é mais frequente em mulheres, mas a afirmação de que os esporádicos acometem homens e mulheres em proporções semelhantes está incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os sarcomas da parede abdominal são tratados principalmente com ressecção cirúrgica associada à linfadenectomia regional. Isso está incorreto, pois os sarcomas metastatizam preferencialmente por via hematogênica, sendo os pulmões o local mais comum de disseminação. A linfadenectomia regional não é rotineiramente indicada, pois o comprometimento linfonodal é raro. O tratamento padrão é a ressecção cirúrgica com margens negativas, podendo ser complementada com radioterapia adjuvante em casos selecionados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a radioterapia é contraindicada nos casos de sarcoma de parede abdominal, independentemente do tamanho ou grau do tumor. Isso está incorreto, pois a radioterapia é indicada em casos selecionados, como tumores de alto grau, margens comprometidas ou tamanho > 5 cm. A radioterapia adjuvante pode reduzir o risco de recorrência local, embora não tenha impacto na sobrevida global. A contraindicação absoluta não existe, sendo a decisão individualizada.
Gabarito: letra A