Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693642
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Geral
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EApenas I e III.
GabaritoC — Apenas III.
Gabarito: letra C — apenas a assertiva III está correta. A tomografia não é obrigatória para todo paciente com trauma abdominal (depende da estabilidade hemodinâmica e da indicação clínica), e o sinal do cinto, embora seja um marcador de risco, não está especificamente associado a lesões de intestino e rins — a associação clássica é com lesões intestinais e de órgãos sólidos, mas a descrição da assertiva II é imprecisa. O FAST, por sua vez, realmente tem sensibilidade limitada para lesões de órgãos sólidos, podendo perder até um terço delas.
A avaliação inicial do trauma abdominal é um dos pilares do atendimento ao politraumatizado. O exame físico, realizado após exposição completa do abdome, é a primeira ferramenta para detectar sinais de sangramento ou peritonite. Achados como hipotensão (PAS < 90 mmHg), distensão abdominal, contratura muscular (abdome em tábua) e dor à descompressão são fortemente associados a lesões intra-abdominais. A presença de hipotensão deve ser considerada como resultado de sangramento até que se prove o contrário.
A tomografia computadorizada (TC) com contraste intravenoso é, de fato, o exame mais sensível e específico para caracterizar lesões intra-abdominais em pacientes hemodinamicamente estáveis. No entanto, ela não é indicada para todos os pacientes com trauma abdominal. Pacientes instáveis ou com peritonite evidente devem ser levados diretamente à laparotomia, sem TC. Além disso, a TC expõe o paciente à radiação e ao contraste, o que reforça a necessidade de seleção criteriosa. A decisão de realizar a TC segue critérios clínicos e hemodinâmicos, não sendo um exame de rotina absoluto.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é um exame à beira do leito, rápido e não invasivo, que pesquisa líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio). Sua grande limitação é a baixa sensibilidade para lesões de órgãos sólidos sem sangramento significativo — ou seja, lesões parenquimatosas que não produzem volume suficiente de líquido livre podem não ser detectadas. Estudos mostram que até um terço das lesões de órgãos sólidos podem ser perdidas pelo FAST, o que torna a assertiva III correta. Por isso, um FAST negativo não exclui lesão intra-abdominal, e a conduta deve ser guiada pelo quadro clínico e, se necessário, por exames complementares.
O sinal do cinto (marca do cinto de segurança) é um hematoma transversal ou faixa de abrasão na parede abdominal, geralmente na região inferior do abdome. Ele indica mecanismo de trauma contuso com energia significativa e está associado a maior risco de lesões intra-abdominais, especialmente do intestino delgado e do cólon, além de lesões de órgãos sólidos. A assertiva II, no entanto, afirma que a associação é especialmente com intestino e rins — a associação clássica e mais forte é com lesões intestinais (delgado e cólon), e não especificamente com rins. Embora lesões renais possam ocorrer, a descrição da assertiva é imprecisa ao destacar os rins como órgão de associação especial, o que a torna incorreta.
A pegadinha central desta questão está na assertiva I: ela afirma que "todo paciente com trauma abdominal deve realizar uma tomografia", o que é uma generalização incorreta. A TC é indicada para pacientes estáveis com suspeita de lesão, mas não para todos — pacientes instáveis ou com indicação cirúrgica imediata não devem ser submetidos à TC. A assertiva II, por sua vez, erra ao especificar a associação do sinal do cinto com rins, quando a associação clássica é com intestino. A assertiva III está correta ao apontar a limitação do FAST.
A assertiva I afirma que "todo paciente com trauma abdominal deve realizar uma tomografia abdominal". Isso é uma generalização incorreta. A TC com contraste IV é o melhor método para caracterizar lesões intra-abdominais, mas sua indicação é seletiva: pacientes hemodinamicamente instáveis ou com peritonite evidente devem ser encaminhados diretamente à laparotomia, sem TC. Além disso, a TC não é necessária em traumas leves sem suspeita clínica de lesão. A conduta correta é indicar a TC para pacientes estáveis com suspeita de lesão intra-abdominal, não para todos.
A assertiva II descreve o sinal do cinto como um hematoma transversal na região inferior do abdome, associado a risco aumentado de lesão de órgãos intra-abdominais, "especialmente intestino e rins". A descrição do sinal está correta, mas a associação específica está errada: o sinal do cinto está classicamente associado a lesões intestinais (delgado e cólon) e, em menor grau, a lesões de órgãos sólidos como baço e fígado. A associação com rins não é a mais característica. Portanto, a assertiva é incorreta por imprecisão na especificação dos órgãos.
A assertiva III afirma que os exames convencionais de FAST carecem de sensibilidade na detecção de lesões de órgãos abdominais, e que até um terço das lesões de órgãos sólidos podem ser perdidas pelo FAST. Isso está correto. O FAST é um exame de triagem que detecta líquido livre (hemoperitônio), mas lesões parenquimatosas sem sangramento significativo podem não ser identificadas. Estudos mostram que a sensibilidade do FAST para lesões de órgãos sólidos é limitada, podendo perder até um terço dessas lesões. Por isso, um FAST negativo não exclui lesão intra-abdominal, e a investigação deve continuar conforme o quadro clínico.
Conclusão: Apenas a assertiva III está correta. Portanto, a alternativa correta é a letra C.
Gabarito: letra C
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