Sobre a avaliação pré-operatória e os princípios do manejo cirúrgico em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, assinale a alternativa INCORRETA.
AA TC e o FDG-PET/CT utilizados para fins de estadiamento devem ter sido realizados dentro de um intervalo de 60 dias antes de se prosseguir com a avaliação cirúrgica.
BPara doença clinicamente operável, a ressecção é a modalidade de tratamento local preferida, sendo que a consulta com um cirurgião torácico oncológico deve fazer parte da avaliação de qualquer paciente considerado para terapia local curativa.
CO plano geral de tratamento bem como todos os estudos de imagem necessários devem ser definidos antes do início de qualquer tratamento não emergencial.
DEmbora pacientes tabagistas ativos tenham uma incidência levemente aumentada de complicações pós-operatórias, o status de tabagismo ativo por si só não deve ser considerado um risco proibitivo, não devendo o cirurgião negar a cirurgia baseando-se apenas nesse fato.
EEm casos em que a radioterapia estereotáxica ablativa (SABR) é considerada para pacientes de alto risco ou limítrofes, a decisão pode ser tomada unilateralmente pelo rádio-oncologista, sendo dispensável a avaliação multidisciplinar ou a participação do cirurgião torácico oncológico nessas situações específicas.
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GabaritoE — Em casos em que a radioterapia estereotáxica ablativa (SABR) é considerada para pacientes de alto risco ou limítrofes, a decisão pode ser tomada unilateralmente pelo rádio-oncologista, sendo dispensável a avaliação multidisciplinar ou a participação do cirurgião torácico oncológico nessas situações específicas.
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Avaliação pré-operatória e manejo cirúrgico no câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC)
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que a decisão sobre radioterapia estereotáxica ablativa (SABR) pode ser tomada unilateralmente pelo rádio-oncologista, dispensando a avaliação multidisciplinar e a participação do cirurgião torácico oncológico. Na prática oncológica moderna, a decisão terapêutica para pacientes com CPNPC, incluindo aqueles considerados de alto risco ou limítrofes para cirurgia, deve ser tomada em contexto de equipe multidisciplinar, com a participação do cirurgião torácico, do oncologista clínico e do rádio-oncologista. As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas e refletem princípios estabelecidos de estadiamento e tratamento.
A avaliação pré-operatória de um paciente com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) é um processo complexo que visa determinar a extensão da doença (estadiamento) e a capacidade do paciente de tolerar a ressecção cirúrgica. O estadiamento preciso é fundamental, pois define o prognóstico e orienta a escolha da modalidade terapêutica. Para isso, exames de imagem como a tomografia computadorizada (TC) e a tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada (FDG-PET/CT) são essenciais. A recomendação de que esses exames sejam realizados dentro de um intervalo de 60 dias antes da avaliação cirúrgica visa garantir que o estadiamento reflita a situação atual da doença, evitando atrasos que possam permitir a progressão tumoral e alterar o plano terapêutico.
A cirurgia é a modalidade de tratamento local preferida para pacientes com doença clinicamente operável, ou seja, aqueles cujo tumor é ressecável e que apresentam condições clínicas adequadas. A consulta com um cirurgião torácico oncológico é parte integrante da avaliação de qualquer paciente considerado para terapia local curativa, pois é esse especialista quem avaliará a ressecabilidade, o tipo de ressecção mais adequado (lobectomia, segmentectomia, etc.) e os riscos cirúrgicos. O plano geral de tratamento, incluindo todos os estudos de imagem necessários, deve ser definido antes do início de qualquer tratamento não emergencial, garantindo uma abordagem coordenada e baseada em evidências.
O tabagismo ativo é um fator de risco conhecido para complicações pós-operatórias, como complicações pulmonares e cardiovasculares. No entanto, o status de tabagismo ativo por si só não deve ser considerado um risco proibitivo para a cirurgia. A decisão de operar deve ser baseada em uma avaliação global do paciente, incluindo função pulmonar, comorbidades e estado funcional. O cirurgião não deve negar a cirurgia baseando-se apenas no fato de o paciente ser tabagista ativo, mas deve orientar a cessação do tabagismo e otimizar o paciente para o procedimento.
A radioterapia estereotáxica ablativa (SABR) é uma opção de tratamento para pacientes com CPNPC em estágio inicial que são considerados de alto risco para cirurgia ou que a recusam. A decisão de utilizar SABR em vez de cirurgia é complexa e deve ser tomada em um contexto de equipe multidisciplinar, envolvendo cirurgião torácico, rádio-oncologista e oncologista clínico. A participação do cirurgião torácico é crucial para avaliar a ressecabilidade e o risco cirúrgico, enquanto o rádio-oncologista avalia a viabilidade técnica da SABR. A decisão unilateral por qualquer especialista é contrária aos princípios da oncologia moderna, que preconizam a discussão de casos em reuniões multidisciplinares para garantir a melhor conduta individualizada.
A pegadinha desta questão está em apresentar uma conduta que parece razoável (decisão unilateral pelo rádio-oncologista em casos de alto risco) mas que contraria o princípio fundamental da abordagem multidisciplinar no tratamento do câncer. O candidato pode ser levado a considerar a alternativa E como correta, pois a SABR é de fato uma opção para pacientes de alto risco, mas a forma como a decisão é tomada (unilateralmente) é que a torna incorreta.
Manejo do CPNPC: Estadiamento (TC e PET/CT em até 60 dias, Plano definido antes do tratamento); Doença operável (Ressecção é preferida, Cirurgião torácico na avaliação); Tabagismo ativo (Não é risco proibitivo, Não nega cirurgia isoladamente); SABR (alto risco) (Decisão unilateral do rádio-oncologista, Dispensa avaliação multidisciplinar)
Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa afirma que a TC e o FDG-PET/CT para estadiamento devem ter sido realizados dentro de um intervalo de 60 dias antes da avaliação cirúrgica. Isso está correto, pois o estadiamento deve ser recente para refletir a situação atual da doença. Um intervalo maior poderia permitir a progressão tumoral e alterar o estadiamento, comprometendo a decisão terapêutica. A recomendação de 60 dias é um padrão aceito na prática oncológica para garantir a validade dos exames de estadiamento.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa afirma que, para doença clinicamente operável, a ressecção é a modalidade de tratamento local preferida e que a consulta com um cirurgião torácico oncológico deve fazer parte da avaliação de qualquer paciente considerado para terapia local curativa. Isso está correto. A cirurgia é o padrão-ouro para o tratamento do CPNPC em estágio inicial, e a avaliação por um cirurgião torácico é essencial para determinar a ressecabilidade e o melhor procedimento cirúrgico.
Alternativa C — ✅ Correta
A alternativa afirma que o plano geral de tratamento e todos os estudos de imagem necessários devem ser definidos antes do início de qualquer tratamento não emergencial. Isso está correto. O planejamento cuidadoso é fundamental para garantir uma abordagem coordenada e evitar atrasos ou procedimentos desnecessários. A definição prévia do plano terapêutico é um princípio da oncologia moderna.
Alternativa D — ✅ Correta
A alternativa afirma que, embora pacientes tabagistas ativos tenham uma incidência levemente aumentada de complicações pós-operatórias, o status de tabagismo ativo por si só não deve ser considerado um risco proibitivo, não devendo o cirurgião negar a cirurgia baseando-se apenas nesse fato. Isso está correto. O tabagismo é um fator de risco, mas a decisão cirúrgica deve ser baseada em uma avaliação global do paciente, incluindo função pulmonar, comorbidades e estado funcional. A cessação do tabagismo deve ser incentivada, mas não é um critério absoluto para negar a cirurgia.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que, em casos em que a SABR é considerada para pacientes de alto risco ou limítrofes, a decisão pode ser tomada unilateralmente pelo rádio-oncologista, sendo dispensável a avaliação multidisciplinar ou a participação do cirurgião torácico oncológico. Isso está incorreto. A decisão sobre o tratamento do câncer de pulmão, incluindo a escolha entre cirurgia e SABR, deve ser tomada em um contexto de equipe multidisciplinar. A participação do cirurgião torácico é essencial para avaliar a ressecabilidade e o risco cirúrgico, mesmo em pacientes considerados de alto risco. A decisão unilateral por qualquer especialista é contrária aos princípios da oncologia moderna e pode levar a condutas inadequadas.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois contraria o princípio da abordagem multidisciplinar no tratamento do câncer de pulmão.