Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg693654
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Oncológica
Sobre a abordagem diagnóstica e terapêutica em pacientes com suspeita de câncer de vesícula biliar, assinale a alternativa INCORRETA.
AO estadiamento deve ser realizado utilizando TC de tórax, abdome e pelve.
BA laparoscopia diagnóstica é recomendada como etapa prévia à realização da ressecção definitiva.
CNa presença de uma massa suspeita ressecável, a biópsia pré-operatória é dispensável (não necessária), devendo-se proceder diretamente à ressecção definitiva.
DEm casos selecionados em que o diagnóstico não é claro, é razoável realizar a colecistectomia (com biópsia de congelação intraoperatória) e, se confirmado o câncer, prosseguir para a ressecção definitiva no mesmo ato cirúrgico.
EPara pacientes com doença locorregionalmente avançada, ao se considerar a terapia sistêmica neoadjuvante para descartar progressão rápida, a biópsia de confirmação não é necessária, bastando a evidência radiológica para iniciar o tratamento.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Para pacientes com doença locorregionalmente avançada, ao se considerar a terapia sistêmica neoadjuvante para descartar progressão rápida, a biópsia de confirmação não é necessária, bastando a evidência radiológica para iniciar o tratamento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Câncer de vesícula biliar: abordagem diagnóstica e terapêutica
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que dispensa a biópsia de confirmação antes da terapia sistêmica neoadjuvante em doença locorregionalmente avançada — a confirmação histológica é obrigatória antes de qualquer tratamento sistêmico, pois a evidência radiológica isolada não é suficiente para iniciar quimioterapia. As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas e refletem a conduta recomendada para o manejo do câncer de vesícula biliar.
O câncer de vesícula biliar é uma neoplasia relativamente rara, mas agressiva, frequentemente diagnosticada em estágio avançado. Muitas vezes é um achado incidental após colecistectomia por colelitíase ou colecistite. O diagnóstico e o estadiamento precisos são fundamentais para definir a estratégia terapêutica, que varia desde a ressecção cirúrgica curativa até a terapia sistêmica paliativa.
O estadiamento inicial é feito com tomografia computadorizada (TC) de tórax, abdome e pelve, que avalia a extensão local do tumor, o comprometimento linfonodal e a presença de metástases à distância. A laparoscopia diagnóstica é recomendada como etapa prévia à ressecção definitiva, pois permite identificar metástases peritoneais e hepáticas ocultas, que não são visíveis nos exames de imagem, evitando laparotomias desnecessárias.
Quando há uma massa suspeita ressecável, a biópsia pré-operatória é dispensável, pois o risco de disseminação tumoral durante a punção e o risco de resultado falso-negativo superam o benefício. Nesses casos, a conduta é proceder diretamente à ressecção definitiva. Em situações em que o diagnóstico não é claro, é razoável realizar a colecistectomia com biópsia de congelação intraoperatória; se o câncer for confirmado, prossegue-se para a ressecção definitiva no mesmo ato cirúrgico.
A alternativa E, no entanto, está incorreta. Para pacientes com doença locorregionalmente avançada, em que se considera a terapia sistêmica neoadjuvante, a biópsia de confirmação é obrigatória. A evidência radiológica isolada não é suficiente para iniciar quimioterapia, pois outras condições benignas (como colecistite crônica, adenomiomatose ou pólipos) podem mimetizar câncer nos exames de imagem. A confirmação histológica é essencial para evitar tratamento sistêmico desnecessário em pacientes com doença benigna e para guiar a escolha do esquema quimioterápico adequado.
A distinção crucial é: em doença ressecável, a biópsia pré-operatória é dispensável (procede-se direto à ressecção); em doença avançada (irressecável ou limítrofe), a biópsia é obrigatória antes de qualquer terapia sistêmica. Essa é a fronteira que separa as alternativas corretas da incorreta.
Situação Clínica
Biópsia Pré-operatória
Conduta Recomendada
Massa suspeita ressecável
Dispensável
Proceder diretamente à ressecção definitiva
Diagnóstico incerto (massa suspeita)
Biópsia de congelação intraoperatória
Colecistectomia + congelação; se câncer, ressecção definitiva no mesmo ato
Doença locorregionalmente avançada (candidata a neoadjuvância)
Obrigatória (confirmação histológica)
Iniciar terapia sistêmica neoadjuvante somente após confirmação
Câncer de vesícula biliar: Doença ressecável (Biópsia pré-operatória dispensável, Ressecção definitiva direta); Diagnóstico incerto (Colecistectomia + congelação, Se positivo → ressecção no mesmo ato); Doença avançada (Biópsia obrigatória, Terapia neoadjuvante)
Alternativa A — ✅ Correta
O estadiamento do câncer de vesícula biliar deve incluir TC de tórax, abdome e pelve. A TC de abdome e pelve avalia a extensão local do tumor, o comprometimento linfonodal e as metástases hepáticas; a TC de tórax é necessária para rastrear metástases pulmonares, que são comuns nessa neoplasia. Essa é a recomendação das principais diretrizes de estadiamento oncológico.
Alternativa B — ✅ Correta
A laparoscopia diagnóstica é recomendada como etapa prévia à ressecção definitiva. Ela permite identificar metástases peritoneais e hepáticas ocultas, que não são detectadas pela TC, evitando laparotomias desnecessárias em pacientes com doença metastática não identificada. Essa conduta reduz a morbidade e o custo da ressecção cirúrgica a céu aberto.
Alternativa C — ✅ Correta
Na presença de uma massa suspeita ressecável, a biópsia pré-operatória é dispensável. O risco de disseminação tumoral durante a punção e o risco de resultado falso-negativo superam o benefício do diagnóstico pré-operatório. A conduta recomendada é proceder diretamente à ressecção definitiva, que é o único tratamento curativo.
Alternativa D — ✅ Correta
Em casos selecionados em que o diagnóstico não é claro, é razoável realizar a colecistectomia com biópsia de congelação intraoperatória. Se o câncer for confirmado, prossegue-se para a ressecção definitiva no mesmo ato cirúrgico. Essa estratégia evita uma segunda cirurgia e permite o tratamento definitivo em um único procedimento.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que, para pacientes com doença locorregionalmente avançada, a biópsia de confirmação não é necessária antes da terapia sistêmica neoadjuvante, bastando a evidência radiológica. Isso é incorreto. A confirmação histológica é obrigatória antes de iniciar qualquer tratamento sistêmico, pois:
A evidência radiológica isolada não é suficiente para diferenciar câncer de condições benignas que mimetizam neoplasia (colecistite crônica, adenomiomatose, pólipos).
O tratamento neoadjuvante com quimioterapia tem toxicidade significativa e não deve ser administrado sem diagnóstico confirmado.
A biópsia guiada por ultrassom endoscópico (USE) ou por TC é segura e tem alta acurácia para confirmar o diagnóstico.
A banca explora a confusão entre a conduta em doença ressecável (biópsia dispensável) e a conduta em doença avançada (biópsia obrigatória).
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a necessidade de biópsia conforme o cenário clínico. Em doença ressecável, a biópsia pré-operatória é dispensável (alternativa C correta); em doença avançada, a biópsia é obrigatória antes da terapia sistêmica (alternativa E incorreta). O candidato que memoriza "biópsia dispensável" sem distinguir o contexto erra a questão.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre câncer de vesícula biliar, lembre-se do fluxo: massa ressecável → ressecção direta (sem biópsia prévia); massa avançada/irressecável → biópsia obrigatória antes de quimioterapia. Essa distinção é a chave para acertar questões de manejo.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois dispensa a biópsia de confirmação antes da terapia sistêmica neoadjuvante em doença avançada.