Adenocarcinoma de pâncreas: ressecabilidade e critérios da NCCN
Gabarito: letra C. A alternativa C descreve a doença primariamente ressecável, pois exige ausência de contato tumoral com a veia mesentérica superior (SMV) ou veia porta (PV), ou contato ≤180° sem irregularidade do contorno — exatamente o que define a categoria ressecável. As demais alternativas (A, B, D e E) descrevem cenários de doença borderline (limítrofe), conforme os critérios radiológicos da NCCN.
A ressecabilidade no adenocarcinoma ductal pancreático é definida por critérios radiológicos baseados no contato do tumor com os vasos adjacentes — artérias (tronco celíaco, artéria mesentérica superior, artéria hepática comum) e veias (veia mesentérica superior, veia porta). A NCCN classifica a doença em quatro categorias: ressecável, borderline (limítrofe), localmente avançada e metastática. A distinção entre ressecável e borderline é crucial, pois determina a estratégia terapêutica: ressecção cirúrgica imediata versus terapia neoadjuvante.
O critério central para doença ressecável é a ausência de contato tumoral com as artérias (AMS, tronco celíaco, AHC) e veias (SMV, VP), ou contato venoso ≤180° sem irregularidade do contorno. Já a doença borderline é caracterizada por contato arterial <180° (menos da metade da circunferência) ou contato venoso >180° com possibilidade de reconstrução. A doença localmente avançada envolve contato arterial >180° ou oclusão venosa sem opção de reconstrução.
A alternativa C é a única que descreve um cenário de doença primariamente ressecável, pois permite ausência de contato venoso ou contato ≤180° sem irregularidade — critérios que não comprometem a ressecção cirúrgica. As demais alternativas descrevem contatos arteriais ou venosos que caracterizam doença borderline, exigindo terapia neoadjuvante antes da cirurgia.
A pegadinha da banca está em apresentar quatro cenários borderline e apenas um ressecável, exigindo que o candidato conheça precisamente os critérios de cada categoria. A alternativa C é a única que não menciona contato arterial, o que a torna claramente ressecável.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Esta alternativa descreve contato tumoral com a artéria hepática comum (CHA), sem extensão para o tronco celíaco ou bifurcação, permitindo ressecção e reconstrução seguras. Este cenário é classificado como borderline, pois há contato arterial, mesmo que limitado e reconstruível. A doença ressecável exige ausência de contato arterial, não apenas contato reconstruível.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Contato tumoral com a artéria mesentérica superior (SMA) envolvendo ≤180° da circunferência é um critério clássico de doença borderline. O contato arterial, mesmo que ≤180°, exclui a doença da categoria ressecável, que exige ausência de contato arterial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve ausência de contato tumoral com a SMV ou PV, ou contato ≤180° sem irregularidade do contorno. Este é exatamente o critério de doença ressecável: sem contato venoso ou contato limitado sem deformidade. Não há contato arterial, o que confirma a ressecabilidade primária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Contato tumoral com SMV ou PV >180°, ou contato ≤180° com irregularidade ou trombose, mas com vasos proximal e distal adequados para reconstrução, é um cenário borderline. O contato venoso >180° ou com irregularidade caracteriza doença limítrofe, mesmo que a reconstrução seja possível.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Contato tumoral com anatomia arterial variante (artéria hepática direita acessória, substituída, etc.) é um cenário borderline. A presença de variantes arteriais com contato tumoral exige planejamento cirúrgico especial, sendo classificada como doença limítrofe, não ressecável primária.
Gabarito: letra C