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Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOncologia
Código
qg693663
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Oncológica
Considerando a recorrência tumoral em canal anal após o esquema NIGRO, os princípios da Ressecção Abdominoperineal (APR) e o manejo de recorrências inguinais, assinale a alternativa correta.
  1. AA APR para câncer anal difere daquela para câncer retal por exigir margens perianais laterais mais estreitas (conservadoras), visando preservar a pele do períneo.
  2. BDevido à necessária exposição do períneo à radiação, os pacientes estão propensos a uma má cicatrização da ferida, podendo se beneficiar do uso de retalhos de tecido reconstrutivo (como o retalho vertical do reto abdominal).
  3. CEm pacientes que já receberam radiação na região inguinal, a dissecção dos linfonodos inguinais é contraindicada em caso de recorrência, devido ao alto risco de complicações.
  4. DA dissecção inguinal por recorrência deve ser obrigatoriamente realizada em conjunto com a APR, mesmo que a doença esteja isolada na região inguinal e o sítio primário esteja controlado.
  5. EAo contrário da cirurgia para câncer retal distal, a APR para câncer de canal anal ou recorrências não deve incluir a incorporação da Excisão Total do Mesorreto (TME).
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GabaritoB — Devido à necessária exposição do períneo à radiação, os pacientes estão propensos a uma má cicatrização da ferida, podendo se beneficiar do uso de retalhos de tecido reconstrutivo (como o retalho vertical do reto abdominal).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ressecção Abdominoperineal (APR) no câncer de canal anal: princípios e reconstrução

Gabarito: letra B. A APR para câncer de canal anal, especialmente após radioterapia (esquema Nigro), apresenta alto risco de má cicatrização perineal devido à radiação prévia, sendo a reconstrução com retalhos (como o retalho vertical do reto abdominal — VRAM) uma estratégia benéfica e frequentemente indicada. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre margens, dissecção inguinal e TME.

A Ressecção Abdominoperineal (APR) é o procedimento cirúrgico clássico para tumores do canal anal e do reto distal, consistindo na remoção em bloco do reto, canal anal, esfíncteres e tecido perineal circundante, com confecção de colostomia permanente. No contexto do câncer de canal anal, a APR é reservada principalmente para recorrência ou doença persistente após o tratamento quimiorradioterápico (esquema Nigro), que é o tratamento primário padrão. A radioterapia prévia é um fator crítico: ela compromete a vascularização e a capacidade de cicatrização dos tecidos, tornando o fechamento primário da ferida perineal arriscado, com altas taxas de deiscência, infecção e formação de cavidade crônica.

É exatamente por isso que a reconstrução com retalhos vascularizados se torna uma ferramenta valiosa. O retalho vertical do reto abdominal (VRAM) é um dos mais utilizados, pois traz tecido bem vascularizado de fora do campo irradiado, preenchendo o espaço morto pélvico e melhorando a cicatrização. Outros retalhos incluem o retalho do músculo gracilis e o retalho miocutâneo do glúteo. A escolha depende da extensão do defeito e da experiência do cirurgião.

A alternativa B captura exatamente esse princípio: a exposição do períneo à radiação predispõe à má cicatrização, e o uso de retalhos reconstrutivos, como o VRAM, pode beneficiar esses pacientes. É uma afirmação correta e alinhada com a prática cirúrgica oncológica.

As demais alternativas contêm erros:

  • A afirma que a APR para câncer anal exige margens perianais laterais mais estreitas (conservadoras) para preservar a pele do períneo. Isso é incorreto: a APR para câncer de canal anal deve ter margens amplas, incluindo a pele perianal e o tecido subcutâneo, para garantir a ressecção completa do tumor. A preservação da pele não é o objetivo; a oncologia radical é priorizada.

  • C diz que a dissecção dos linfonodos inguinais é contraindicada em caso de recorrência após radiação, devido ao alto risco de complicações. Isso é falso: a dissecção inguinal pode ser indicada em casos de recorrência linfonodal, mesmo após radioterapia, embora o risco de complicações (como linfedema e deiscência) seja maior. A contraindicação absoluta não é regra.

  • D afirma que a dissecção inguinal deve ser obrigatoriamente realizada em conjunto com a APR, mesmo que a doença esteja isolada na região inguinal e o sítio primário esteja controlado. Isso é incorreto: a dissecção inguinal é indicada apenas quando há doença linfonodal inguinal clinicamente ou radiologicamente evidente, e não é obrigatória em todos os casos. Se a doença está isolada na virilha e o primário está controlado, a dissecção pode ser feita de forma isolada, sem necessariamente associar à APR.

  • E afirma que a APR para câncer de canal anal não deve incluir a Excisão Total do Mesorreto (TME). Isso é incorreto: a TME é um componente essencial da APR para câncer de reto distal e também é aplicada no câncer de canal anal, pois o mesorreto é removido em bloco com o reto. A TME é padrão na cirurgia oncológica colorretal para reduzir a recorrência local.

Portanto, a alternativa B é a única correta, pois reflete o princípio da reconstrução perineal em pacientes irradiados.

Aspecto

APR no Câncer de Canal Anal (pós-Nigro)

Erro nas demais alternativas

Margens perianais

Devem ser amplas (radicais), incluindo pele e subcutâneo

A: "estreitas/conservadoras" — falso

Cicatrização perineal

Alto risco de má cicatrização (radiação prévia); retalho VRAM é benéfico

B: correta (gabarito)

Dissecção inguinal

Pode ser indicada na recorrência, mesmo pós-radiação (risco maior, mas não contraindicação absoluta)

C: "contraindicada" — falso

Associação com APR

Não é obrigatória; se doença isolada na virilha e primário controlado, pode ser feita isoladamente

D: "obrigatoriamente em conjunto" — falso

Excisão Total do Mesorreto (TME)

É componente essencial da APR (também no canal anal)

E: "não deve incluir TME" — falso

1Contexto
Recorrência pós-Nigro
Ressecção radical em bloco
2Radioterapia prévia
Compromete vascularização
Risco de má cicatrização
3Reconstrução com retalhos
VRAM (retalho vertical do reto abdominal)
Gracilis e glúteo
Preenche espaço morto
4TME
Componente essencial
Reduz recorrência local
APR no câncer de canal anal
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APR no câncer de canal anal: Contexto (Recorrência pós-Nigro, Ressecção radical em bloco); Radioterapia prévia (Compromete vascularização, Risco de má cicatrização); Reconstrução com retalhos (VRAM (retalho vertical do reto abdominal), Gracilis e glúteo, Preenche espaço morto); TME (Componente essencial, Reduz recorrência local)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a APR para câncer anal exige margens perianais laterais mais estreitas (conservadoras) para preservar a pele do períneo. Isso é um erro conceitual: a APR é uma cirurgia radical que visa a ressecção completa do tumor, e as margens devem ser amplas, incluindo a pele perianal e o tecido subcutâneo. A preservação da pele não é prioridade; a oncologia radical é o objetivo. A banca tenta confundir com a ideia de cirurgia conservadora, mas a APR é, por definição, uma ressecção ampla.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B está correta. A radioterapia prévia (como no esquema Nigro) compromete a vascularização e a cicatrização dos tecidos perineais, aumentando o risco de deiscência e infecção. O uso de retalhos reconstrutivos, como o retalho vertical do reto abdominal (VRAM), traz tecido bem vascularizado de fora do campo irradiado, preenchendo o espaço morto e melhorando a cicatrização. Essa é uma prática bem estabelecida na cirurgia oncológica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a dissecção dos linfonodos inguinais é contraindicada em caso de recorrência após radiação, devido ao alto risco de complicações. Isso é falso: a dissecção inguinal pode ser indicada em casos de recorrência linfonodal, mesmo após radioterapia, embora o risco de complicações (como linfedema e deiscência) seja maior. A contraindicação absoluta não é regra; a decisão é individualizada, considerando o estadiamento e o estado geral do paciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a dissecção inguinal deve ser obrigatoriamente realizada em conjunto com a APR, mesmo que a doença esteja isolada na região inguinal e o sítio primário esteja controlado. Isso é incorreto: a dissecção inguinal é indicada apenas quando há doença linfonodal inguinal clinicamente ou radiologicamente evidente, e não é obrigatória em todos os casos. Se a doença está isolada na virilha e o primário está controlado, a dissecção pode ser feita de forma isolada, sem necessariamente associar à APR.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a APR para câncer de canal anal não deve incluir a Excisão Total do Mesorreto (TME). Isso é incorreto: a TME é um componente essencial da APR para câncer de reto distal e também é aplicada no câncer de canal anal, pois o mesorreto é removido em bloco com o reto. A TME é padrão na cirurgia oncológica colorretal para reduzir a recorrência local.

Gabarito: letra B

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