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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg693701
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Em relação ao tratamento das hérnias inguinais em crianças, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta.I. Estima-se que 70-95% das hérnias encarceradas sejam passíveis de redução manual.II. Após redução manual de uma hérnia encarcerada, postergar a cirurgia aberta por 24 a 48h para permitir redução do edema tem sido recomendado. Entretanto, quando indicada correção cirúrgica por técnica videolaparoscópica, essa conduta é menos relevante.III. A técnica videolaparoscópica reduz o risco de atrofia testicular e, portanto, é a técnica de eleição.
  1. ATodas as assertivas estão corretas.
  2. BTodas as assertivas estão incorretas.
  3. CApenas as assertivas I e II estão corretas.
  4. DApenas as assertivas I e III estão corretas.
  5. EApenas as assertivas II e III estão corretas.
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GabaritoC — Apenas as assertivas I e II estão corretas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hérnias inguinais em crianças: manejo do encarceramento e técnicas cirúrgicas

Gabarito: letra C. As assertivas I e II estão corretas; a III está incorreta, pois a videolaparoscopia não é a técnica de eleição e não há evidência de que reduza o risco de atrofia testicular em relação à técnica aberta. A conduta recomendada é a redução manual da hérnia encarcerada (quando possível) e a correção cirúrgica eletiva, com a técnica aberta (herniorrafia com ligadura alta do saco) sendo o padrão clássico na criança.

A hérnia inguinal é a afecção cirúrgica mais comum na infância, com incidência maior em prematuros e no sexo masculino. O encarceramento — quando o conteúdo herniário não reduz espontaneamente — é a complicação mais temida, pois pode evoluir para estrangulamento com isquemia intestinal ou testicular. O manejo inicial é clínico: a redução manual (taxe) é tentada em posição de Trendelenburg, com analgesia e sedação, e tem alta taxa de sucesso. Estima-se que 70-95% das hérnias encarceradas sejam redutíveis manualmente, o que confirma a assertiva I.

Após a redução bem-sucedida, a cirurgia não é emergencial: recomenda-se aguardar 24 a 48 horas para que o edema local diminua, reduzindo o risco de lesão de estruturas durante a dissecção. Esse intervalo é clássico na conduta aberta. Na videolaparoscopia, porém, a visualização direta e a manipulação minimamente invasiva tornam o edema menos limitante, e muitos serviços operam mais precocemente — por isso a assertiva II está correta ao afirmar que o adiamento é menos relevante na via laparoscópica.

A assertiva III, no entanto, é falsa. A videolaparoscopia não é a técnica de eleição na criança: a herniorrafia aberta (ligadura alta do saco herniário, com ou sem fechamento do anel inguinal profundo) é o padrão-ouro, com baixíssima recorrência e morbidade. As vantagens da via laparoscópica são discutidas — menor dor pós-operatória, retorno mais precoce às atividades, abordagem bilateral pelos mesmos portais e vantagem nas hérnias recidivadas — mas não há evidência de que reduza o risco de atrofia testicular. Na verdade, a atrofia testicular é complicação rara e está mais relacionada à manipulação do cordão durante a dissecção do saco herniário, independentemente da via de acesso. A escolha da técnica depende da experiência do cirurgião e das características do caso, não de superioridade na proteção testicular.

A pegadinha da banca está em atribuir à videolaparoscopia uma vantagem que a literatura não confirma (redução de atrofia testicular) e em apresentá-la como técnica de eleição, quando o consenso é que a técnica aberta é o padrão na criança. Guarde o tripé: redução manual (70-95% de sucesso) → cirurgia após 24-48h na via aberta → técnica aberta como padrão, com laparoscopia como alternativa em situações específicas.

Assertiva

Conteúdo

Veredito

I

70-95% das hérnias encarceradas são redutíveis manualmente

✅ Correta

II

Após redução, postergar cirurgia aberta por 24-48h; na videolaparoscopia, essa espera é menos relevante

✅ Correta

III

Videolaparoscopia reduz risco de atrofia testicular e é técnica de eleição

❌ Incorreta

Hérnia inguinal na criança
  • 1Encarceramento
    • Redução manual (70-95% de sucesso)
    • Cirurgia após 24-48h (via aberta)
    • Laparoscopia: espera menos relevante
  • 2Técnica de eleição
    • Aberta (ligadura alta do saco)
    • Laparoscopia: alternativa
  • 3Atrofia testicular
    • Complicação rara
    • Ligada à dissecção do cordão
    • Não reduzida pela laparoscopia
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Item I — ✅ Correto

A assertiva está correta. A literatura pediátrica estima que 70-95% das hérnias inguinais encarceradas em crianças sejam passíveis de redução manual, desde que não haja sinais de estrangulamento (eritema, dor intensa, vômitos biliosos, distensão abdominal). A redução manual é o primeiro passo do manejo, realizada com o paciente sedado e em posição de Trendelenburg, com manobra suave e contínua.

Item II — ✅ Correto

A assertiva está correta. Após a redução manual bem-sucedida, a conduta clássica é postergar a herniorrafia aberta por 24 a 48 horas, permitindo a regressão do edema local e facilitando a dissecção, com menor risco de lesão do cordão espermático e dos elementos do funículo. Na videolaparoscopia, essa espera é menos necessária, pois a visão direta e a técnica minimamente invasiva minimizam o impacto do edema — muitos serviços operam no mesmo internamento ou em até 24 horas.

Item III — ❌ Incorreto

A assertiva está incorreta por dois motivos: (1) a videolaparoscopia não é a técnica de eleição na criança — a herniorrafia aberta (ligadura alta do saco) é o padrão-ouro, com excelentes resultados e baixa recorrência; (2) não há evidência de que a via laparoscópica reduza o risco de atrofia testicular. A atrofia testicular é complicação rara, associada à manipulação do cordão e à dissecção do saco herniário, e não há estudos que demonstrem superioridade da laparoscopia nesse desfecho. As vantagens reais da laparoscopia são: menor dor pós-operatória, retorno mais precoce às atividades, abordagem bilateral pelos mesmos portais e facilidade nas hérnias recidivadas (via virgem de tratamento).

Gabarito: letra C — corretas apenas as assertivas I e II.

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