Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693707
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Vascular
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas II e III.
Gabarito: letra D. Estão corretas as assertivas II e III: o aneurisma de artéria esplênica é o mais comum entre os aneurismas viscerais, e mulheres em idade fértil com essa condição devem ser tratadas independentemente do tamanho, devido ao alto risco de ruptura na gestação. A assertiva I está incorreta, pois o risco de aneurismas associados é menor que 50% (cerca de 20-30%).
Os aneurismas de artérias viscerais são dilatações focais que acometem as artérias que irrigam os órgãos abdominais (tronco celíaco, artéria mesentérica superior, artéria renal, artéria esplênica, entre outras). São lesões raras, geralmente assintomáticas, e sua importância clínica reside no risco de ruptura, que pode ser fatal. A história natural e o manejo dependem da artéria acometida, do tamanho do aneurisma, da presença de sintomas e de características específicas do paciente, como sexo e idade.
A artéria esplênica é o sítio mais frequente, correspondendo a cerca de 60% dos casos. A segunda artéria mais acometida é a hepática (20%), seguida da mesentérica superior (5,5%) e da renal (2,5%). Essa distribuição é um dado clássico e muito cobrado em provas de angiologia e cirurgia vascular.
A indicação de tratamento (cirúrgico ou endovascular) baseia-se no risco de ruptura, que aumenta com o diâmetro. Para a maioria dos aneurismas viscerais, o tratamento é indicado quando o diâmetro é maior que 2 cm, ou quando há sintomas, crescimento rápido ou expansão. No entanto, há uma exceção importante: o aneurisma de artéria esplênica em mulheres em idade fértil ou grávidas. Nesse grupo, o risco de ruptura durante a gestação é extremamente alto (pode chegar a 70-80% em aneurismas sintomáticos), com mortalidade materna e fetal elevada. Por isso, a recomendação é tratar qualquer aneurisma de artéria esplênica, independentemente do tamanho, em mulheres em idade fértil, antes de uma possível gestação.
A assertiva I menciona que pacientes com aneurisma de artéria visceral têm risco maior que 50% de apresentar outros aneurismas associados. Esse dado está incorreto. A literatura médica relata que a prevalência de aneurismas sincrônicos ou metacrônicos em outros leitos arteriais (como aorta abdominal, artérias ilíacas ou poplíteas) é de aproximadamente 20-30%, não ultrapassando 50%. A banca explora a generalização indevida, fazendo o candidato acreditar que a associação é mais frequente do que realmente é.
Guarde a fronteira entre os dados epidemiológicos e as indicações de tratamento: é exatamente nela que as assertivas se dividem. A assertiva I erra ao superestimar a frequência de aneurismas associados; as assertivas II e III acertam ao trazer a artéria esplênica como o sítio mais comum e ao indicar tratamento precoce em mulheres em idade fértil.
A assertiva afirma que o risco de outros aneurismas associados é maior que 50%. Esse número está errado. A prevalência de aneurismas em outros leitos arteriais em pacientes com aneurisma visceral é de cerca de 20-30%. O erro é uma generalização indevida, pois a banca tenta fazer o candidato acreditar que a associação é mais frequente do que a literatura demonstra.
O aneurisma de artéria esplênica é, de fato, o mais comum entre os aneurismas de artérias viscerais, correspondendo a cerca de 60% dos casos. Esse é um dado clássico e amplamente aceito na literatura de cirurgia vascular.
Mulheres em idade fértil com aneurisma de artéria esplênica devem ser tratadas independentemente do tamanho. Isso se deve ao risco extremamente alto de ruptura durante a gestação, que pode levar a morte materna e fetal. A recomendação é tratar qualquer aneurisma de artéria esplênica nesse grupo, mesmo que pequeno, antes de uma possível gravidez.
A banca explora a generalização indevida na assertiva I, superestimando o risco de aneurismas associados (maior que 50%). O candidato pode cair na armadilha de achar que, por ser uma doença sistêmica, a associação é mais frequente. Na verdade, a prevalência é de cerca de 20-30%. Fique atento a números absolutos em questões de epidemiologia: eles costumam ser o ponto de erro.
Conclusão: Corretas as assertivas II e III, portanto o gabarito é a letra D.
Gabarito: letra D
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