Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693709
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Vascular
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoC — Apenas I e III.
Gabarito: letra C (corretas I e III). O estudo BASIL-1 (2010) demonstrou que, em pacientes com isquemia crônica com risco de perda do membro e expectativa de vida ≥ 2 anos, o bypass com veia autóloga como primeira opção foi superior à angioplastia com balão (assertiva I correta). O estudo BEST-CLI (2022) mostrou que o desfecho composto de eventos adversos maiores no membro ou morte foi menor no grupo de bypass venoso, não maior (assertiva II incorreta). O estudo BASIL-2 (2023), especificamente para doença infrapoplítea, demonstrou que a estratégia endovascular como primeira opção foi associada a melhor sobrevida livre de amputação, impulsionada por menor mortalidade (assertiva III correta).
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) infragenicular representa um desafio terapêutico particular na cirurgia vascular. A decisão entre revascularização cirúrgica (bypass) e tratamento endovascular (angioplastia) depende de múltiplos fatores, incluindo a anatomia da lesão, a disponibilidade de veia autóloga, a comorbidade do paciente e a expectativa de vida. Historicamente, o bypass com veia safena foi considerado o padrão-ouro para lesões extensas, mas o avanço das técnicas endovasculares ampliou as opções terapêuticas, especialmente em pacientes de maior risco cirúrgico.
Os três estudos citados na questão representam marcos importantes na evidência científica dessa área. O BASIL-1 (Bypass versus Angioplasty in Severe Ischaemia of the Leg) foi o primeiro grande ensaio clínico randomizado comparando as duas estratégias em pacientes com isquemia crônica ameaçadora do membro (CLTI, do inglês chronic limb-threatening ischemia). Seus resultados, publicados em 2010 por Bradbury e colaboradores, mostraram que, para pacientes com sobrevida esperada superior a 2 anos, o bypass com veia autóloga proporcionava melhores desfechos em termos de sobrevida e amputação, estabelecendo a cirurgia como primeira opção nesse subgrupo.
O BEST-CLI (Best Endovascular versus Best Surgical Therapy in Patients with Critical Limb Ischaemia), publicado em 2022 por Farber e colaboradores, foi um estudo mais recente e de maior escala, que comparou a melhor terapia endovascular com a melhor terapia cirúrgica (bypass) em pacientes com CLTI. O desfecho primário composto incluía amputação maior ou morte por qualquer causa. Os resultados demonstraram que o grupo submetido a bypass venoso apresentou menor incidência desse desfecho composto em comparação com o grupo endovascular, contrariando a assertiva II da questão, que afirma o oposto.
O BASIL-2, publicado em 2023 também por Bradbury e colaboradores, foi desenhado especificamente para avaliar pacientes com doença infrapoplítea, um subgrupo de maior complexidade técnica. Diferentemente do BASIL-1, este estudo demonstrou que a estratégia de melhor tratamento endovascular como primeira opção foi associada a melhor sobrevida livre de amputação, impulsionada principalmente por menor mortalidade no grupo endovascular. Esse resultado reflete a evolução das técnicas endovasculares e a seleção mais criteriosa de pacientes para cada abordagem.
A pegadinha central desta questão está na assertiva II, que inverte a direção do resultado do BEST-CLI. A banca explora a confusão entre os resultados dos três estudos, especialmente porque o BASIL-2 (2023) mostrou superioridade do tratamento endovascular, enquanto o BEST-CLI (2022) mostrou superioridade do bypass venoso. O candidato que não domina os resultados específicos de cada estudo pode facilmente confundir as conclusões.
Guarde a direção dos resultados de cada estudo: BASIL-1 (2010) favorece bypass em pacientes com sobrevida ≥ 2 anos; BEST-CLI (2022) favorece bypass venoso no desfecho composto; BASIL-2 (2023) favorece endovascular em doença infrapoplítea. É exatamente essa distinção que separa as assertivas corretas das incorretas.
Estudo | Ano | População/Contexto | Conclusão Principal |
|---|---|---|---|
BASIL-1 | 2010 | Isquemia crônica com risco de perda do membro | Bypass com veia como primeira opção é superior à angioplastia com balão em pacientes com expectativa de vida ≥ 2 anos |
BEST-CLI | 2022 | Isquemia crônica ameaçadora do membro (CLTI) | Desfecho composto (eventos adversos maiores no membro ou morte) foi menor no grupo de bypass venoso |
BASIL-2 | 2023 | Doença infrapoplítea | Estratégia endovascular como primeira opção associada a melhor sobrevida livre de amputação, impulsionada por menor mortalidade |
A assertiva reproduz fielmente a conclusão do estudo BASIL-1 (Bradbury et al., 2010). O estudo demonstrou que, em pacientes com isquemia crônica com risco de perda do membro e expectativa de vida de 2 anos ou mais, o bypass com veia adequada como primeira opção foi superior à angioplastia com balão em termos de sobrevida e preservação do membro. Essa recomendação foi incorporada às diretrizes de prática clínica para o manejo da CLTI.
A assertiva inverte a direção do resultado do estudo BEST-CLI (Farber et al., 2022). O desfecho composto de eventos adversos maiores no membro ou morte por qualquer causa foi menor no grupo de bypass venoso, não maior. O estudo demonstrou superioridade do bypass venoso sobre o melhor tratamento endovascular nesse desfecho, o que contraria diretamente o que afirma a assertiva.
A assertiva descreve corretamente os resultados do estudo BASIL-2 (Bradbury et al., 2023). Para doença infrapoplítea, a estratégia de revascularização com o melhor tratamento endovascular como primeira opção foi associada a melhor sobrevida livre de amputação, impulsionada principalmente por um menor número de mortes no grupo submetido ao tratamento endovascular. Esse resultado contrasta com o BASIL-1 e reflete a evolução das técnicas e a seleção de pacientes.
A banca inverte o resultado do BEST-CLI na assertiva II. O candidato que memoriza apenas que "o bypass é superior" pode marcar a assertiva como correta, mas o estudo de 2022 mostrou exatamente o oposto do que a assertiva afirma. Fique atento à direção dos resultados de cada estudo — é o detalhe que decide a questão.
Para questões sobre estudos clínicos em cirurgia vascular, monte uma tabela mental com o nome do estudo, o ano, a população estudada e a conclusão principal. Isso evita confusões entre estudos com nomes semelhantes (BASIL-1, BASIL-2, BEST-CLI) e resultados que se complementam ou se contrastam.
Gabarito: letra C — corretas as assertivas I e III.
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