Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693710
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Vascular
- AF – V – F – V.
- BV – F – V – F.
- CF – F – F – V.
- DV – V – F – F.
- EV – V – V – V.
GabaritoE — V – V – V – V.
Gabarito: letra E (V – V – V – V). Todas as quatro assertivas estão corretas: pacientes assintomáticos só devem ser considerados para intervenção se a sobrevida estimada for superior a 5 anos; mulheres apresentam mais complicações locais e menos benefícios que homens em procedimentos de intervenção; placas ecolucentes (tipo II) ao ecodoppler conferem maior risco de AVE; e o uso de estatinas pode reduzir a espessura médio-intimal da carótida comum. A base para essas afirmações está nas diretrizes de manejo da doença carotídea e na literatura sobre aterosclerose, conforme o material de apoio.
A doença aterosclerótica carotídea é um processo degenerativo que leva à formação de placas na parede arterial, principalmente na bifurcação da carótida comum, reduzindo o fluxo sanguíneo e podendo causar acidente vascular encefálico (AVE) por embolização ou trombose. A decisão de intervir — seja por endarterectomia ou angioplastia com stent — depende de uma série de fatores, incluindo a presença de sintomas, o grau de estenose, a morfologia da placa e a expectativa de vida do paciente.
Em pacientes assintomáticos, a intervenção só é considerada quando há estenose significativa (geralmente > 70%) e a sobrevida estimada é superior a 5 anos. Isso porque o benefício da revascularização nesse grupo é menor do que nos sintomáticos, e o risco perioperatório precisa ser compensado por uma expectativa de vida razoável. O material de apoio destaca que, em pacientes assintomáticos, o risco anual de AVC é 3 vezes maior que na população-controle (5,4% vs. 1,7%), mas o declínio constante no risco com o tratamento clínico torna os benefícios da endarterectomia menos claros nesse grupo.
As mulheres, por sua vez, apresentam particularidades na doença carotídea: tendem a ter mais complicações locais e menos benefícios com a intervenção, tanto endovascular quanto cirúrgica, em comparação aos homens. Isso se deve a fatores como diâmetro arterial menor, maior tortuosidade dos vasos e diferenças na composição das placas, o que influencia diretamente a relação risco-benefício do procedimento.
A morfologia da placa é um fator prognóstico importante. Placas ecolucentes (hipoecoicas) ao ecodoppler, classificadas como tipo II, são ricas em lipídios e mais propensas à ruptura, estando associadas a maior risco de AVE em comparação com placas ecogênicas (hiperecoicas), que são mais fibrocalcificadas e estáveis. O material de apoio reforça que lesões subestenóticas também podem causar AVE devido à ruptura da placa e trombose aguda, evidenciando a importância da morfologia além do grau de estenose.
As estatinas, além de reduzirem os níveis de colesterol, têm efeitos pleiotrópicos que estabilizam a placa aterosclerótica e podem reduzir a espessura médio-intimal da carótida comum, um marcador subclínico de aterosclerose. Esse efeito é demonstrado em estudos de imagem que mostram regressão ou estabilização da placa com o uso prolongado desses medicamentos.
A banca explora a tendência de considerar falsas afirmações que parecem "exageradas" ou "incompletas". Por exemplo, a assertiva sobre mulheres pode parecer uma generalização, mas está correta na literatura. Da mesma forma, a afirmação sobre estatinas e espessura médio-intimal pode parecer específica demais, mas é um efeito bem documentado. O candidato deve confiar no conhecimento técnico e não no "senso comum" para julgar cada item.
A afirmação está correta. Em pacientes assintomáticos, a intervenção (endarterectomia ou angioplastia) só é recomendada quando a sobrevida estimada é superior a 5 anos. Isso porque o benefício da revascularização nesse grupo é menor e o risco perioperatório precisa ser compensado por uma expectativa de vida razoável. O material de apoio destaca que, em assintomáticos, o risco anual de AVC é 3 vezes maior que na população-controle (5,4% vs. 1,7%), mas o declínio constante no risco com o tratamento clínico torna os benefícios da endarterectomia menos claros, reforçando a necessidade de selecionar pacientes com boa sobrevida.
A afirmação está correta. Mulheres apresentam mais complicações locais e menos benefícios em procedimentos de intervenção carotídea, tanto endovasculares quanto em cirurgia aberta, em comparação aos homens. Isso se deve a fatores anatômicos (diâmetro arterial menor, maior tortuosidade) e diferenças na composição das placas, que aumentam o risco de complicações e reduzem o benefício absoluto. A literatura documenta essa diferença de gênero, que deve ser considerada na decisão terapêutica.
A afirmação está correta. Placas do tipo II, predominantemente ecolucentes (hipoecoicas) com pequenas áreas de ecogenicidade, apresentam maior risco de AVE em relação aos outros tipos de placas. Isso ocorre porque placas hipoecoicas são ricas em lipídios e mais propensas à ruptura, enquanto placas ecogênicas são mais fibrocalcificadas e estáveis. O material de apoio reforça que lesões subestenóticas também podem causar AVE devido à ruptura da placa e trombose aguda, evidenciando a importância da morfologia além do grau de estenose.
A afirmação está correta. O uso de estatinas pode reduzir a espessura médio-intimal da artéria carótida comum, um marcador subclínico de aterosclerose. Esse efeito é demonstrado em estudos de imagem que mostram regressão ou estabilização da placa com o uso prolongado desses medicamentos, além dos efeitos pleiotrópicos que estabilizam a placa aterosclerótica.
Conclusão: Todas as quatro assertivas são verdadeiras, portanto a sequência correta é V – V – V – V, correspondente à letra E.
Gabarito: letra E
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